A situação alegava que a entrada do dinheiro era importante para ajudar a equilibrar as finanças do São Paulo. Mas também foi justamente o motivo do novo desentendimento. Membros da oposição apontavam que a medida poderia ferir as regras do Profut (programa de parcelamento de dívidas dos clubes), o que poderia acarretar em algumas sanções.
Em um primeiro momento, conselheiros questionaram que era preciso um parecer jurídico assegurando que a antecipação de receitas não iria fazer o São Paulo sofrer sanções do Profut. Segundo os membros do Conselho, essas garantias não foram dadas durante a reunião.
Os conselheiros ainda perguntaram a Adilson Alves Martins, diretor financeiro, como o valor antecipado seria utilizado para quitar as dívidas, qual o valor da dívida e quais dívidas seriam priorizadas. De acordo com as pessoas ouvidas pela reportagem, as dúvidas não foram respondidas de forma satisfatória.
Também questionaram a diretoria sobre a falta de pareceres jurídicos e comerciais para sustentar a proposta de antecipar a receita. Além do que, afirmaram que o documento apresentado não era um documento, mas uma proposta e, segundo eles, sem o timbre da Globo.
Adilson revelou aos conselheiros que quem está tocando a negociação com a Globo é Ataíde Gil Guerreiro. Leco não negou, nem comentou, ainda de acordo com os conselheiros ouvidos pelo ESPN.com.br.
Enquanto Adilson se apresentava, membros da oposição acreditam que as pessoas da situação começaram a telefonar para outros conselheiros situacionistas irem à reunião, já que temiam derrota na votação, que posteriormente veio a ocorrer.
O conselheiro Denis foi o que mais questionou a proposta. Ele disse ao presidente que ela não tinha "requisitos intrínsecos", que a questão comercial não estava bem sustentada, que o resultado do São Paulo com a TV fechada, em acordo firmado em fevereiro, não foi tão bom. Ele citou Palmeiras e Grêmio como exemplos de melhores negócios.
A discussão então ganhou uma etapa mais acalorada. Conselheiros apontaram que o Palmeiras anunciou acerto com o Esporte Interativo por R$ 100 milhões, enquanto o Grêmio fechou o mesmo contrato com a TV fechada por R$ 100 milhões. O acordo do São Paulo, por sua vez, havia sido fechado por R$ 60 milhões, com a Globo.
Para os conselheiros, o São Paulo tem muito mais torcida e poder que o Grêmio, e fechar por R$ 40 milhões a menos que o time gaúcho seria um mau negócio à equipe do Morumbi. O acordo do Palmeiras, mesmo que com o Esporte Interativo e não Globo, continuou sendo usado como argumento pela oposição para convencer a rejeição da proposta.
No fim das contas, as argumentações acabaram ajudando a derrubar a proposta na votação.
Já o conselheiro Dedé disse para Leco que não dava para aprovar uma medida para dar dinheiro para uma gestão que o conselho não tem confiança, não vê credibilidade. Segundo membros do conselho que falaram à reportagem, Leco justificou que precisava do dinheiro para pagar o zagueiro Maicon.
"Tentei por duas vezes propor que fosse nomeado uma comissão para avaliar todas as dúvidas e todas as divergências da proposta da diretoria. Não falamos em um prazo, mas falamos em uma ação que pudesse apresentar ao conselho um parecer numa reunião extraordinária para que fosse votado com critérios. Assim evitaria o desgaste", disse o conselheiro Julio Casares.
A reportagem apurou que a diretoria justificava o adiantamento para equilibrar o caixa e pagar dívidas, que alega terem sido bem reduzidas. Para a diretoria, o valor também não desrespeitaria o Profut, pois está dentro do que a lei permite. Assim, o São Paulo não correria risco de qualquer punição. Mesmo assim, não adiantou.