Ceni faz "laboratório" em estreia e sente falta de trio titular no meio-campo

Técnico observa time no 3-5-2, vê Rodrigo Caio no meio-campo, abre Chavez, adianta lateral, testa Shaylon, mas ausência da alma da equipe compromete maioria das experiências

Fonte Globo Esporte
Rogério Ceni testou diferentes sistemas e posicionamentos de jogadores durante o empate sem gols, em Lanús (Foto: AFP)
Rogério Ceni abriu o leque de experiências. Em 90 minutos contra o Defensa y Justicia, testou sistemas, novos posicionamentos de jogadores, jovens num cenário menos confortável. A estreia do São Paulo na Copa Sul-Americana, empate sem gols que deixa a equipe a uma vitória da classificação no jogo de volta, dia 11 de maio, no Morumbi, serviu mais para mostrar ao técnico em que possíveis variações ele poderá insistir ou quais não valem a pena ser repetidas:
3-5-2: o São Paulo se comportou bem e pouco sofreu com Lucão, Breno e Rodrigo Caio na linha defensiva, mas a observação do sistema – escolhido pelo técnico para espelhar com a formação do rival – poderia ter rendido muito mais se tivesse Thiago Mendes, Cícero e Cueva no meio-campo. Wellington Nem, que rende mais pelos lados, não conseguiu armar a equipe, a exemplo de Jucilei e João Schmidt. Também faltou profundidade, já que os alas eram Araruna e Buffarini, improvisados e sem características de chegarem à linha de fundo. O sistema pode funcionar com jogadores de melhor passe e mais velocidade.

São Paulo teve seus melhores momentos no jogo com três zagueiros. Lucão foi o melhor jogador em campo (Foto: Arte: GloboEsporte.com)
Rodrigo Caio como volante: durou cerca de 16 minutos e foi passado ao time num papel entregue por Rogério Ceni a Lucas Pratto, mas foi suficiente para perceber que o ótimo zagueiro fica desconfortável no meio-campo. Michael Beale, auxiliar inglês, acha que Rodrigo Caio poderia ser o melhor volante do país. Mas ele parece ter se fixado mesmo como zagueiro. No meio, tem dificuldade para encontrar seu espaço na marcação e não conduz a bola verticalmente como poderia fazer. Na zaga, ele faz isso bem mais.

Rogério Ceni desenhou o 4-4-2 num papel, com Rodrigo Caio como volante. Nem como 10 não funcionou (Foto: Arte: GloboEsporte.com)
Chavez aberto pelo lado esquerdo: outra observação que precisava ser feita e deu errado. O argentino não conseguiu segurar a bola e ficou muito distante de Pratto, mas também vale a ressalva: com o meio-campo titular, tende a ser melhor.

Atacante Chavez não ajudou na marcação quando ficou aberto, e Shaylon não conseguiu fazer o jogo fluir no meio (Foto: Arte: GloboEsporte.com)
Junior Tavares mais adiantado: as redes sociais queriam a saída de Buffarini, que, além de suas limitações técnicas, havia levado cartão amarelo no início do primeiro tempo. Mas trocar um lateral por outro não resolveria o problema tático do São Paulo. Rogério Ceni, então, tirou Chavez e apostou que a solução protegeria Buffarini. Como? O atacante argentino não ajudava nada na marcação pelo lado esquerdo, e o Defensa começou a dobrar em cima de Buffa, colocando-o em risco. Junior entrou para que o duelo ficasse 2x2. A ideia tática era clara, mas o lateral foi expulso mesmo assim.

Ceni colocou Junior Tavares para proteger Buffarini das investidas do Defensa, mas lateral argentino foi expulso (Foto: Arte: GloboEsporte.com)
Outra substituição de Rogério Ceni que não surtiu efeito foi a entrada de Shaylon no lugar de Breno, no intervalo. O garoto jogou muito mal, não conseguiu dar sequência a nenhum lance. Tanto que foi para a direita, invertendo o posicionamento com Wellington Nem para tentar dar mais fluência ao meio, e acabou substituído por Wellington quando o São Paulo ficou com 10 jogadores.
O técnico do Tricolor percebeu que não era preciso atuar com três zagueiros e tentou compensar com mais gente no meio-campo. Outra boa ideia mal realizada pela incapacidade de quem esteve em campo. Faltaram Thiago Mendes, Cícero e Cueva. Até mesmo Wesley. Mesmo "desnecessário", o 3-5-2 acabou rendendo ao São Paulo seus melhores momentos numa atuação ruim.
No modo "tentativa-erro", Ceni propõe a quebra de alguns paradigmas que podem lhe render bons frutos no futuro. Por pior que fossem os adversários, e o Defensa y Justicia é bastante limitado, era difícil ver o Tricolor atuar na Argentina, num torneio internacional, cheio de garotos. Nessa estreia, oito atletas revelados pelo clube entraram em campo (cinco como titulares, três entraram).

Num mata-mata, mais uma vez o treinador utilizou muito o elenco. Poderia ter vencido se Wellington Nem, que continua sacrificado numa função de armação que seria de Cueva, tivesse finalizado melhor uma das duas boas chances que teve no primeiro tempo.
Poderia ter perdido? O Defensa não mostrou grande qualidade para isso, mas vale destacar a atuação dos zagueiros, sobretudo Lucão, o melhor em campo.
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