Acabou a janela de transferência para o exterior. As possibilidades de se trazer reforços que atuam futebol brasileiro são mínimas. Os campeonatos da Série A e da Série B já entram nos momentos finais. Agora, sem quase mais nada para fazer para melhorar o desempenho dos seus clubes, os dirigentes - e porque não torcedores - começam entrar em desespero.
Descontrole que atinge aqueles que percebem que a possibilidade de título, a cada rodada, fica mais remota e, principalmente, os times que lutam contra o rebaixamento.
Por isso, a partir de agora, vamos começar observar as situações mais desesperadas para os clubes se salvarem de uma situação delicada. Soluções precipitadas, que geralmente, só acabam aumentando a tragédia.
Os primeiros que vão sofrer com decisões desequilibradas e são os treinadores. Os dirigentes nunca sabem o que fazer com os técnicos. Na maioria das vezes, pressionados pela torcida e outros dirigentes do clube, mandam embora o treinador e, invariavelmente, acabam contratando um substituto pior.
Outros dirigentes, por teimosia, não enxergam que o problema é o treinador. Em nome de uma coerência os diretores seguram o técnico o máximo de tempo possível e quando eles decidem trocar o comando do time, o barco já afundou.
Já no gramado, o desespero começa a tomar conta quando os treinadores pressionados começam mudar a escalação seguidamente e não definem o esquema. Em um jogo, o time atua da maneira ofensiva possível, já na próxima partida entra retrancado.
Com a falta de resultados e indefinição da equipe, o elenco perde a confiança. Os jogadores desconfiam do treinador, dos dirigentes e dos próprios companheiros.
Logo tem início uma série de declarações fortes deixando claro que há jogadores fugindo da responsabilidade e outros que não se empenham como deveriam.
Nesse cenário, em poucos, dias os dirigentes desequilibrados são manipulados por alguns líderes de equipes acabam afastando alguns jogadores do elenco. Com esta atitude drástica, o número de descontentes só aumenta, pois nem todos atletas concordam com os afastamentos.
É nessa fase de desespero puro que se transforma em craque aquele jogador medíocre que faz um gol decisivo - que vai ser lembrado sempre - e chamar de pipoqueiro e marginalizar, um dos craques do time.
Também chegou a hora de apostar na renovação forçada e sem critério. Os clubes decidem apostar tudo nos jogadores dos times de base. De uma hora para outra, cinco ou seis meninos entram na equipe titular para jogar um clássico. A responsabilidade de salvação das equipes cai toda nos ombros dos novatos.
Geralmente, a aposta na juventude não vinga e o clube perde uma boa safra de jogadores e todo investimento feito na formação desses atletas.
A insanidade na hora de desespero faz os dirigentes e os torcedores tomarem atitudes que só vão fazer a situação piorar. A partir de agora, vamos ter dirigentes invadindo o campo para pressionar a arbitragem.
Já os torcedores logo vão assumir o papel de detetives e descrever que os jogadores fazem na hora de folga. Sem dizer as tradicionais pichações de muro e invasões de treinos - essas duas últimas práticas quase sempre apoiadas por dirigentes.
No futebol, tanto numa partida quanto nos atos de administração é preciso ter equilíbrio e bom senso. Decisões tomadas de cabeça quente e sem pensar não levam a lugar nenhum. Ou melhor, levam o time, cada vez mais, para o fundo do poço.
Até a próxima.
Aberta a temporada do desespero
Fonte Folha.com
21 de Setembro de 2010
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