Mas, nos últimos três anos, poucos jogadores da base tricolor conseguiram se destacar no time principal. E pior: diversas contratações, feitas em detrimento do aproveitamento dos garotos, têm se mostrado ineficientes. Das duas, uma: ou há pouca qualidade nas safras que se formaram em Cotia ou está havendo pouco intercâmbio entre os técnicos da base e o da equipe principal.
"Quem vem da base acaba tendo menos sequência", lamenta o lateral-esquerdo Diogo, de 20 anos. "Se você não arrebentar logo (como o atacante Lucas ), perde espaço", diz.
No Tricolor há quatro anos e meio, Diogo foi um dos que receberam chances na equipe principal. Mas, assim como Carleto, que surgiu no Santos e se transferiu para a capital, Diogo não convenceu.
Na semana seguinte ao clássico contra o Corinthians, o técnico Carpegiani explicou que Diogo, sacado ainda no primeiro tempo do importante confronto, teria pecado na marcação. "Se ele disse, tenho de respeitar, porque ele é o chefe", afirma. "Só que saí e nunca mais voltei", lembra, ciente de que deverá perder ainda mais espaço com a provável chegada de Juan, ex-Flamengo. Curiosamente, Juan também surgiu na base são-paulina, em 2000, mas saiu antes de se firmar.
Casa / Mesmo correndo risco de ter ainda menos espaço em 2011, Diogo deseja ficar. "Mas a decisão não é só minha." O lateral não descarta passar um período por empréstimo em outra equipe. A estratégia é arriscada, mas funcionou com Hernanes, que atuou pelo Santo André em 2006 antes de estourar no Tricolor a partir da temporada seguinte.
"Aceito ser emprestado, mas gostaria de ir para um time no qual pudesse mostrar futebol para ter a chance de voltar com moral", pede o jovem, antes de confessar que sua tristeza não é somente por ter que mudar de time, mas também de residência. Afinal, como uma grande parte dos garotos que sobem para o time profissional, Diogo ainda mora nos alojamentos do CT da Barra Funda.

Diogo, lateral do São Paulo
vipcomm