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Em um ambiente sempre cercado de mistérios e tentativas de camuflar situações desconfortáveis como o futebol, Paulo César Carpegiani se destaca por ser diferente.
O treinador do São Paulo raramente faz treinos secretos, divulga escalações com antecedência, explica com detalhes seu esquema tático e distribui opiniões sinceras sobre jogadores e questões cotidianas vividas no clube.
Tão sinceras que, às vezes, acaba transformando rusgas usualmente resolvidas internamente em situações de grande repercussão externa.
A forma como Carpegiani reagiu à ausência de Alex Silva em dois treinos da semana passada mostra esse comportamento fora do padrão.
A maioria dos técnicos minimizaria a situação e colocaria a culpa da decisão de não escalá-lo contra o Ituano, nesta noite, em questões de ordem físicas. Mas Carpegiani não é como a maioria.
Em entrevista ontem, negou que o corte do zagueiro esteja relacionado a questões disciplinares, mas revelou que Alex Silva já possui um histórico de faltas em treinos.
"Não foi a primeira, nem a segunda vez, nem a terceira vez que isso acontece desde que estou aqui. Mas a gente sempre conduz isso internamente", afirmou o técnico.
Segundo Carpegiani, o que mais o irritou foi a demora com que a falta foi justificada. Ele insinuou que Alex Silva só ligou para ele, após perder o segundo treino, no sábado, por ter sido avisado por alguém do clube que seria punido se não o fizesse.
O camisa 3, que estava suspenso da partida contra o São Caetano e não atuaria no fim de semana, alegou que seu filho estava doente.
O treinador reagiu a essa nova crise da mesma forma que havia feito no desentendimento com o atacante Dagoberto, no mês passado.
O jogador discutiu com o técnico por questões táticas contra o Linense. Na entrevista após o jogo, Carpegiani detalhou o desentendimento e disse que não colocaria empecilhos a uma possível negociação do atleta.
"Cada pessoa tem uma característica, uma personalidade própria. Não posso criticar alguém por ser sincero. Esse é mais um ponto que caracteriza seu padrão moral", disse o diretor de futebol João Paulo de Jesus Lopes.
O cartola são-paulino, que defende que críticas internas não devem ser levadas à mídia, negou que as ações do técnico prejudiquem o clube.
"Não tivemos prejuízo. Mesmo nas posições mais firmes, ele tem acertado. Futebol é emocional", declarou.