Análise da partida entre São Paulo x Cruzeiro

Tricolor não encontra espaços em estratégia perfeita da Raposa, vê jogadores importantes terem atuações ruins e precisa encontrar soluções para criar mais nos próximos jogos

Fonte Globo Esporte
Cruzeiro marca com 11 em espaço curto, e impede São Paulo de trocar passes no ataque (Foto: Reprodução)
O time perdeu em casa por 2 a 0 no primeiro jogo e tem esperanças quase nulas de reverter o quadro no campo do adversário, semana que vem. É irresistível descer a lenha e procurar motivos para a derrota. Mas é preciso se lembrar de que havia alguém do outro lado...
Então, é preciso dizer que o Cruzeiro foi o responsável pela maior parte do que houve de errado no São Paulo. Foram dois planos de jogo bastante diferentes. O do Cruzeiro, mais reativo e conservador, foi mais bem executado que o do São Paulo, mais dominante.
O time de Mano Menezes, reconhecidamente um construtor de equipes que correm poucos riscos, parecia saber exatamente o que precisava fazer para impedir que os pontos fortes dos donos da casa sobressaíssem no Morumbi.

A equipe de Rogério Ceni se deparou com um rival inteiro no campo de defesa. Retranqueiro? Chame como quiser. A estratégia do Cruzeiro era essa. Cada são-paulino que recebia a bola em situação mais exposta recebia a pressão de um adversário e era obrigado a recuar, tocar de lado.
O meio-campo do Cruzeiro cortou as linhas de passes verticais do Tricolor, que passou a depender da evolução de alguns jogadores com a bola. Jucilei fez isso e encontrou Luiz Araújo, que tomou a decisão errada, praxe, aliás. O atacante deveria ter cruzado para o meio da área, mas, mesmo sem ângulo, tentou finalizar.
Junior Tavares bate lateral, Rodrigo Caio toca de lado, Cícero passa para trás, e o Cruzeiro corta a tentativa de avanço. Repare como as opções de passe para frente estão todas bloqueadas. Na sequência da jogada, a bola gira da esquerda para a direita, sempre recuando por conta do posicionamento adversário, até que Wellington Nem, participativo, se apresenta para receber e é atacado na marcação. O pecado do Cruzeiro foi ser muito inofensivo no contra-ataque.
Araújo foi um daqueles cujo desempenho individual afetou o funcionamento ofensivo da equipe. Se no início do ano ele chamou atenção pelo número de desarmes, agora ele perde bolas a rodo. Cícero, melhor passador do time, errou demais no quesito. Forçado pelo Cruzeiro? Sim, mas sua experiência e qualidade deveriam ter sido suficientes para encontrar espaços.
Wellington Nem também não foi bem, mas se apresentou muito mais do que Luiz Araújo. Consequentemente, participou mais, errou mais, se expôs mais. Tentou, mais uma vez sem sucesso, emular Cueva. Não é a dele, mas um jogador que mesmo nessa situação não se esconde em momento algum merece consideração que a torcida não vem tendo com ele.

Thiago Mendes recebe instruções de Rogério Ceni no Morumbi (Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)
A ausência do peruano foi mais sentida do que nas outras partidas? Lógico. Jamais o São Paulo havia enfrentado um rival tão forte coletivamente. Quais seriam as alternativas ofensivas? As laterais? Buffarini não é bom ofensivamente e Junior Tavares foi mal, assim como Luiz Araújo. Poderia ter sido na marra, mas Lucas Pratto – e não entra nesse pacote a crítica pelo gol contra –, novamente, perdeu chances de girar em direção ao gol. Seu trabalho de pivô é importantíssimo, mas não pode ser um samba de uma nota só.
Em meio à soma da dificuldade imensa para criar (maior mérito do Cruzeiro), de erros individuais e da falta de sorte no gol contra de Pratto, decisivo, é importante destacar a atuação de Maicon, muito melhor do que qualquer outra que ele tenha tido no Paulistão. É disso que o Tricolor precisa: jogadores que sejam melhores contra o Cruzeiro do que contra o Linense.
É possível virar no Mineirão? Óbvio. Provável? Óbvio que não. O Cruzeiro está invicto, bem resolvido e equilibrado. Rogério Ceni escolheu o caminho mais difícil para seu São Paulo, o de construir com a bola nos pés – melhor assim! – , e terá que, ao mesmo tempo, aprender e ensinar seus jogadores. A missão, independentemente de conseguir uma heroica classificação na próxima quarta-feira, é encontrar alternativas para que a equipe crie chances de gol contra rivais encorpados como esse.
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