Conhecido pela timidez e por geralmente ser de poucas palavras, o meia Rivaldo concedeu uma longa entrevista ao site oficial da Fifa, publicada nesta segunda-feira. O camisa 10 do São Paulo falou de sua adaptação ao futebol brasileiro após 14 anos atuando no exterior e colocou a estrutura do Tricolor nos patamares europeus.
- Está sendo ótimo (período no Brasil), claro que ainda tenho de me acostumar com algumas coisas, pois foram 14 anos fora. Tem de se adaptar a treinamento de manhã e de tarde, mais períodos de concentração... Aos poucos vou me acostumando: ao grupo, ao jogo, aos treinos. Quanto à estrutura, vejo mais o lado do São Paulo. Nunca joguei em um clube com estrutura assim. Não tem como não treinar bem, aqui é um paraíso. Sobre os jogadores... Nem sei o que posso falar, dá para ver que temos um futebol alegre, com todos jogando para vencer - declarou Rivaldo.
Rivaldo também reclamou do preconceito sofrido pelos jogadores de idade avançada. Desde que chegou ao Sampa, o meia disputou quatro partidas, sendo as três primeiras como titular e uma como reserva, quando entrou no segundo tempo no clássico contra o Palmeiras. Destes, ele atuou os 90 minutos apenas contra o Linense, em sua estreia, quando anotou seu único gol pelo clube até o momento.
- Quando você chega a uma certa idade, as pessoas lhe olham diferente, duvidam se você pode jogar 90 minutos. Claro que qualquer jogador cansa. Claro que não sou um super-homem: vou me cansar, é normal, porque isso acontece com um jogador novo também. Mas passa dos 15, 20 minutos do segundo tempo, e todo mundo fica de olho. Às vezes você é substituído, e é uma substituição normal, tática, mas aí falam que você saiu porque cansou. Não é sempre assim. Aqui faço todos os treinamentos, de manhã ou tarde, para me preparar. Se você treina com o grupo, tem condição de jogar 90 minutos. Não sou poupado porque tenho 38 anos. Chega o jogo, e aí falam isso. A idade chega, e tem esse preconceito com o jogador. É um pouquinho chato - afirmou.
Sobre a recepção dos jogadores ao seu retorno, o meia revelou uma situação curiosa.
- As pessoas querem trocar camisa, tem jogador que fala que fui o melhor da Copa e me dá moral dentro de campo. A gente está lá naquela correria toda, agradece e corre de novo, porque não dá pra conversar, né? É bem legal. Às vezes tem jogador que está te marcando duro e até pede desculpa: 'Pô, o treinador mandou ficar perto e te marcar. Sei que você joga muito', mas aí eu digo que tudo bem, que faça seu trabalho. Acontecem essas coisas no jogo - disse.
Além do São Paulo e sua volta ao Brasil, Rivaldo abordou outras assuntos na entrevista, como sua relação com a imprensa, para quem, após a Copa de 2002, conseguiu provar seu valor, segundo ele, e sobre Seleção Brasileira. Ele revelou uma certa mágoa com as críticas recebidas após a Copa de 98, na França, quando a Seleção foi derrotada pelos anfitriões na final. Rivaldo ouviu de alguns torcedores que o Brasil teria entregado o jogo.
- Era a oportunidade de a França ser campeã. Nem a França esperava que fosse ganhar do Brasil com dois gols de bola parada no primeiro tempo. Aí já se uniram, tiveram aquela pegada. Viram o resultado e a Copa na mão deles, em casa. Foi a pior derrota - declarou o são-paulino.
- É triste (as críticas), ainda mais ouvindo tantos boatos depois, tanta besteira. Até a ponto de chegar a minha mãe e perguntar se tínhamos ganhado alguma coisa para perder. Mas as pessoas não sabem o que é o sofrimento de você perder uma final. Viajar 10, 12 horas, chegar a Brasília, e nenhum jogador queria isso, mas fomos obrigados pelo presidente do país. E segundo lugar não vale nada aqui no Brasil. Os caras vaiavam, xingavam, e só uns dois ou três aplaudiam. O Brasil em Copa do Mundo tem de ganhar, mas em outros países é outra coisa - completou.
Ao site da Fifa, Rivaldo endeusa estrutura do São Paulo e reclama de preconceito
Camisa 10 do Tricolor disse que jogadores mais velhos são muito criticados no Brasil
Fonte Lance!
21 de Março de 2011
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