Histórico: Todos os Goleiros

Formadores de verdadeiras dinastias sob as traves, os goleiros são-paulinos fizeram história

Fonte Site Oficial
Por Arquivo Histórico do São Paulo FC - Um paredão no gol do Tricolor nos anos 30. Pedroza (ao centro), King e Caxambu na sequência
Em toda a história, o São Paulo teve 93 goleiros que pisaram em campo no mínimo uma vez. Na média, pouco mais de um por ano. Deste total, 19 somente e justamente fizeram uma única partida (desconsiderando-os, a média passaria a ser de 0,86 goleiro/ano).
Só 46 goleiros defenderam o Tricolor por no mínimo dez partidas. A média de participação de um arqueiro na meta são-paulina é de 61 jogos (número muito elevado, certamente, pelo desempenho de Rogério Ceni).

Todos esses números mostram que, ao longo dos anos, a pequena área do São Paulo é protegida por verdadeiros soberanos dinásticos, que dominaram o gol por muitos anos, por vezes décadas. Regressivamente, temos:
XIII Dinastia: Rogério Ceni (1997-2015)
XII Dinastia: Zetti (1990-1996)
XI Dinastia: Gilmar (1985-1990)
X Dinastia: Waldir Peres (1973-1984)
IX Dinastia: Sergio Valentim (1970-1973)
VIII Dinastia: Picasso (1967-1969)
VII Dinastia: Suly (1962-1966)
VI Dinastia: Poy (1950-1962)
V Dinastia: Mário (1948-1950)
IV Dinastia: Gijo (1944-1948)
III: Dinastia: King (1940-1944)
II Dinastia: Caxambu (1937-1939)
I Dinastia: King (1936-1937)
Pré-Dinastia: Jurandyr (1934-1935): com a interrupção em 1935, jogou pouco
Pré-Dinastia: Jose Lengyl (1933): o último a dominar em somente um ano
Pré-Dinastia: Moreno (1932),
Pré-Dinastia: Joãozinho (1930-1931)
Pré-Dinastia: Nestor (1930): uma contusão abreviou a carreira dele
Claro, por vezes, esses soberanos abriam espaço para outros que buscavam as mesmas glórias. Mas poucos conseguiram. Denis é um dos que, mesmo sem ter formado "dinastia", já alcança números surpreendentes defendendo o Tricolor. Outro exemplo marcante disso é Toinho, que possui a melhor média de gols sofridos do clube (ver quadros abaixo).
























A RELAÇÃO COMPLETA DE GOLEIROS





Belletti
O outro “arqueiro” improvisado que saiu sem sofrer gol em sua campanha sob às traves foi o lateral-direito Belletti. Contudo, o São Paulo saiu derrotado do jogo em que defendeu o gol, contra o Santos, em 10 de maio de 2000, no Morumbi.
O Tricolor empatava com time praiano por 1 a 1 quando, aos 40 minutos do segundo tempo, o árbitro Paulo César de Oliveira expulsou o volante Axel. Três minutos depois o Santos passou à frente no marcador com um gol polêmico, em que a bola possivelmente não atravessou a linha completamente. Por reclamação, o goleiro Rogério Ceni foi expulso aos 45 minutos. Como o time são-paulino já havia realizado três substituições, coube a Belletti defender a meta. O lateral, contudo, pouco teve a fazer até o fim do jogo.
Maicon
O zagueiro Maicon, ao atuar como goleiro do time são-paulino por quase cinco minutos nos momentos finais da partida contra o The Strongest, em La Paz – em que o Tricolor conquistou classificação para as oitavas de finais da Copa Libertadores 2016 –, se tornou o sexto jogador de linha a jogar também sob as traves da meta, em toda a história do clube.
Com duas intervenções importantes, quando o time boliviano alçou bolas na área no desespero de alcançar alterar o placar, Maicon garantiu o resultado favorável ao São Paulo e se igualou aos outros dois inesperados “goleiros” que defenderam o clube sem serem vazados. Contudo, somente Maicon participou efetivamente de lances decisivos, que salvaram as redes tricolores de serem balançadas.
Em outras três oportunidades um atleta de linha do Tricolor foi jogar como goleiro, porém – ou como infelizmente se espera em situações deste tipo – acabaram sofrendo gol.
Luizinho
No longínquo ano de 1931, quando não eram permitidas substituições em jogos de competição oficial, o São Paulo enfrentou o Palestra Itália, fora de casa, e perdeu por 3 a 2. Nesta partida, ocorrida em 1 de maio, o primeiro goleiro da história do Tricolor teve sua carreira abruptamente encerrada no começo do segundo tempo: Nestor de Almeida se contundiu gravemente no joelho e deixou o gramado... para sempre. No lugar do guardião ficou o ponta-direita Luizinho.
Para piorar, o ponta-esquerda Armadinho também havia se machucado. Com dois atletas a menos, o time são-paulino se postou heroicamente em campo (principalmente os defensores Clodô e Barthô, e Bino, na linha média), não deixando o time mandante chutar uma vez sequer em gol, mesmo de longe, durante quase toda a etapa complementar. Mas aos 42 minutos, o tento injusto de Aldo aconteceu e Luizinho nada pode fazer para impedir a derrota.
Gustavo Nery
O último caso, justamente também a última vez em que esse tipo de fato havia acontecido, antes da partida de quinta-feira passada, se deu em 24 de julho de 2003, no Morumbi, quando o São Paulo enfrentou a Ponte Preta pelo Campeonato Brasileiro. O Tricolor já estava com um jogador a menos dentro das quatro linhas (Júlio Santos fora expulso aos 37 minutos do segundo tempo), quando Rogério Ceni recebeu o cartão vermelho após ser advertido mais uma vez com o amarelo, em falta fora da área.
Novamente com todas as substituições já realizadas, a camisa de goleiro caiu nas mãos do lateral esquerdo Gustavo Nery, que, contudo, não resistiu à bola lançada na área e ao cabeceio de Rafael, que marcou o gol da vitória da Ponte Preta, por 2 a 1, aos 48 minutos da etapa final.
Ruy
Desafortunadamente, Ruy substituiu o goleiro Gijo em um clássico majestoso ocorrido em 16 de abril de 1947, válido pela Taça Cidade de São Paulo. Quando Gijo deixou a partida, machucado, o confronto estava em 1 a 1. Sem substituições permitidas, Ruy foi para a meta e sofreu quatro gols naquela inauspiciosa partida.
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