Em sua estreia pelo São Paulo, na última quinta-feira, Maicosuel saiu durante o intervalo do jogo contra o Vitória, antes que o time construísse o placar favorável de 2 a 0 no Morumbi. Thomaz, seu substituto, brilhou. Mas o novo reforço tricolor mostrou uma característica interessante para o técnico Rogério Ceni: pode ser a sombra para fazer Cueva voltar ao nível de antes - ou, eventualmente, até mesmo perder lugar entre os titulares.
Claro que traçar esse cenário de troca na equipe é precipitado. Só se viu 45 minutos de "Maico", como a diretoria resolveu chamá-lo, com a camisa são-paulina. Cueva, ausente ontem porque serve a seleção de seu país, vinha mal nas últimas partidas, mas ainda tem bastante crédito. A questão, no entanto, é que Rogério não tinha ninguém no elenco, até então, que pudesse cumprir a mesma função tática quando o gringo deixasse a desejar. Cícero atua mais recuado e não tem a chegada em velocidade à área rival. Shaylon quase não joga. Os demais homens de frente - Wellington Nem, Marcinho e Morato (que está lesionado) - são pontas.
Escalado na ponta esquerda, em uma linha ofensiva com Pratto centralizado e Marcinho aberto no lado oposto, Maicosuel só guardou tal posição quando o São Paulo não estava com o domínio da bola.
O que chamou a atenção, no entanto, foi exatamente a mudança quando o Tricolor recuperava a posse. Até para não embolar a canhota com Junior Tavares, que sobe o tempo todo, Maicosuel automaticamente caía para o meio, sendo opção de passe para o próprio Junior ou para Cícero. Jucilei até jogou mais recuado do que vinha acontecendo, dado o espaço ocupado pela cara nova do time.
O próprio Rogério deixou claro, na entrevista após a partida, que sua ideia é utilizar o camisa 7 mais como meia:
– O Maicosuel já foi jogador mais de lado de campo. É um meia com boa chegada na área. É menos desgastante ele estar mais próximo da área. Ele consegue fazer essa função de falso 10 ou meia-atacante – declarou.
Um detalhe importante: o estreante da noite viveu uma verdadeira maratona antes da partida. Viajou de Belo Horizonte à capital paulista no dia anterior pela manhã, para realizar exames médicos e assinar o contrato. Seu nome saiu no BID (Boletim Informativo Diário) da CBF no início da noite. Em seguida, já estava concentrado com a delegação tricolor. Pouco mais de 24 horas depois, era titular do São Paulo. Ou seja, além do desgaste físico, o ex-jogador do Galo acabou de chegar. Ainda tem muito a evoluir em termos de entrosamento, conhecimento do que o treinador deseja...
Mas isso significa que Cueva e Maicosuel não podem jogar juntos? Não. Mas dificilmente Ceni conseguirá manter o 3-4-3 com a dupla em campo. Talvez, tenha de abrir mão do esquema com três zagueiros e armar o Tricolor no 4-3-3 ou 4-4-2. Se o técnico optar pela primeira alternativa, Maico desempenharia papel semelhante ao da estreia: seria ponta para marcar e recuaria ao meio na hora de armar, ao lado do peruano. Veja abaixo como ficaria essa composição:
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Como ficaria o São Paulo com Cueva e Maicosuel juntos (Foto: Info)