"Levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima".
A letra é consagrada na música popular brasileira e serve de inspiração para Rogério Ceni. Como goleiro do São Paulo, quantas vezes ele não precisou levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima para seguir no caminho da glória? Uma delas, talvez a mais emblemática, se deu contra o Cruzeiro, adversário deste domingo, às 16h, pela estreia no Campeonato Brasileiro no Mineirão.
O São Paulo de Ceni sofreu um duro golpe na última quinta-feira, ao ser eliminado da Copa Sul-Americana para o modesto Defensa y Justicia (ARG) no Morumbi. Foi a terceira queda no ano, em um mês, uma delas para o próprio Cruzeiro. Ceni sabe que precisa de reação rápida e pode voltar ao ano de 2006 para dar sua primeira volta por cima como treinador.
Naquele ano, no dia 16 de agosto o ex-goleiro viveu um dos capítulos mais tristes de sua carreira. No segundo jogo da final da Libertadores, contra o Internacional, falhou feio em um dos gols do empate por 2 a 2, resultado que deu o título aos gaúchos. A reação, no entanto, veio rápida e de maneira histórica. O jogo seguinte, quatro dias depois, foi justamente contra o Cruzeiro, e ficou marcado como o dia em que Ceni se tornou o maior goleiro-artilheiro da história do futebol, recorde mantido até hoje.
No duelo pelo Brasileiro, também no Mineirão, ele fez dois gols e ainda defendeu um pênalti. Mas não foi "simples" assim. As condições tornaram o feito ainda mais emblemático. Isso porque o Cruzeiro chegou a abrir 2 a 0 no primeiro tempo, quando teve a penalidade. Seria 3 a 0 e ponto final. Mas Ceni começou a escrever uma página histórica. Depois da defesa, fez um gol de pênalti e outro de falta. Chegou a 64 gols, superando o paraguaio Chilavert.
Os tempos são outros, hoje Ceni está na beira do gramado comandando o time, mas aquela data especial muito provavelmente estará na preleção do treinador no Mineirão. Afinal, no mesmo palco, contra o mesmo adversário, o ex-goleiro saiu de uma grande dor para iniciar uma nova etapa vitoriosa: o Tricolor acabou arrancando para o tri brasileiro consecutivo entre 2006 e 2008.

A falha na final da Libertadores...
O São Paulo havia perdido o jogo de ida por 2 a 1 no Morumbi. Jogava bem no Beira-Rio, até Jorge Wagner alçar uma bola na área. Caiu facilmente nas mãos de Ceni, mas ele largou. A bola foi parar nos pés de Fernandão, que abriu o placar para o Inter. O Tricolor até reagiu, mas o jogo terminou empatado em 2 a 2, dando o título ao Colorado.
...a redenção contra o Cruzeiro!
Quatro dias depois, pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro, o São Paulo voltou a campo no Mineirão contra o Cruzeiro. A equipe da casa abriu 2 a 0 e teve um pênalti. Foi quando Ceni começou a brilhar. Ele pegou a cobrança de Wagner, hoje no Cruzeiro. Depois, fez de falta com uma bola rolada por Mineiro. E empatou o jogo em pênalti sofrido por Aloisio Chulapa, que também sofrera a falta. Superou Chilavert em uma de suas atuações mais marcantes.
Mas qual São Paulo entrará em campo?

