Dizem que o brasileiro não desiste nunca. E se tem alguém que honra essa frase, esse alguém é ex-zagueiro e lateral-direito Danilo Silva.
Hoje aposentado após passagem pelo Los Angeles FC, dos Estados Unidos, o paulista de Campinas ouviu dezenas de "nãos" quando fez peneiras na infância e adolescência para tentar ingressar em algum clube de futebol.
Ainda assim, o Danilo não desistiu de seu sonho e decidiu buscá-lo até o fim, mesmo já tendo sido até aprovado em um curso técnico para iniciar uma profissão "comum".
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"Eu não fiz categorias de base. Participei ao todo de 32 peneiras, mas não passei em nenhuma!", lembrou o ex-jogador, em entrevista ao ESPN.com.br.
"É curioso que eu fui reprovado nas peneiras de clubes como Guarani e São Paulo, e depois acabei jogando como profissional por eles (risos). São coisas do futebol", brincou.
"Eu queria mesmo ser jogador! Fui persistente e teimoso (risos). Já tinha até passado em um curso técnico em Campinas e apareceu um rapaz me chamando para treinar em um projeto. Eu achei meio esquisito, mas fui. Depois de dois meses, fui levado para o Pinhalense, em 2004", recordou.
No pequeno clube de Espírito Santo do Pinhal, Danilo finalmente conseguiu dar início ao seu grande sonho: ser futebolista profissional.
"A gente jogava a Série B2 do Paulistão, que era a 5ª divisão na época! Depois de seis meses no sub-20, fui promovido ao profissional. E, na minha estreia como profissional, eu marquei um gol, acredita?", relatou o ex-atleta, que foi um dos grandes destaques do campeonato e chamou a atenção de observadores.
Apenas um ano depois da ida para o Pinhalense, Danilo Silva teve sua primeira aventura no futebol internacional, ao ser contratado pelo New York Metrostars, time que hoje é conhecido como New York Red Bulls.
Após uma temporada na MLS, ele retornou ao Brasil para atuar pelo Guarani, time de sua cidade natal - e, curiosamente, que o reprovou em uma das muitas peneiras na infância.
Depois de realizar uma boa Série B, em 2006, ele despertou o interesse do São Paulo, que o contratou por empréstimo em 2007.
No time do Morumbi, ele fez parte de um dos melhores elencos da história tricolor e ajudou o clube a se sagrar campeão do Campeonato Brasileiro.
"Cheguei em agosto de 2007 ao São Paulo e tive a oportunidade de fazer parte de um time fantástico. A equipe tinha só zagueiros fenomenais, como Alex Silva, Miranda, André Dias e Breno", rememorou.
Danilo fez apenas três jogos pelo Tricolor, mas teve o privilégio de estar em campo na vitória sobre o América-RN, em 31 de outubro, que garantiu a conquista do Brasileirão ao time de Muricy Ramalho.
"Eu sabia que não teria muitas oportunidades, mas, quando fui utilizado, foi bem no jogo do título contra o América-RN, porque o Muricy gostava muito de mim", contou o ex-atleta, que acabou se empolgando muito em sua participação seguinte, contra o Juventude.
"O problema é que eu estava com tanta vontade de ser contratado pelo São Paulo que, logo na partida seguinte, fui expulso com 20 minutos (risos)! Queria muito ficar, mas me excedi (risos). Aí, no fim do ano, infelizmente não teve o acerto, e eu acabei voltando para o Guarani", relatou.
Campeão da Libertadores no Inter e carreira na Ucrânia
Em 2008, Danilo Silva foi negociado pelo Guarani com o Internacional, ficando dois anos no Beira-Rio e faturando três títulos.
Ao todo, o ex-defensor faturou um Gauchão (2009), uma Copa Suruga Bank (2009) e também a Libertadores (2010), apesar de só ter disputado o início da campanha - por ter feito parte da competição, porém, o atleta ganhou medalha e é considerado campeão.
"No Inter, fui treinado por Tite, Mário Sérgio e Jorge Fossatti. Fiz o primeiro jogo da Libertadores, contra o Emelec, mas aí veio o Dynamo de Kiev, que pagou minha multa rescisória e me levou na hora", lembrou.
