Vamos esquecer aqui se a MP preenche os requisitos necessários estabelecidos pela Constituição, e também se ela abraça o princípio da impessoalidade, igualmente protegido pela nossa Carta Magna. O cenário é o de que ela irá avançar no Congresso. E muito.
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O esporte terceirizou uma discussão que é dele, entregando decisões fundamentais aos políticos. E eles já demonstraram o interesse que têm pela matéria, se metendo até onde não podem. Um perigo.
NOVENTA E UMA emendas foram apresentadas à MP. Depois de definido o relator, esse analisa as emendas e apresenta o relatório.
Entre as emendas apresentadas, a do Senador Roberto Rocha retira os artigos que permite aos clubes o patrocínio de empresas de comunicação e o que dá ao mandante o direito exclusivo de negociar a transmissão de seus jogos. Ele entende que só a permissão de contrato de trabalho de atleta por um período de um mês justifica a urgência estabelecida pela Constituição Federal para edição de MPs.
Roberto Rocha é um dos congressistas que deve entender da legislação esportiva, uma vez que é o relator do PL 68/17 que está há 3 anos para ser votado no Congresso.
Inclusive o deputado federal Marcelo Ramos (PL/AM) apresentou o texto do PL 68 - elaborado por juristas, depois de um debate com movimento esportivo que durou quase dois anos - como alternativa à MP. O texto, apesar de - opinião minha - precisar tornar mais clara a redação do artigo, também dá ao mandante os direitos exclusivos de transmissão ou cessão de evento esportivo.
Entre as emendas apresentadas, também aparece a do deputado Pedro Paulo (DEM-RJ). Ela cria por Lei a obrigação dos clubes se organizarem em ligas. A meu ver, a nova lei já nasceria inconstitucional.
Ela contraria a Constituição Federal em dois artigos. O art 5º, inciso XVII, que garante liberdade de associação "para fins lícitos"; e também o art 217, que trata da autonomia esportiva quanto à organização e funcionamento.
Como escreveu o advogado e colunista do Lei em Campo Maurício Corrêa da Veiga "foi com a Constituição Federal de 1988 que se reafirmou a autonomia das entidades desportivas, quando restou consagrado este princípio. Desta forma, é dever do Estado o fomento das práticas desportivas, porém deverá ser observada a autonomia das entidades desportivas dirigentes e associações, quanto a sua organização e funcionamento."
Claro que a formação de uma liga, ou de blocos, seria o melhor caminho para o futebol brasileiro. Ela cacifa clubes, equilibra distribuição de dinheiro e mantém o indispensável equilíbrio esportivo.
Mas a discussão tem que ser feita dentro do movimento esportivo, e não terceirizada.
Como se viu, muito será discutido no Congresso.
E essa discussão pode durar menos de 40 dias, em função do rito especial.
Ou seja, podemos ter uma mudança radical no direito e no negócio do esporte em pouco mais de um mês. A MP pode se transformar em uma nova Lei Geral do Esporte, feita de remendos, negociações pontuais (típicas em casos urgentes) e sem o cuidado jurídico necessário.
Esqueça se você é a favor ou contra o clube mandante ter os direitos sobe o jogo. Essa é uma outra discussão. A questão é sobre o procedimento correto, participação coletiva e risco jurídico.
A MP traz riscos jurídicos. E uma grande insegurança jurídica.
Como sempre no Brasil.
Claro que o momento é excepcional, o que exige de todos novos caminhos e soluções. E toda discussão e iniciativa para enfrentar esses dias são importantes.
Mas a crise não pode jamais ser pretexto para alimentar a velha cultura de se legislar às pressas, protegendo interesses individuais e não chamando todas as partes envolvidas para um diálogo necessário. E entendendo todo o ordenamento legislativo da área.
MP sem urgência. Falta de diálogo.
Mas para não dizer que ela só trouxe problemas, é preciso destacar que ela também provocou uma discussão e um interesse nunca antes visto por questões legislativas na área esportiva.
Isso é fundamental.
Mas além de discutir, é preciso participar.
Depois de terceirizar essa discussão, é torcer para que o movimento esportivo (entidades, clubes, atletas, torcedores, árbitros...) seja ouvido pelos nossos congressistas.
Será? Acho que não.
Já escrevi, e vou repetir (com o devido crédito a John Steinbeck): estamos vivendo o inverno de nossa desesperança. E o vírus não é o único culpado.
São Paulo, MP, Direitos, TV, Semana, Decisiva, SPFC
Oxi.... esse texto foi escrito por quem???? Pelo kleber machado ou pelo galvao bueno?????? .... quero futebol na record igual antigamente as 20:30 e nao na globo 22:00
Para dirigentes incompetentes e irresponsáveis, deve causar bastante insegurança!
Para dirigentes incompetentes e irresponsávris,
Pensei que ia ler uma materia abordando o tema, li um ponto de vista.