EXCLUSIVO: Luiz Araújo fala da infância pobre, dos tempos de vendedor e dos sonhos

Fonte SPFC.Net
Um dos grandes destaques do São Paulo no início desta temporada, Luiz Araújo vive um momento mágico. Ele virou titular do Tricolor, teve seu nome gritado por 50 mil pessoas no Morumbi, é frequentemente reconhecido pelos torcedores nas ruas... e ainda conseguiu dar uma vida mais confortável a seus pais. Nesta entrevista exclusiva ao SPFC.Net, que faz parte da série de especiais pela comemoração dos dez anos do site, o atacante que já teve oferta de R$ 22 milhões para deixar o São Paulo relembra os tempos difíceis em Taquaritinga. E promete honrar a camisa do Tricolor sempre.
SPFC.Net: Você não conseguiu se fixar como titular em 2016, mas ganhou seu lugar e tem jogado muito neste ano. Como explica essa mudança?
LUIZ ARAÚJO: Foi uma virada sensacional, e só tenho a agradecer a Deus e à minha família, que sempre acreditou e me apoiou. Mas tem também um conjunto de coisas: a confiança que o Rogério Ceni tem em mim, a presença dos meninos da base no elenco profissional, a receptividade dos mais velhos...
Faltou um pouco de confiança para você no ano passado?
Não digo confiança, mas era um ano de adaptação. Afinal, foi minha primeira temporada no time profissional e é diferente. Sem contar as coisas novas que vi, o enorme amadurecimento... Eu joguei o Brasileirão, que é bem mais difícil que o Paulistão, e me sinto mais à vontade agora.
Qual seu objetivo para 2017?
Quero me firmar e evoluir para as coisas melhorarem cada vez mais.
Você sonha em jogar na Europa?
Primeiro, preciso me tornar titular absoluto, depois vou trabalhar para ganhar títulos por esse clube grandioso. Também quero muito jogar e ganhar uma Copa do Mundo pela seleção brasileira. Só aí, bem mais para frente, que eu pensarei em Europa. Por que não jogar em um gigante de lá?

E no lado pessoal: o que você ainda quer conquistar?
Quero fazer meus pais (Edson e Cristina) felizes. Tenho vontade de dar tudo o que eles merecem, até porque, se estou aqui, é porque eles batalharam muito por isso. O próximo objetivo é dar uma casa para a minha mãe. Moramos de aluguel atualmente.
É verdade que você já foi vendedor na infância?
É sim! Tive uma infância bem humilde e a gente lá em casa passava por muitas dificuldades. Para ajudar no sustento da família, eu saía com meu irmão para vender coxinha e sorvete.
Você vendia bem?
Vendia, mas era uma outra realidade. Eu saía vendendo lá perto de casa, na Vila São Sebastião, em Taquaritinga. A coxinha custava R$ 1,50, enquanto o sorvete saía por R$ 0,50.

Só isso? Mas o sorvete era feito por vocês?
Não, eu pegava na padaria por R$ 0,25 e ganhava metade a cada sorvete. Já a coxinha era feita pela minha mãe. Em um dia bom, levava uns R$ 50 para casa. E todo aquele sacrifício me fortaleceu muito.
Quem morava com você?
Meus pais e meus três irmãos. Eu sempre estudei de manhã, mas quando não tinha aula, ficava cuidando dos meus irmãos mais novos. Ou ajudava meus pais no trabalho.
O que eles faziam?
Trabalhavam na roça, colhendo laranja. Doía quando eu via minha mãe doente, com dificuldade para andar, tendo de levantar as 4h da manhã para ir trabalhar. Era uma vida completamente sacrificante para eles. Já consegui tirá-los da roça e eles não precisam trabalhar mais. Agora, quero comprar uma casa para minha mãe, para sairmos do aluguel.
Você imaginava que um dia se tornaria jogador do São Paulo?
Nunca. Eu sempre amei futebol, me destacava entre os meninos, jogava bem... mas não sonhava tão alto assim. Lá o futebol era diferente, sem tanta responsabilidade com esquema tático, marcação. Mas estou realizando meu sonho.
Como nasceu seu amor pelo futebol?
Eu ia quase todo fim de semana ver meu pai nas peladas. Ele jogava muito bem, era atacante dos bons. Foi isso que me incentivou a virar jogador.
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Falando sobre futuro: você teve proposta de R$ 22 milhões do Lille-FRA, em janeiro. Ficou balançado a aceitar?
Não. Quando chegou a oferta, me sentei com o Rogério Ceni e decidimos ficar. Ele me mostrou que eu poderia evoluir fisicamente, taticamente, além de aperfeiçoar muitas coisas. A conversa foi muito boa e acreditei nele. É excelente ter a confiança do seu treinador, ainda mais quando ele é seu ídolo.
Sua parceria com o Pratto funcionou muito bem na terça-feira. Como é jogar ao lado do argentino?
O Pratto é sensacional, um verdadeiro artilheiro. É bom saber que você vai tocar e ele marcará o gol, porque isso ajuda o time e também ajuda a te consagrar. Mas também é ótimo jogar com o Cueva, o Chavez e o time todo. Temos muita qualidade, não à toa o São Paulo tem ganhado com boas apresentações.
Você ficou mais de três anos no CT de Cotia antes de virar profissional. Como tem sido sair na rua e ser reconhecido?
Eu cresci sonhando em ser conhecido, dar autógrafo, tirar foto... então, procuro tratar todo mundo com carinho. Está sendo bem bacana esse contato com as pessoas no shopping, na rua...
E a sensação de ter o nome gritado por 50 mil pessoas no Morumbi lotado?
Foi arrepiante. É até difícil descrever. Só quem está lá dentro para entender o tamanho dessa emoção. Às vezes, fico imaginando como é para meus pais verem o filho assim. Eles vão a todos os jogos. Tempos atrás, estavam na roça, lá no interior, numa vida sofrida.
Em quem você se inspira para jogar?
Nos melhores que existem no mundo: estou sempre assistindo ao Messi, ao Hazard, ao Robben... São jogadores sensacionais em clubes extraordinários. Assisto sempre que posso a todos os jogos do exterior.
Para fechar: o que costuma fazer no tempo livre?
Sou bem caseiro. Nem na internet eu fico muito. Procuro estar o mais perto possível da minha família.
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