O tempo passou, o Brasileirão voltou e, o que parecia certo, virou errado. O Inter, após a mudança no comando técnico (Fossatti foi embora, e Celso Roth chegou), renasceu e reencontrou o seu caminho. Com uma arrancada espetacular e quatro vitórias conquistadas (Guarani, Ceará, Atlético-MG e Flamengo), o time deixou a incômoda posição na tabela para garantir um lugar no G-4 da competição. Já seu rival paulista parece ter perdido o rumo e, com apenas um ponto conquistado nos 12 que disputou, o São Paulo caiu da sexta para a 15° colocação, com o mesmo número de pontos do Botafogo, que é o primeiro integrante da zona do rebaixamento. Se forem considerados apenas os resultados pós Copa do Mundo, o Tricolor é o pior time do Campeonato Brasileiro.
Mas o que será que aconteceu com as duas equipes? O que fez o Inter crescer tanto e o São Paulo descer a ladeira? É o que o GLOBOESPORTE.COM mostra abaixo.

Roth muda tudo, e time cresce
Celso Roth chegou durante a pausa para a Copa do Mundo da Ãfrica do Sul, mais precisamente no dia 14 de junho. Logo nos primeiros treinos, deixou claro que o esquema com três zagueiros, que vinha sendo utilizado por seu antecessor, estava condenado. Ele passou para o 4-4-2 e apostou na velocidade.
- Com o Fossati não deu muito certo porque ele queria sempre jogar com três zagueiros e nosso time não se adaptava em alguns jogos com este esquema, isso atrapalhou um pouco. O Celso é um cara que trabalha bastante, sempre conversa com a gente, pergunta como seria melhor o time jogar. Ele sabe também como os times do sul jogam, marcando forte e saindo com qualidade. A gente não gostava mesmo de jogar com três zagueiros, mas ele (Fossati) colocava sempre. É o 4-4-2 que a gente fica mais solto. Com três zagueiros ficava muito amarrado – analisa o volante Sandro, que está negociado com o Tottenham, da Inglaterra, por telefone.
Outro fator apontado por Sandro como importante para justificar o crescimento da equipe foi o aumento da carga de treinamentos.
- O Roth treina muito mais que o Fossati. O Fossati dava mais descanso. O Celso treina e fala muito mais que ele, isso está ajudando mais a gente, para nos acertamos e nos cobrarmos mais dentro de campo – acrescentou.
Sandro acredita que o poder de marcação do São Paulo enfraqueceu, No entanto, reconhece que o comportamento do time em uma competição como a Taça Libertadores da América é completamente diferente que no Campeonato Brasileiro:
- O time do São Paulo, quando tem a bola, é muito forte. Quando não tem, não estão fazendo uma marcação forte nos adversários, pois eles não estão pressionando muito. Quando tem a bola no pé, joga fácil. A bola parada, com o Fernandão, pelo alto, pelo chão, ele joga muito. Vejo como o ponto forte também a bola no pé do Hernanes. Temos que fazer pressão para roubar essa bola, não deixar pensar muito. Mas Brasileirão é Brasileirão. Libertadores é outra competição e muda tudo. Temos que explorar a velocidade e ir em direção ao gol – concluiu.
Tricolor tem problemas na frente e atrás
No São Paulo, impressiona como um time que passou quatro semanas apenas treinando possa ter caído tanto de rendimento. Ricardo Gomes havia encontrado a formação ideal nas vitórias sobre o Cruzeiro, pela Libertadores, e sobre o Internacional, no Campeonato Brasileiro. O esquema, com três zagueiros, tinha Richarlyson jogando improvisado na zaga pela esquerda, para fazer com que o time ganhasse qualidade na saída de jogo pela esquerda. Do meio para a frente, a aposta era na movimentação e na troca rápida de passes do trio Marlos, Dagoberto e Fernandão, que eram municiados pelos avanços dos alas Cicinho e Junior Cesar.
Mas tudo começou a mudar, e para pior, quando Cicinho viu seu contrato de empréstimo acabar. O Roma só aceitava liberar o camisa 23 se o São Paulo topasse um novo contrato até dezembro. Como o time do Morumbi não achou que o investimento valia a pena, Cicinho voltou para a Itália e, o que estava acertado taticamente, se perdeu.
- A saída do Cicinho foi muito prejudicial. É claro que ele não estava rendendo tudo o que podia. Mas tenho certeza de que agora ele iria crescer. Além disso, a sua ausência nos causou um enorme problema, já que o Jean não sabe jogar no 4-4-2. E, em alguns jogos, como contra o Internacional, é muito perigoso você jogar no esquema com três zagueiros pelo fato do Inter sempre jogar com dois meias. Só que eu não tenho alternativa - explicou Gomes.

Além disso, o treinador resolveu inverter a posição dos seus zagueiros. Richarlyson continuou pela esquerda, mas Alex Silva, que atuava pela direita, passou a jogar pela sobra, com Miranda saindo para a direita. A defesa perdeu o rumo. Se na Taça Libertadores, Rogério Ceni só foi vazado duas vezes em dez partidas, após a Copa do Mundo o goleiro levou seis gols em quatro partidas.
- O problema não é só na defesa. Nossa marcação não é mais a mesma, não estamos com a mesma pegada. O Rodrigo Souto, que é peça muito importante, não está no melhor da sua forma e isso atrapalha o time.
Para completar os problemas, a parte ofensiva também perdeu força. Marlos não manteve a regularidade, assim como Hernanes, que voltou a cair de rendimento. Com isso, Dagoberto e Fernandão passaram a ter problemas na frente, já que a bola passou a não chegar com a mesma frequência e a mesma qualidade de antes.
- O noso meio-campo está muito lento, previsível. Nosso adversário consegue fazer facilmente a leitura, sabe o que vamos fazer. Precisamos mexer nisso - ressaltou o treinador, que é só elogios ao Internacional, rival da próxima quarta-feira.
- É um time muito equilibrado e que se reencontrou. Soube aproveitar muito bem a parada para a Copa do Mundo. Serão dois grandes jogos.