Se você não assistiu à goleada do São Paulo por 4 a 1 sobre o Santo André, no domingo, o lance do segundo gol tricolor é um bom resumo do que foi a maior parte do confronto no estádio do Morumbi. Uma jogada que é expoente do melhor ataque do Campeonato Paulista, com 21 gols marcados em sete rodadas – uma média de três por jogo.
Cícero começa a jogada no campo de defesa, após roubada de bola. Ele toca para Luiz Araújo, que passa de primeira para Junior Tavares. O lateral-esquerdo dispara em velocidade, enquanto o próprio Luiz Araújo, pelo meio, e Cueva, pela direita, cruzam o campo em direção à área. Cruzamento rasteiro do primeiro, gol do segundo. Um contra-ataque perfeito.
O lance citado explica muito do que foi o jogo pela força do São Paulo nas laterais – não só Júnior Tavares foi bem, Buffarini também teve grande partida; pela inteligência de Luiz Araújo, melhor em campo, com duas assistências e um gol; por fim, pela eficiência da equipe tricolor na transição entre defesa e ataque, com Jucilei (pela primeira vez titular) à vontade para se movimentar no esquema 4-1-4-1, que virava 4-3-3 com a posse de bola.
Há que se pontuar: dois dos quatro gols do São Paulo foram marcados de maneira irregular. O primeiro, de Cícero, em um erro do assistente, que não viu impedimento mais do que claro quando o meio-campista abriu o placar. O segundo, no gol de Luiz Araújo, que desviou rebote do goleiro Zé Carlos com o braço direito.
Foram poucos os momentos em que o São Paulo deu espaço para o Santo André jogar. Mais especificamente, o time comandado por Rogério Ceni se atrapalhou quando sofreu o gol, aos 15 minutos do segundo tempo. Entraram Wellington Nem e Thiago Mendes nas vagas de Cueva e Araruna, para renovar o ritmo.
Algumas mudanças foram marcantes no time misto escalado por Rogério Ceni. Jucilei, mais recuado, pouco avançava ao ataque. O time usava e abusava da compactação com os laterais e se segurava atrás, sem correr grandes riscos.
As alterações promovidas pelo técnico, aliás, tiveram efeito imediato. Na jogada do gol de Luiz Araújo, Thiago Mendes lançou para assistência de Wellington Nem – que, aliás, aumentou muito o volume ofensivo do Tricolor.
No último, de Gilberto, Thiago acertou cruzamento preciso na cabeça de Gilberto. O time, que chegou a ficar atrás em finalizações (5 a 2) até o início do segundo tempo, terminou na frente neste aspecto: 12 a 8.
O destaque negativo ficou por conta do goleiro Sidão. Ele errou diversas reposições de bola e falhou feio no gol marcado pelo Santo André. Se continuar vacilando, o atual dono da meta tricolor abrirá espaço para a concorrência de Denis, tão criticado pela torcida em outros tempos.
Na próxima quarta-feira, o São Paulo volta a jogar pela Copa do Brasil, contra o ABC, novamente no Morumbi. Do ataque, sempre sabemos o que esperar. Resta saber se a consistência defensiva será mantida. O jogo deste domingo foi mais um passo da evolução galgada por Ceni.

São Paulo foi bem na movimentação neste domingo