A investigação foi motivada por áudios vazados onde Dedé detalha a cobrança de "joias" (taxas de entrada) para empresas que desejam operar dentro do clube. Os valores citados variam entre R$ 100 mil e R$ 150 mil, além de uma exigência de até 20% do faturamento bruto dos concessionários da Praça de Alimentação e da quadra de futevôlei.
O "X" da Questão: As Maquininhas e o Fluxo Financeiro
Um dos pontos mais sensíveis do novo inquérito é a afirmação do ex-diretor de que os pagamentos eram realizados em máquinas de cartão pertencentes ao clube. Investigadores apuram se esses valores eram de fato integrados ao caixa oficial ou se houve desvios para contas de terceiros. Relatos de remoção súbita dessas máquinas de locais de serviço alimentaram ainda mais as suspeitas de obstrução ou ocultação de provas.
O Histórico das Investigações:
1º Inquérito (Outubro/2025): Apura saques irregulares em espécie das contas do clube e possíveis práticas ilícitas na liderança de Júlio Casares.
2º Inquérito: Foca na exploração irregular de espaços no MorumBIS, especificamente o Camarote 3A, envolvendo gravações de intermediários e ex-dirigentes.
3º Inquérito (Atual): Corrupção privada no departamento social e extorsão de concessionários.
A Gestão Harry Massis e o Choque de Gestão
A posse de Harry Massis Júnior marca uma tentativa de ruptura com o passado recente. Demonstrando descontentamento com a forma como as investigações eram conduzidas internamente, Massis anunciou a contratação de empresas especializadas em compliance e auditorias independentes. O objetivo é realizar uma "limpeza" administrativa para recuperar a confiança de sócios e investidores.
A queda de braço política culminou na renúncia de Júlio Casares, que deixou a presidência pouco antes da assembleia de sócios que votaria seu impeachment. Como parte da reestruturação, figuras ligadas ao ex-presidente foram afastadas, incluindo o CEO Márcio Carlomagno e o próprio Dedé.
Reconstrução e Futuro
Enquanto a força-tarefa cruza dados bancários e depoimentos, o São Paulo busca estabilidade. A finalização destas apurações é vista como o único caminho para que o clube encerre o ciclo de instabilidade e reconstrua sua imagem institucional. Para os associados, a expectativa é que o novo sistema de compliance impeça que o patrimônio do clube seja novamente utilizado para fins particulares.
Palavras-chave: São Paulo FC, Investigação, Ministério Público, Júlio Casares, Harry Massis, Corrupção Social, Compliance SPFC.