Foram mais de 23 anos de espera para o São Paulo voltar a uma final de Copa do Brasil . Neste domingo (17), contra o Flamengo no Maracanã, o time paulista inicia a busca pelo grande título que falta em sua história e também pelo fim de um trauma que marcou uma geração de torcedores – não só eles.
Principal estrela daquele time de 2000, que deixou escapar o título nos minutos finais contra o Cruzeiro , França nunca mais assistiu àquele jogo. Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br , o ex-atacante de 47 anos, quinto maior artilheiro da história são-paulina, com 182 gols , ainda tenta encontrar uma resposta para a derrota naquele 9 de julho, no Mineirão.
"Faltou um pouco mais de experiência mesmo", admite o ídolo tricolor, apenas com a memória (traumática) de como foi viver aquela final em campo. "Todos os jogadores se empenharam bastante para o jogo de ida como no de volta, mas para mim faltou a gente segurar mais a bola na casa deles lá. Talvez seria outro resultado se a gente tivesse mais cadência".
Memórias da finalPara entender a virada em Belo Horizonte, é preciso lembrar a decisão completa. Quatro dias antes, diante de 52,4 mil pessoas no Morumbi, o São Paulo pressionou e parou duas vezes na trave. O lance mais incrível foi quando Sandro Hiroshi perdeu duas oportunidades seguidas, uma delas no goleiro André e outra em um chute por cima do travessão.
O empate sem gols manteve a partida completamente aberta para o Mineirão. Depois de um primeiro tempo de poucas emoções, tudo aconteceu a partir dos 21 minutos da etapa final. Marcelinho Paraíba abriu o placar em falta que encobriu André e deixou o São Paulo, que poderia ser campeão com empate por gols, bem perto da taça.
O Cruzeiro acionou o banco e mudou a história do jogo com as entradas de Müller e Fábio Júnior. O primeiro deu passe para o segundo empatar aos 35 minutos, colocando o Mineirão "abaixo". Aos 45, após erro grosseiro de Axel ao recuar a bola e forçar Rogério Pinheiro a ser expulso, Geovanni cobrou falta no meio da barreira e deu o título à Raposa.
"Com certeza seria o início de tudo", lamenta França, que também lembra a sua saída a menos de 20 minutos do fim. "Na minha opinião, acho um pouco errada essa substituição, porque comigo e com o Marcelinho na frente, a gente era capaz de segurar mais a bola. E foi justamente com a minha ausência que o Cruzeiro começou a atacar e aconteceu aquela falta. Uma das maiores frustrações".
Ex-goleador do Tricolor concedeu entrevista exclusiva ao ESPN.com.br
França seguiu no São Paulo até a metade de 2002 e jogou mais duas edições de Copa do Brasil. O máximo que conseguiu foi chegar à semifinal, no último ano, quando o Tricolor parou no futuro campeão Corinthians , em outra noite que ficou marcada, pelo lado negativo, para o camisa 9.
"Aquela foi uma noite terrível para mim, porque eu tive a chance de fazer o gol no Dida de pênalti e eu errei. Acabei escolhendo o meio porque achava que ele ia cair pra algum lado, acabei batendo no meio e ele só fez assim com a mão, de tão frio que aquele homem era. O Dida é o único goleiro que eu não fiz gol na minha carreira", lembrou o ex-atacante, que encerrou sua passagem pelo clube momentos depois.
Ao receber lançamento na frente, França se esticou para tentar o domínio e sofreu um grave estiramento no músculo posterior da coxa, que abreviou sua passagem pelo Morumbi, pois já estava vendido ao Bayer Leverkusen , da Alemanha, e também impediu outro sonho.
"Se eu pego essa bola, eu saio cara a cara com o Dida de novo, aí eu acho que ele não ia ter chance, não. E eu lembro muito bem dessa cena. Eu fiquei deitado no chão, o Dida foi o primeiro que chegou perto de mim e eu falei assim: Dida, acabou a Copa do Mundo para mim. Depois de duas semanas seria o anúncio dos jogadores que iam para a Copa de 2002, e eu tinha certeza que eu ia".
Lições para o time atualMais de duas décadas após sua primeira final, o São Paulo segue sem ganhar o título, mas agora tem uma chance de acabar com o martírio. O favoritismo segue com o Flamengo, time mais caro e um dos mais vencedores do Brasil nos últimos anos, mas França acredita que a disputa está em aberto.
Ex-goleador do Tricolor concedeu entrevista exclusiva ao ESPN.com.br
E, para continuar assim, o ex-atacante avisa: é necessário entender a melhor maneira de jogar no Maracanã, para que o resultado na primeira partida, diante dos torcedores rubro-negros, não estrague a chance de coroar a campanha uma semana depois, com o Morumbi completamente lotado.
"Eu não tive essa experiência de decidir em casa. Então, já começa por aí. Acho que o maior conselho que eu daria seria trabalhar bem a bola no Rio de Janeiro. Isso não quer dizer fazer cera, acho que o São Paulo tem que manter o seu padrão de ataque, tentar fazer gol da mesma forma. Mas acertar o passe, saber cadenciar, traz confiança e personalidade dentro no final", analisou o ex-jogador.
"O Flamengo tem muito mais experiência de título, já demonstrou nos últimos cinco anos, ganhou quase tudo. Mas tem certos times que o Flamengo tem dificuldade e um deles é o São Paulo. Acredito muito que o São Paulo possa ser campeão, mas acredito só de uma forma: se o São Paulo fizer um bom resultado lá. Acredito muito nisso. Para mim, a final no dia 17 é mais importante para São Paulo, não tenho nenhuma dúvida".
Próximos jogos do São Paulo:Flamengo (F) - 17/09, 16h (de Brasília) - Copa do Brasil
Fortaleza (C) - 20/09, 21h30 (de Brasília) - Brasileirão
Flamengo (C) - 24/09, 21h30 (de Brasília) - Copa do Brasil
