Nesta quinta-feira, Hernán Crespo, ao se pronunciar após a derrota do São Paulo para o Corinthians, declarou: "Nada é azar". Com essa frase, ele talvez tenha capturado o sentimento que paira sobre o futebol paulista Atualmente, seus comentários focaram nos desfalques da equipe, mas foram também uma crítica explícita ao precário estado do departamento médico e da preparação física do clube. O São Paulo, que enfrenta dificuldades até para montar seu banco de reservas, se vê em uma situação delicada.
Entretanto, a expressão "nada é azar" pode ser utilizada para ilustrar a posição de supremacia que o Palmeiras ocupou no futebol paulista, conquistando títulos e se destacando em organização e finanças. Enquanto isso, Corinthians, São Paulo e Santos se tornaram coadjuvantes no cenário do futebol brasileiro, e a ideia de "azar" como justificativa para a sua situação vergonhosa não se sustenta. O Corinthians, que tem uma torcida imensa e deveria ser tão forte quanto o Flamengo, é um exemplo terrível de má gestão e corrupção, resultado de décadas de administrações desonestas.
O São Paulo, uma vez querido por muitos, parece ter parado no tempo, travado por um sistema político ultrapassado. Já o Santos enfrenta a ameaça constante do rebaixamento, afundado em dívidas e sob a influência de Neymar e de seu pai, que parecem ditar os rumos do clube. Para os torcedores de Corinthians, São Paulo e Santos, o que se avizinha ainda é mais sombrio. "Antes de melhorar, a coisa vai piorar" pode muito bem ser a previsão que sintetiza a realidade atual. E essa é a verdade se, mesmo com um milagre, as coisas começarem a ser feitas da maneira correta daqui para frente, relembrando o ensinamento de Crespo: "nada é azar".