Minutos antes do início da votação que pode afastá-lo da presidência do São Paulo FC, Julio Casares fez um discurso decisivo diante dos conselheiros no Morumbi. Em sua fala final antes do pleito, o dirigente pediu votos para permanecer no cargo e afirmou que, caso seja mantido, se afastará da presidência já a partir desta sexta-feira, em uma tentativa explícita de evitar o impeachment que está sendo votado neste momento.
A declaração foi recebida com surpresa por parte dos conselheiros e rapidamente se espalhou pelos bastidores do clube. A fala de Casares é interpretada como a última cartada política do presidente para tentar reverter um cenário amplamente desfavorável, marcado por investigações policiais, sindicâncias internas, escândalos envolvendo diretores da atual gestão e decisões judiciais que mantiveram a votação híbrida e o quórum reduzido para destituição.
No discurso, Casares apelou para o argumento da estabilidade institucional, afirmando que seu afastamento imediato permitiria uma transição menos traumática e evitaria danos esportivos ao São Paulo FC. Ainda assim, conselheiros ouvidos reservadamente questionam a validade prática da promessa, já que o Estatuto do clube não prevê afastamento voluntário condicionado à manutenção no cargo em meio a um processo de impeachment.
A fala ocorre em um dos momentos mais delicados da história política recente do Tricolor. O presidente chega à votação pressionado por denúncias envolvendo a comercialização ilegal de camarotes no Morumbi, investigações da Polícia Civil, apurações do Ministério Público e pelo desgaste profundo junto à torcida e a setores relevantes do Conselho Deliberativo.
Nos bastidores, a avaliação predominante é de que o discurso evidencia o isolamento político de Casares. Integrantes da oposição interpretam a declaração como um reconhecimento implícito da inviabilidade de sua permanência à frente do clube, enquanto até conselheiros historicamente alinhados à situação demonstram desconforto com a proposta apresentada às vésperas da votação.
A votação acontece neste momento em formato híbrido, com conselheiros participando presencialmente no Morumbi e também de forma remota, conforme decisão judicial. Para que o impeachment seja aprovado, é necessário atingir o quórum mínimo de presença e obter dois terços dos votos favoráveis entre os conselheiros aptos.
Caso o impeachment seja aprovado, Julio Casares será afastado imediatamente do cargo, e o vice-presidente Harry Massis Júnior assumirá interinamente o comando do São Paulo FC até a convocação de Assembleia Geral dos sócios, que dará a palavra final sobre a destituição definitiva.
Enquanto os votos são contabilizados, o clube vive uma noite histórica. Independentemente do resultado, o discurso de Casares antes da votação já entra para o registro como um dos momentos mais simbólicos da crise política que atravessa o São Paulo FC, acompanhado de perto por conselheiros, torcedores e por todo o cenário do futebol brasileiro.