São Paulo e Corinthians se enfrentam pela quinta vez na temporada. Até agora, o Timão venceu uma vez (no Morumbi, pela semifinal do Campeonato Paulista) e houve três empates (um no torneio da Flórida, outro no Morumbi, pela fase de classificação do Paulista, e o terceiro pela semifinal do estadual, em Itaquera). Neste domingo, o encontro é novamente na arena alvinegra, onde o Tricolor jamais venceu. Fica a pergunta: o que a equipe de Rogério Ceni tem de fazer para quebrar esse jejum?
Além de ajustes táticos, a equipe precisa evoluir tecnicamente e mimizar seus erros - este último detalhe foi apontado por Lucas Pratto, após o triunfo sobre o Vitória, na rodada anterior. Cabeça fria também será fundamental. O GloboEsporte.com, com a ajuda do comentarista Caio Ribeiro, mostra o caminho das pedras para o São Paulo se sair melhor do que nos últimos Majestosos.
Povoar o meio-campo defensivamente
Caio Ribeiro lembra da força do Corinthians e da compactação da equipe em campo. Por isso, o Tricolor precisa estar melhor distribuído. Um exemplo do que não pode acontecer é o segundo gol alvinegro marcado no duelo de ida da semifinal do Campeonato Paulista. Rodriguinho recebe passe no meio, avança sem marcação e chuta no canto direito de Renan Ribeiro. O tento rival deixou o técnico Rogério Ceni transtornado na chegada ao vestiário, no intervalo. Foi quando ele chutou o suporte da prancheta, que acabou acertando o pé do volante Cícero.
Aproximação do meio com o ataque
Nos dois jogos que disputou fora de casa até aqui no Brasileiro, contra Ponte Preta e Cruzeiro, ficou nítido que Lucas Pratto jogou isolado na frente. Contra a Raposa, Cueva teve fraca atuação e não conseguiu municiar o ataque. Diante da Macaca, o peruano não pôde jogar por conta de uma ameaça de doping e Rogério Ceni apostou em Thomaz, que não deu conta do recado. No segundo tempo, o treinador acabou recuando Pratto para a armação e colocou Gilberto no comando do ataque. Também não funcionou.
– O São Paulo tem o Pratto, um dos grandes camisas 9 do Brasileiro e, a cada duas bolas, uma ele coloca para dentro. O desafio do Rogério fora de casa é fazer essa bola chegar mais no Pratto. Contra Cruzeiro e Ponte, foi possível ver o argentino brigando com dois ou três e ninguém encostou. No Morumbi, pela confiança, a bola chega mais na frente – analisa Caio Ribeiro.
Mudança de postura
Isso foi destacado por Rogério Ceni na entrevista coletiva após o triunfo sobre o Vitória. O São Paulo “apaga” durante cinco ou dez minutos depois de marcar o primeiro gol e passa a sofrer pressão desnecessária do adversário. O próprio treinador não conseguiu explicar por que isso ocorreu. Esse tipo de vacilo não pode acontecer dirante do Corinthians, que não costuma perdoar os adversários.
– Até o momento do gol, fizemos uma boa partida, consistente. Após o primeiro, eu não sei a razão, é uma característica do time. Falta calma para ter posse de bola, para chegar à frente. Nesses cinco, dez minutos após o gol, é quando quem marca tem a melhor chance de atacar e nós não estamos sabendo aproveitar isso. E ainda tomamos pressão – afirmou o treinador.
Minimizar erros individuais
Contra o Cruzeiro, o lance capital que decretou a derrota por 1 a 0 aconteceu porque Maicon errou lance na lateral, ficou parado e não percebeu que o rival armou contra-ataque. Diante da Ponte, o gol da Macaca surgiu após Lucão e Marcinho não se entenderem sobre quem deveriam marcar dentro da área e Lucca acabou sozinho. Erros assim não podem acontecer diante do Corinthians. Rogério Ceni acredita que o time está perto de somar pontos como visitante. (Reveja abaixo o gol do Cruzeiro).
– Está faltando um detalhe muito pequeno para somarmos pontos fora de casa. Perdemos dois jogos em lances completamente bobos, de fácil solução. Não estamos encontrando facilidade para vencer em casa, mas estamos vencendo. E, fora de casa, os erros estão atrapalhando. Time que quer chegar no pelotão de frente do Campeonato Brasileiro precisa somar pontos fora – ressaltou o comandante são-paulino.
Ou seja, não há uma grande diferença entre o que o São Paulo faz dentro e fora do Morumbi para conseguir ou não os resultados. Por detalhes, o time não pontuou fora nas derrotas para Cruzeiro e Ponte. Por outro lado, também foi ameaçado de perder pontos em casa nas vitórias sobre Avaí, Palmeiras e Vitória.
Cabeça fria para não entrar em provocações
No primeiro Majestoso da temporada, no torneio da Flórida, Bruno deu um coice em Marquinhos Gabriel. Houve confusão generalizada e Maicon e Kazim acabaram expulsos. Certamente, os ânimos estarão exaltados em Itaquera no fim de semana, até porque, no último jogo, houve toda a polêmica ocasionada pelo gol de Jô. Já é difícil de enfrentar o Corinthians com 11 jogadores. Com um a menos, a tarefa se torna praticamente impossível.
Sair na frente no placar
Enfrentar o organizado Corinthians de Carille é complicado em qualquer circunstância. A tarefa do São Paulo ficará ainda mais difícil se o rival abrir o placar e o Tricolor tiver de correr atrás para tentar uma virada, na avaliação de Caio.
– O mais importante é não perder a organização defensiva, porque o Corinthians é muito organizado e não se abala. Isso ficou claro contra o Vasco: tomou dois gols e manteve a postura. É muito difícil correr atrás do Corinthians saindo atrás do placar, em Itaquera. O contra-ataque é muito perigoso. Uma dificuldade do São Paulo é a bola aérea. Precisa ter uma atenção especial.