Painel tático: Gabriel Sara alia técnica e interpretação de espaço com Rogério Ceni

Com atuação de destaque na vitória sobre o Palmeiras, meia se tornou fundamental com Rogério Ceni e arranca elogios: "vai jogar na Europa"

Fonte Globoesporte.com
Destaque na vitória do São Paulo sobre o Palmeiras com o gol que abriu o placar, Gabriel Sara ganhou vários elogios de companheiros e especialmente do técnico Rogério Ceni, que na coletiva, apostou numa carreira em nível internacional para o jogador revelado nas categorias de base do clube.

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"O Sara vai jogar na Europa, eu garanto para você. Pelo biotipo, força física, jogador qualificado para jogar em uma grande liga europeia. Não em time pequeno, em uma grande liga", declarou.
Não é de hoje que o meia faz bons jogos. Mesmo inconstante, como se espera de todo jogador jovem, ele alia visão de espaço, técnica, força física, cumprimento do modelo do jogo e finalização, como o golaço que abriu o placar mostrou. Os bons momentos do São Paulo com Diniz e agora com Ceni passam muito pela sequência de Sara no time.
Mas o reconhecimento nem sempre é visto entre torcedores do São Paulo, ou quem torce para outro time e assiste o jogo. Isso se dá por uma questão de interpretação de jogo. Você já percebeu que o jogo, aquilo que acontece nos 90 minutos, não muda? É sempre o mesmo para todo mundo. As opiniões divergentes decorrem da interpretação que cada um dá.
O brasileiro, por história e construção cultural, olha para o campo e busca protagonismo. Presta atenção no lance do gol, naquela defesa de tirar o fôlego, no drible. Sara nem sempre atende essa expectativa. Mas se ampliarmos o olhar, veremos alguém que alia algumas das qualidades mais valorizadas no futebol: entendimento de espaço, força física, técnica e rapidez.
Um exemplo
No lance abaixo, o São Paulo ataca pelo lado e atrai a marcação do lateral do Palmeiras, que se distancia do zagueiro. Um espaço é criado, o circulado em vermelho. Veja que o time tem profundidade com Rigoni e Luciano, que estão perto da área. O único que identifica, se desloca e vai preencher aquele espaço que se criou é Sara.

Logo após, ele vê que a jogada mudou de direção e altera seu posicionamento corporal, ficando de costas para o gol. Ele faz isso para quebrar a defesa do Palmeiras: o zagueiro ainda está longe, e Patrick de Paula está indo marcar Nestor, que está com a bola. Ficando de costas, Sara dá uma opção de passe ao companheiro e cria um outro espaço no jogo, novamente circulado em vermelho.

Esse espaço é ocupado por Rigoni, que recebe o passe de Sara e fuzila para o gol. Foi a principal chance de muitas do São Paulo no primeiro tempo. Foi também o chute dado antes do gol marcado justamente por Gabriel Sara.
Na nossa visão do jogo, criada de forma inconsciente quando a paixão pelo futebol desperta, o olho aqui estaria em Vitor Bueno, que chuta para o gol. Se esse lance fosse gol, falaríamos do chute, da força. O torcedor já o pediria no time principal. Mas o futebol é o esporte do contexto. Esse chute jamais sairia sem segundos de trabalho incansável de Gabriel Sara. Sua movimentação criou o chute que gerou o contexto da jogada.
Uma reflexão
Pense em quantos jogos ele e tantos outros jogadores que não têm o devido valor por não serem protagonistas fazem a mesma coisa? Um dos motivos de estarmos prestando atenção nele é justamente o gol que ele fez. Natural, gol decide jogo, e a visão de protagonismo do brasileiro foi criada a partir dela.
O problema começa quando o que Sara faz não se traduz em gol (seja lá o motivo). Começa aí a distância entre a visão do torcedor e a visão do treinador, uma tensão que muito se teima em ter, que é até desnecessária, mas provoca também momentos de entretenimento e identificação da qual o esporte não viveria sem.
Um outro exemplo
Pegue nesse lance: o São Paulo se posiciona para atacar de uma forma avançada, cadenciada. O nome dessa fase do jogo é "ataque posicional". Quais ideias Rogério Ceni coloca nessa fase? Ele quer que os dois laterais fiquem abertos para abrir o campo (amplitude). E quer que os atacantes e meias avancem para empurrar a defesa. Sara cumpre o modelo, identifica Arboleda vindo e sai do pelotão de frente para dar apoio - opção de toque.

