"Eu me preocupo com o Neílton no sentido da cobrança que ele vai ter. A torcida do São Paulo vai querer um 2017 bem superior ao que foi feito em 2016. E ele está chegando nesse momento de cobrança extrema. Já vai ter uma grande cobrança no Campeonato Paulista. Vamos ver como ele se porta. Ele tem uma personalidade boa. É um jogador muito habilidoso, se souber aproveitar toda sua habilidade. Às vezes ele não aproveita. Às vezes fica displicente na partida. Se ele for mais efetivo nos jogos, mais regular nas partidas, pode virar um ídolo. Esse ano para ele ou vai ou racha. Ou vira ídolo ou...", disse Alexandre Macia, o Pepinho, bicampeão da Copa São Paulo de futebol júnior como auxiliar (2013) e técnico (2014).
Filho do ex-ponta-esquerda Pepe, ele acompanhou a chegada de Neílton ao sub-20, quando era auxiliar técnico de Claudinei Oliveira, e depois voltou a trabalhar com Neílton no final de 2013 e início de 2014 quando era o treinador da categoria.
"Ele surgiu de forma muito precoce. Apareceu na semifinal da Copa São Paulo de 2013 contra o Palmeiras. Foi um jogo que a gente tinha muitos desfalques e por isso ele jogou. Ele fez os três gols da vitória [por 3 a 2]. Jogou a final [contra o Goiás] e fez gol de novo [na vitória por 3 a 1 contra o Goiás] e subiu de forma precoce para o profissional", disse Pepinho.
Em 2014, ao contrário do ano em que surgiu, a passagem pelo profissional não foi como o esperado. E Neílton não gostou de a diretoria tê-lo feito retornar ao sub-20. Sem render o esperado na base, foi reserva na campanha do bicampeonato da Copa São Paulo.
Para Pepinho, o ideal era que o jogador não tivesse sido promovido em 2013, pois assim ele poderia ter se desenvolvido melhor para o futebol.
"Foi uma coisa meio prematura. Ele podia ter ficado pelo menos mais um ano para depois subir. Além disso, teve uma série de fatores que influenciaram o rendimento dele. No profissional vem empresários que acabam mexendo com a cabeça do menino. É complicado. Atrapalhou um pouco", disse Pepinho.
Neílton deixou o Santos em maio de 2014 com o fim do contrato. O clube santista desejava renovar, mas não houve acordo financeiro. O clube pretendia pagar um salário de R$ 25 mil no primeiro ano; R$ 30 mil, no segundo; R$ 35 mil, no terceiro e R$ 40 mil, no quarto. Prometia bonificação por metas e R$ 100 mil de luvas.
O atacante, que chegou a ser comparado com Neymar quando surgiu, deixou o Santos com 19 jogos e quatro gols. No Cruzeiro jogou menos ainda. Foram nove partidas com um gol. Foi no Botafogo que retomou o bom futebol. Neste ano, fez 54 jogos e 12 gols - no Brasileiro, marcou oito e foi o vice-artilheiro do time.
No São Paulo, chegou com moral com aval do técnico Rogério Ceni e deve ser titular ao lado de Wellington Nem e Chávez.