Tricolor blinda Lucas

Fonte Jornal da Tarde
A troca do apelido Marcelinho para nome de batismo Lucas foi apenas o primeiro ato da diretoria são-paulina para proteger o garoto de 18 anos. A preocupação dos cartolas vai além de evitar comparações com o eterno ídolo corintiano. O que eles querem é uma transição sem traumas. A velocidade com que subiu para o profissional e hoje, nas palavras do capitão e goleiro Rogério Ceni, se tornou peça fundamental, também pode derrubá-lo.

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Ninguém no São Paulo quer ver o sucesso repentino fazer o garoto se deslumbrar e tomar atitudes que possam prejudicar sua imagem – como está acontecendo com Neymar. O santista dá sinais de que está sofrendo para conviver com a fama e o assédio, e com frequência tem sido notícia por não se comportar de maneira correta. Coincidentemente, os dois têm suas carreiras administradas pelo empresário Wagner Ribeiro. A interferência no Tricolor, no entanto, é menor. Pelo menos é o que garante o vice-presidente de futebol Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco.“O Wagner me ligou algumas vezes depois da Copa São Paulo, em janeiro, dizendo que o menino era um craque e que tinha de subir. Eu falei para esperar, ele queria se precipitar.”
Lucas, então Marcelinho, só recebeu uma chance depois que Ricardo Gomes deixou o clube em agosto. E em 11 jogos conquistou a torcida, principalmente pela atuação contra o Palmeiras. Agora é o momento de brecar o assédio. A diretoria não quer vê-lo em programas de televisão. A assessoria de imprensa ficou irritada porque Lucas acabou fazendo uma matéria na casa de seu pai ontem. A preocupação é tão grande que ele foi proibido de participar de um evento da patrocinadora do clube. A ideia de dar ao garoto a camisa 10, que era de Hernanes, também ficou apenas na intenção de um dirigente. Lucas vai continuar jogando com a 37.
A diretoria também rejeita fazer alguma alteração no seu contrato – o vínculo até novembro de 2013 foi acertado no começo deste ano. “A conversa foi assim: você joga, cresce e se valoriza… É uma situação que vamos deixar seguir, quem sabe no final do ano. Qualquer intervenção pode causar um distúrbio”, disse Leco. O termo de comparação é, mais uma vez, Neymar. O santista recebe um salário de profissional desde os 15 anos. Hoje, são quase R$ 500 mil por mês. O dinheiro fácil, para alguns, o fez se sentir acima do bem e do mal. “Ainda não é o momento de tratar disso. Claro que o contrato passará por momentos de análise e revisão, mas não será agora”, garantiu Leco.

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