Conheça o CT do rival do Tricolor pela Copa Sul-Americana

Fonte Globo Esporte
Prédio do CT do Defensa y Justicia (Foto: Marcelo Hazan)
A primeira impressão, o São Paulo se verá frente a frente na Copa Sul-Americana com o mais brasileiro dos clubes argentinos: o Defensa y Justicia. A ligação lógica com nosso país se dá pelo verde e amarelo do uniforme. Mas se trata de mera coincidência. A "brasilidade", na verdade, tem razão comercial. A empresa “El Halcon”, parceira do clube no seu início no futebol, em 1978, tinha ônibus com as cores verde e amarelo. Isso motivou a troca do azul e branco pelo canarinho, em 1981.
– As mesmas cores, são parecidas com a dos brasileiros. Cai bem em nós, morenos (risos) – brincou Barboza, zagueiro titular do time.

Essa é uma das peculiaridades do rival do Tricolor desta quarta-feira. O jogo das 19h15 (de Brasília), na Fortaleza do Lanús, marcará a estreia internacional do time argentino. O jogo será realizado lá por conta de uma reforma na arquibancada do Norberto Tito Tomaghello, estádio do Defensa com capacidade para 15 mil pessoas, inferior aos cerca de 43 mil da casa do Lanús.
Na última terça-feira, véspera da partida impactante na história do Defensa, o GloboEsporte.com visitou o centro de treinamento e local de concentração do adversário são-paulino. Passeie pelo CT, por meio do vídeo e de imagens, e conheça mais.
Calmaria e clima familiar
Não se trata do nome mais usual para um clube de futebol. Mas há uma explicação lógica: o Defensa y Justicia iniciou no futebol argentino em 1978, mas foi fundado em 1935 por um grupo de advogados. Daí a ideia de usar palavras com analogia ao trabalho jurídico.
O CT do “Halcon”, apelido dado em referência ao mascote do time, uma ave, fica em Florenço Varela, distrito da grande Buenos Aires. Ele é afastado 20 km, por exemplo, do estádio do Lanús, palco do jogo desta quarta-feira. O "Prédio de Bosques", nome do CT em alusão ao bairro onde está localizado, fica em uma região humilde, no sul de Buenos Aires. Há favelas não muito distantes de onde os jogadores treinam. Os rumores de perigo por andar desacompanhado no lado externo do CT contrastam com a calmaria e o clima familiar no lado de dentro. Logo depois de passar pela porta de entrada, cuja tinta apagada esconde parte do escudo do Defensa y Justicia, se entende o motivo: um bosque com muitas árvores, no qual se ouve majoritariamente o barulho de pássaros
– Conheço as pessoas da portaria, cozinha, que limpa os quartos, roupeiros... é como uma grande família. Você ganha um jogo e lhe felicitam. Você perde e lhe dão uma palavra de alento para o jogo seguinte – disse o goleiro Gabriel Arias, o mais antigo do elenco no clube, desde 2012.
Com três campos de futebol, o "Prédio de Bosques" também tem piscina e um espaço dedicado aos famosos churrascos argentinos, feitos às sextas-feiras. O clima de tranquilidade e a aparência de sítio do CT, típicos de um clube de bairro, quase fazem esquecer a exigência de um time profissional. Mas há regras e elas estão lá.
É proibido, por exemplo, entrar na concentração com outras roupas que não sejam do Defensa y Justicia ou da seleção argentina. Outra, mais peculiar, diz que o responsável por eventualmente quebrar um vidro, próximo a uma mesa de ping-pong, terá de pagar a conta.
Parceiro dos clubes grandes
Boca Juniors (Bouzat, Pochettino e Castellani), River Plate (Kaprof e Barboza), San Lorenzo (Elizari e Cardona) e Racing (Barreiro) são alguns dos clubes que cederam jogadores por empréstimo ao Defensa y Justicia. Essa é uma característica do Halcon: aproveitar os atletas não utilizados em outros times para lhes dar rodagem.
É o caso, por exemplo, de Barboza. Criado na base do River dos 10 aos 20 anos, ele encontrou espaço para jogar com sequência no Defensa y Justicia e vai enfrentar o São Paulo.
– Talvez, a exposição é diferente de uma equipe grande. A pressão também é outra e isso ajuda a amadurecer como jogador. Você consegue experiência. Sempre digo e continuarei dizendo: estarei agradecido ao Defensa pelo espaço que me deu – disse Barboza.
– Há muita diferença entre os clubes. Vim para jogar e estou conseguindo. No Boca não tinha continuidade. Estou tratando de somar minutos. Aqui há um plantel importante e a competição é saudável – afirmou Castellani, emprestado pelo Boca Juniors.
Boa parte dos prováveis titulares contra o São Paulo serão atletas emprestados por outros clubes argentinos. Alguns dos vínculos se encerram em junho.




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