Na ida para o futebol ucraniano, uma situação bizarra acabou sendo gerada.
"Eu era zagueiro originalmente, mas, em 2009, o Tite me colocou de lateral para quebrar um galho e fui bem. Aí o Dynamo me contratou achando que eu era lateral, e só descobriram que eu podia jogar como zagueiro uns quatro anos depois (risos)", gargalhou o ex-jogador, que defendeu o clube de Kiev por sete anos.
"Teve uma vez que a gente estava desfalcado e precisava de um zagueiro, aí eu disse para o treinador que sabia fazer a posição. Foi assim que eles ficaram sabendo, acredita (risos)?", brincou.
Na Ucrânia, Danilo sofreu bastante para marcar os brasileiros do Shakhtar Donetsk, grande rival do Dynamo, mas também viveu momentos de glória.
"A gente sofreu vários anos contra o Shakhtar, até que conseguimos encaixar uma série boa de títulos do Ucraniano e da Copa da Ucrânia entre 2013 e 2016. Foi a nossa vez (risos)! Mas o time dos caras era muito bom", exaltou o ex-atleta, que detestava ter que marcar Douglas Costa, hoje no Grêmio, e Willian, atual jogador do Corinthians.
Em competições internacionais, Danilo Silva também teve grandes memórias.
"Joguei Champions League e Europa League pelo Dynamo. Foi meu melhor momento da carreira. Teve uma partida memorável contra o Everton, em Kyev. Eles tinham o Lukaku no ataque e a gente tinha perdido na ida, mas vencemos por 5 a 2 e classificamos. Foi um dos jogos mais marcantes da minha vida", suspirou.
"Também eliminamos o Porto na fase de grupos da Champions e classificamos junto com o Chelsea. Na primeira fase inteira, só perdemos uma partida, que foi justamente para o Chelsea, na Inglaterra, com um gol de falta do Willian, mas eu não joguei nesse dia", recordou.
"Ainda eliminamos o Manchester City nas oitavas da Liga Europa, sendo que eles tinham Balotelli, Agüero e Tevez no ataque. Um tempo depois, a gente reencontrou o City nas oitavas da Champions, mas a gente estava sem ritmo de jogo por causa da pausa de inverno na Ucrânia. Acabamos perdendo, porque não aguentamos a força deles", lamentou.
Pós-carreira
Após deixar o Dynamo, em 2017, Danilo Silva teve mais uma passagem pelo Internacional, desta vez sem títulos.
No ano seguinte, ele acertou a ida para o Los Angeles FC, vivendo mais uma experiência no futebol dos Estados Unidos.
"Joguei com vários caras bons, como o Carlos Vela, da seleção mexicana, e Brian Rodríguez, do Uruguai. Foi uma liga que mudou muito de perfil entre as duas passagens que tive lá. Eles avançaram muito em relação à minha experiência na MLS, em 2005. Hoje, o futebol é um dos esportes mais populares lá", ressaltou.
Mesmo ainda tendo lenha para queimar, Danilo decidiu pendurar as chuteiras em 2020 após receber uma proposta irrecusável do Dynamo, time do qual é ídolo.
"Eu parei de jogar porque recebi uma proposta para ser o representante do Dynamo de Kiev nas Américas. Eu faço essa ponte dos jogadores junto ao presidente e ao técnico, que é o Mircea Lucescu. Foi assim no caso do Vitinho, do Athletico-PR, por exemplo", contou.
"Tenho bastante trabalho com isso. Abri uma empresa de representação de atletas na MLS e na Ásia. Além disso, vou lançar em 2002 um projeto de centro de formação para dar oportunidades aos meninos da região chegarem aos clubes", finalizou.
Rejeitado, testes, aprovado, técnico, tornou, campeão, brasileiro, Libertadores
aqueles jogadores que ninguém lembra
Que perca de tempo vai cagar
Grande Danilo, jogou muito no sp e contra o sp tbm, tem meu respeito
Seria uma boa escolha para Pablo e V.Bueno e similares se escolhessem o caminho do diploma
Parabéns Danilo! O que importa na vida é humildade, honestidade, dedicação e competência. Nada de fama e badalação.. o cara tem mais títulos que muitos jogadores renomados por aí. É um batalhador e vencedor. Esse que deveria ser exemplo