A idiotice da CBF
Fonte Roberto Porto, ESPN
23 de Dezembro de 2010
Jamais escondi a meus raros leitores deste site minha preferência pelo Botafogo de Futebol e Regatas – hoje apontado como bicampeão brasileiro (1968-1995). Mas gostaria de esclarecer que discordo inteiramente do novo critério da CBF, concretizado numa festa no Itanhangá Golfe Clube, no Rio. Em poucas e resumidas palavras, a CBF – tantos anos depois – curvou-se aos desejos mais do que evidentes dos governos militares que comandaram o Brasil, a partir de março de 1964. E me recordo de uma frase do almirante Heleno Nunes, quando comandava a CBF. - Aonde a Arena vai mal, mais um clube no Nacional...
O que queria dizer Heleno Nunes com isso? Que a Arena, partido dos adeptos do regime militar, não poderia jamais perder para o MDB que, fora os cassados, presos e fugidos do Brasil, jamais deveria perder eleições (fajutas, por sinal) para o partido de oposição. Com mais um clube no Nacional (nome do antigo Campeonato Brasileiro), a Arena faria uma espécie de média no estado cujo clube fora beneficiado.
Mas o maior aborto da natureza ocorreu em 1987, quando a dupla Nabi Abi Chedid e Otávio Pinto Guimarães, ambos de triste memória, queriam cruzar os vencedores da Chave A com os da Chave B para apontar o campeão brasileiro. E no Itanhangá, o Flamengo teve seu título de 1987 cassado irremediavelmente, embora a presidente rubro-negra, Patrícia Amorim, garanta que vai recorrer da decisão.
Faço a mais absoluta e fechada questão de esclarecer que nada tenho contra Pelé, que formou num dos melhores times do futebol brasileiro em todos os tempos. Mas, venhamos e convenhamos, dar oito títulos brasileiros ao Santos (e também ao Palmeiras) é algo inenarrável. E os outros, que participaram do verdadeiro Brasileiro a partir de 1971? Foram ultrapassados nessa decisão calhorda da CBF?
No futebol do Rio – cada vez pior, apesar da merecida vitória do Fluminense este ano – Eduardo Vianna fez quase o mesmo. Deu um tiro de misericórdia no voto plural e começou a incluir clubecos dos interior, tornando a competição – que já fora uma das principais do Brasil – num campeonato bisonho. Eduardo Vianna, o famoso Caixa D’Água, só não incluiu o Tabajara Futebol Clube, da televisão, porque haveria, com toda certeza, um tiroteio na Federação do Rio. Mas os demais clubecos continuaram.
Ele, Eduardo Vianna, é, sem dúvida, o principal responsável pelo enfraquecimento de América (campeão de 1960) e Bangu (campeão de 1966). Em minha opinião de alvinegro, só um homem poderia ter dado jeito no Campeonato Carioca: Francisco Luiz Cavalcanti da Cunha Horta, o Chiquinho Horta, homem de inteligência rara e que só queria o bem do espetáculo no Rio. Mas Francisco Horta retirou-se e as idiotices continuaram.
Mas o recorde da idiotice continua nas mãos da CBF. Fazer o que a CBF fez, nem o mais idiota dos idiotas da objetividade (licença ao amigo Nélson Rodrigues) conseguiria fazer. Mas fica a pergunta: quem obrigou Ricardo Teixeira a fazer o que fez? Não tenho a menor idéia. Deixo para meus leitores a resposta para essa verdadeira babaquice (perdoem o termo). De hoje em diante, tiro meu time de campo. Não apóio burrices e politicagens.
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