O futebol feminino do São Paulo atravessa um momento delicado em meio a mudanças institucionais significativas dentro do clube. Com o afastamento de Julio Casares da presidência, após uma decisão do Conselho Deliberativo, o São Paulo aguarda a convocação da Assembleia Geral que poderá confirmar o impeachment do dirigente. Nesse ínterim, Harry Massis, o vice-presidente, assume a presidência interina do Tricolor. Em uma conversa exclusiva com Chris Massis, filha de Harry e diretora adjunta da base do futebol feminino, foram discutidos os desafios e perspectivas da modalidade no contexto atual.
A instabilidade política interna do clube traz reflexos em todos os departamentos, incluindo o futebol feminino. O afastamento de Casares se dá em um cenário de incertezas, o que exige cautela na implementação de projetos esportivos, mesmo aqueles que já haviam demonstrado resultados positivos. A nova gestão enfrenta o desafio de transformar um orçamento significativo, aprovado para 2026, em governança e previsibilidade, buscando preservar os avanços conquistados até agora.
Chris Massis destacou a longa relação de seu pai com o futebol feminino e o apoio que ele sempre deu à modalidade, mesmo em períodos difíceis. Completando 81 anos em março próximo, Harry sempre foi sensibilizado pela importância do futebol feminino, apesar de ter vivenciado a proibição da prática entre 1940 e 1980. Ele é sócio do São Paulo desde 1964 e, ao longo dos anos, se tornou um defensor das conquistas do time feminino, celebrando as vitórias em suas redes sociais.
A retomada do futebol feminino profissional do São Paulo em 2019 foi um marco significativo e trouxe Harry Massis ainda mais próximo da modalidade, um relacionamento que se fortaleceu com a entrada de Chris na diretoria. Ela afirmou que a comunicação entre eles sempre foi constante e que, devido ao laço familiar, Harry tem uma torcida especial pelo time feminino. Contudo, Chris reconhece que, no momento, a atenção de Harry está voltada para as questões do futebol masculino, dado o nível de crise enfrentado pelo clube e a necessidade de resolver problemas sérios.
Apesar da crise, Chris acredita que a reorganização institucional pode trazer benefícios para todos os setores do clube, incluindo o futebol feminino. Ela ressaltou que a presença de Harry Massis em eventos e conquistas do time feminino é um reflexo do compromisso da família com a modalidade. O pai dela esteve à frente de momentos importantes, entregando troféus e representando o clube em competições.
Chris também expressou sua vontade de atuar mais efetivamente dentro do clube. Sua entrada na diretoria ocorreu durante o segundo mandato de Casares, e desde então ela tem se dedicado a contribuir para o desenvolvimento do futebol feminino. Ela ressaltou, no entanto, que suas manifestações sobre a situação política do clube se basearam em sua posição como sócia e não como dirigente, reconhecendo que o protagonismo político nunca foi algo desejado pelo pai.
Históricamente, a família Massis está profundamente enraizada na cultura do São Paulo, com um passado que remonta a várias gerações de torcedores. Apesar das incertezas que cercam a presidência e a gestão atuais, o futebol feminino do clube possui um histórico recente de conquistas significativas, incluindo a Supercopa Feminina, participações na Libertadores e um forte desempenho nas categorias de base. Os desafios são grandes, mas a esperança é que, com uma gestão voltada para a governança e a transparência, todos os setores possam se beneficiar.