O dilema do Tricolor na semifinal contra o Corinthians

Rogério Ceni não abre mão de ideia de jogo, mas Tricolor precisa construir mais do que fez contra o Cruzeiro, quando teve 65% de posse, diante da melhor defesa do Paulistão

Fonte Globo Esporte
Rogério Ceni orienta jogadores em treino do São Paulo antes do clássico (Foto: Erico Leonan / site oficial do São Paulo FC)
O São Paulo teve 65% de posse de bola contra o Cruzeiro (segundo o Footstats), mais do que os 64% que havia somado na goleada por 5x0 sobre o Linense, há uma semana. E não adiantou nada. Não venceu, não fez gols, e o que mais incomodou: não criou boas chances para ganhar. Um chute de Luiz Araújo e uma cabeçada de Pratto foram o máximo que a equipe conseguiu em 90 minutos.

Neste domingo, o rival será o Corinthians, que, neste início da temporada, caracterizou-se por ter melhor rendimento justamente quando tem menos posse de bola. É o que se chama de equipe reativa, aquela que baseia sua estratégia nas reações às propostas do adversário.
Isso poderia criar um dilema: o São Paulo continuaria jogando para ter a bola e, dessa forma, poder facilitar a estratégia do Corinthians? Ou abriria mão desse quesito para obrigar o rival a sair da zona de conforto e ganhar um trunfo na semifinal?
Rogério Ceni é irredutível. Já disse que quer a posse de bola e, se possível, no campo do Corinthians, empurrando-o cada vez mais para trás. O dilema, então, passa a ser outro: o que fazer com a bola nos pés para conseguir vencer a melhor defesa do Paulistão?
O Corinthians sofreu nove gols no torneio – mesmo número do Palmeiras –, um deles de Maicon, no Majestoso da fase de classificação. Naquela partida, as duas estratégias ficaram claras. O São Paulo teve 59% da posse de bola, contra 41% do time de Fábio Carille, mas o número de finalizações foi parecido – 11 a 10 para o Tricolor.

Formação do São Paulo na semifinal: com Cueva, posse de bola deve aumentar (Foto: Arte: GloboEsporte.com)
Contra uma defesa bem armada, a equipe de Ceni terá de mostrar evolução em aspectos que não funcionaram na última quinta-feira. Um deles é a velocidade de Luiz Araújo para ajudar a quebrar a marcação. O Cruzeiro conseguiu ter cobertura eficiente nas poucas vezes em que o atacante se livrou do primeiro obstáculo. Caberá muito a ele dificultar o sistema defensivo.
Pelo meio, Thiago Mendes e Cícero terão de se aproximar da área, infiltrar de trás na área do Corinthians, aproveitando os espaços que Pratto costuma abrir inteligentemente. E tudo isso ficará facilitado se Cueva estiver em campo. Relacionado, ele pode ser titular ou entrar durante a semifinal.
Na seleção brasileira, Tite costuma avisar a torcida, antes de alguns jogos, do risco de alguns momentos “chatos”. De bola trocada para trás, recuada até para o goleiro se for preciso, para fazer com que ela rode de um lado para o outro e movimente a defesa adversária.
O São Paulo, possivelmente, terá de apelar a esse recurso. Sem pressa e sem se importar com os ruídos de uma arquibancada que não curte passes para trás, mas curte ganhar. E esse, por vezes, será um caminho melhor do que tentar bater contra um muro alvinegro. Até porque o contra-ataque pode ser fatal.
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