Sara recebe, protege, gira e perde a bola. O que ele faz logo após perder a bola é novamente cumprir o modelo proposto por Rogério Ceni, de sufocar a marcação. Ele nem retoma a bola, mas tira o tempo para Patrick de Paula pensar e induz a um erro de passe. A bola sai e volta para o São Paulo.
"
Veja bem: esse lance não deu em absolutamente nada. Será apagado da memória (natural com tanto jogo assim, com tanta atenção dividida). Quem lembra é o treinador, que analisa cada uma dessas minúncias e escolhe para o time aquele que dá mais momentos assim. São 90 minutos de jogo. São esses momentos que "não dão em nada" que, se repetidos à exaustão, podem produzir um ou dois gols.

As tensões sobre os pedidos do torcedor e o time que o técnico leva a campo jamais vão deixar de existir. Até certo ponto, elas são saudáveis. Não se espera que o torcedor entenda tanto desses detalhes, assim como se espera que um treinador entenda que há muito mais em jogo para quem vai ao estádio do que propriamente o jogo.
Mas como toda boa tensão, ela pode não arrebentar para um dos lados. Pode até fazer bem.
Gabriel Sara é um exemplo de jogador que, vez ou outra, sofre críticas mesmo quando joga bem. São muitos os exemplos. Durante anos, Willian Arão foi alvo de cobranças inimagináveis da torcida do Flamengo, que não via exatamente o que esse texto explica. Foi quando começou a protagonizar momentos de maior atenção na visão do torcedor, jogando mais recuado, que teve seu devido valor.
Outro que é motivo de discórdia é Fred, titular da Seleção Brasileira. Tal como os citados, ele alia entendimento de espaço, técnica e velocidade. Mas não avança tanto, não arrisca ao gol. Logo, os momentos de acerto e contribuição coletiva não são tão lembrados e fazem a balança pesar de forma injusta na avaliação.
Há exemplos diversos na história do futebol brasileiro. Dunga é um deles. Líder de passes na história das Copas do Mundo, durante muito tempo ele foi taxado de defensivo e brutucu por não entenderem que seu passe contribuía para o time ficar mais com a bola e se defender (afinal, se o outro lado não tem a bola, não tem como atacar). Dirceu, titular em duas Copas, era motivo de críticas exageradas a Telê Santana em 1982 - e provavelmente o time fecharia o lado direito com ele. Kleberson em 2002? E por aí vai.

São tensões que jamais se resolverão. É o entendimento do futebol como um esporte complexo, onde tática, técnica e físico estão interligados e não separados, que aproxima o entendimento dessas decisões. Mas para isso acontecer, seria preciso racionalizar o jogo, algo que quem vai numa arquibancada não está interessado em fazer.
Gabriel Sara tem tudo para ir para a Europa nos próximos anos....ou não. Afinal, o futuro é incerto. Mas seu gol que o tornou personagem do jogo num clássico que pode pesar na luta contra o rebaixamento de um gigante é uma boa oportunidade para olhar o jogo, sem certo ou errado, com outros olhos.
São Paulo, Gabriel Sara, Painel, Ceni, SPFC
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Comentários

weider cheria
4 5
19/11/2021 23:52:09

Só lampejos...só lampejos...

antonio carlos
11 2
19/11/2021 21:54:53

Joga muita bola.Mas vcs ainda nao estao prontos para essa conversa

rubens gonzales
5 17
19/11/2021 20:35:57

Gabriel sara eh uma ***** aproveita esses 2 boons jogos e vende. Esta ha anos no time. ****

sergio gandini
5 18
19/11/2021 19:30:15

Sara não é tudo isto não chuta muito pouco ao gol e dificilmente acerta, muito fraco em assistências para os atacantes. Gostaria e torço para que ele tenha sucesso na carreira mas até o momento o Rogério esta tendo ilusão de ótica..

marcio mastromano
12 1
19/11/2021 19:00:46

Meu cortando as conversas aqui . como pode um filho da mae Fala que o Daniel Alves e maior que o São Paulo é esse comentarista da Gazeta Esportiva desse Prado esse cara é um troxa

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