
Em casa, Lucas recebe o carinho dos pais Jorge e Fátima (Fotos: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)
A história realmente impressiona. Em apenas 11 jogos, o garoto Lucas se transformou de promessa em realidade no time do São Paulo. Com 1,72m e 66kg, o camisa 37 deu nova dinâmica à equipe que, antes previsível, agora está redescobrindo seu jeito de jogar. Contra o Palmeiras, no domingo, o garoto só não fez chover. Marcou um gol (assista ao vídeo), deu o passe para Fernandão fazer o outro e, sempre com personalidade, desmontou o sistema defensivo comandado por Luiz Felipe Scolari.
E nada melhor do que comemorar o bom momento nos braços dos pais, Jorge e Fátima. Lucas mora no alojamento do CT da Barra Funda mas, na noite do último domingo, resolveu voltar para casa e festejar. O pai o buscou na concentração por volta de 20h. De lá, seguiram para uma pizzaria em Moema, onde a mãe já os esperava. Os pais são separados há quatro anos, mas fazem questão de dividir tudo na criação do filho. No restaurante, entre um pedaço e outro, ele pôde ter uma noção de tudo que está começando a conquistar na carreira.
- É tudo ainda muito recente para mim. Há oito meses eu estava jogando a Copinha (Copa São Paulo de Juniores) e sonhando, um dia, em chegar ao time profissional para escrever a minha história. E, de repente, vejo que tudo aconteceu mais rápido do que esperava. As pessoas me abordam, pedem autógrafos, e eu, tímido, ainda tenho dificuldade em lidar com isso. Abaixo a cabeça. Mas sei que com o tempo vou me acostumar - afirmou o jogador, que recebeu a reportagem do GLOBOESPORTE.COM na casa do seu pai, no bairro de Cidade Ademar, Zona Sul de São Paulo.

Durante a entrevista, um pouco tímido, Lucas não desgruda da bola de futebol
Lucas e a bola de futebol vivem uma relação de amor profundo. Durante boa parte da entrevista, ele falou com uma nas mãos. Na sala, colocou um DVD para mostrar suas principais jogadas. O pai, orgulhoso, mandou um recado animador para a torcida.
- Meu filho não mostrou nem metade do que sabe. Ele veio do futebol de salão, gosta de jogar com toques curtos e velocidade. Na hora em que o restante do time pegar confiança no futebol dele, vocês verão o Lucas de verdade - afirmou Jorge, que também tentou a sorte como jogador de futebol, mas não teve sucesso.
Feliz da vida com o sucesso do filho, o pai acordou cedo e foi até a banca da esquina de sua casa. Comprou todos os jornais. Em grande parte deles, o filho estava na capa. Lucas, que dormiu na casa da mãe, chegou por volta das 10h e, entre uma resposta e outra, olhou as reportagens, orgulhoso do que havia feito.
- Um clássico é sempre um clássico. Apesar de ter sido o meu segundo pelo time profissional do São Paulo (o primeiro foi contra o Atlético-MG) , o gol que fiz ontem ficará marcado para sempre na minha cabeça. Foi minha primeira vitória no Pacaembu, e contra um rival - disse o jogador.

Lucas e o pai, Jorge, seguram um pôster autografado com o são-paulino em ação
O garoto, com os pés no chão, dedica tudo que já conquistou na carreira aos pais. Na sala, ele mandou fazer um quadro com uma imagem sua de um jogo contra o Barueri, ainda pelas categorias de base. Fez uma dedicatória e, de surpresa, entregou ao pai, que não aguentou a homenagem e chorou como uma criança.
- Eu pesquisei na internet e vi quem poderia fazer esse quadro. Mandei fazer, fiz uma dedicatória e coloquei aqui na sala para que todo dia ele possa saber que sou muito grato a tudo que ele fez. Sou um cara de muita sorte. Meu pai é fantástico e a minha mãe é a melhor de todas - ressaltou o garoto.
O sucesso repentino também chamou a atenção da vizinhança. Por diversas vezes, enquanto conversava com a reportagem, era possível escutar gritos vindos da rua.
- Lucas, Lucas. Vem aqui e me dá um autógrafo.

Na porta de casa, Lucas recebe o carinho dos fãs e retribui com autógtafos, fotos e atenção
Na sequência, outro pedido:
- Lucas, tira uma foto comigo.
E lá foi o rapaz para o lado de fora. Essa humildade impressiona a mãe, que confessa sofrer muito quando vê o filho em ação.
- Quando alguém faz uma falta nele, tenho vontade de entrar na televisão para ver se está tudo bem. Fico nervosa, às vezes prefiro nem assistir aos jogos. Mas ver tudo o que o Lucas conquistou é uma alegria tremenda. Não tenho do que me queixar. Nunca me deu trabalho. Ele estudou e cuidou de sua vida. Hoje mora no CT, mas sei que tem cabeça suficiente para saber o que é certo e o que é errado. Eu e o pai estaremos sempre do lado para dar todo o suporte e também puxar a orelha quando necessário. Mas, pelo que fizemos a vida inteira, sei que ele tem capacidade de trilhar sozinho sua própria trajetória de sucesso - afirmou a mãe, toda orgulhosa.

Em casa, Lucas grava seus jogos no DVD e depois os revê para corrigir os erros cometidos