Estrategistas, motivadores, desafeto: no dia da apresentação, veja os técnicos que comandaram Ceni

Fonte ESPN
FOTO: IGOR AMORIM / SAOPAULOFC.NET
Rogério Ceni será apresentado nesta quinta-feira como treinador do São Paulo para guiar o time em 2017. Aos 43 anos, ele terá a primeira experiência no cargo, praticamente um ano após deixar de jogar. Por isso há uma curiosidade natural para saber qual será o estilo adotado por ele fora das quatro linhas.
Em 25 anos no Morumbi, ele foi treinado por 25 técnicos diferentes. Teve estrategistas, motivadores, alguns 'paizões' e até um desafeto. Na seleção, ainda foi treinador por mais dois nomes: Vanderlei Luxemburgo e Luiz Felipe Scolari. Veja a relação abaixo.
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Foto: Gazeta Press
O primeiro técnico de Ceni no time profissional do São Paulo foi Telê Santana. O mineiro já tinha conduzido o time tricolor ao título da Libertadores e do Mundial de 1992 quando o goleiro passou a integrar o elenco. Apesar de rigoroso, o treinador era um amplo conhecedor de futebol e famoso por ser extremamente detalhista em campo.
Ceni estava na reserva na caminhada do bicampeonato da Libertadores e do Mundial de 1993. Zetti era o titular. Mesmo assim o hoje treinador são-paulino foi campeão. No mesmo ano, ainda ganhou a Supercopa da Libertadores e a Recopa Sul-Americana.
Ainda que na época fosse um jovem, que já estava satisfeito por jogar em um grande clube, Ceni sempre elogiou Telê. Foram 28 jogos sob o comando do treinador.
TRABALHO E PAIZÃO
Quando Telê Santana teve de deixar o São Paulo por causa da saúde, em 1996, Muricy Ramalho, ainda novato na profissão, foi quem assumiu o comando do time.
Rogério Ceni já conhecia o treinador e tinha sido campeão da extinta Copa Conmebol, em 1994, sob o comando de Muricy. O treinador herdara de Telê Santana o jeito turrão, o cuidado com o trabalho, mas um lado paizão que poucos conhecem.

Eles conviveram juntos por muiito tempo. Formaram uma amizade e é comum um elogiar o outro. Foi com o ex-treinador que Rogério Ceni ganhou as primeiras oportunidades de cobrar faltas. Foi com ele no banco de reservas também que fez o primeiro gol na carreira.
Ceni sempre disse que Muricy e Paulo Autuori eram os dois maiores com que trabalhou depois de Telê Santana. Talvez dicas dos perfis que pretende seguir. Eles trabalharam juntos em mais três ocasiões: do final de 1996 a 1997, de 2006 a 2009 e de 2013 a 2015.
CRISE E CRÍTICAS
Após a saída de Telê, o São Paulo viveu alguns anos difíceis. As grandes conquistas cessaram. O time viu os rivais Palmeiras e Corinthians ficaram bem fortes. Foram anos de crise, trocas de treinadores e críticas dos torcedores.
O primeiro deles foi Carlos Alberto Parreira, que teve uma passagem curta pelo Morumbi. Muricy voltou, mas não conseguiu contornar a situação. Já com Ceni titular passaram pelo Morumbi: Darío Pereyra, Nelsinho Baptista, Pita, Mário Sérgio e Paulo César Carpegiani.

O único título oficial nesse período foi o Paulista de 1998, sobre o Corinthians de Vanderlei Luxemburgo, com Nelsinho Baptista no comando. No entanto, no mesmo ano, o clube correu risco de cair no Campeonato Brasileiro, em uma temporada bem irregular.
Ainda em 1999 foi dirigido por Milton Cruz pela primeira vez. O coordenador técnico, um dos maiores amigos e motivadores que Ceni já teve, assumiu o comando outras nove vezes, aumentando ainda mais a amizade a confiança entre eles.
A QUASE DESPEDIDA E 'AMARELÃO'
Levir Culpi foi o décimo técnico a comandar Rogério Ceni no time profissional. Foi também o técnico que chegou para acabar com a má fase da equipe. Com ele, o São Paulo foi campeão paulista e o goleiro marcou um gol na final contra o Santos - algo inédito.
O técnico paranaense conseguiu fazer uma boa campanha na Copa João Havelange, levando o time até as oitavas de final, quando caiu para o Palmeiras.
Em 2001, quando era treinado por Oswaldo Alvarez, quase deixou o São Paulo. Foi o caso da proposta do Arsenal, que gerou polêmica com o presidente da época Paulo Amaral.
Depois dele vieram Nelsinho Baptista (de novo), Oswaldo de Oliveira, Roberto Rojas (interino) e Cuca, já em 2004. E foi nesse ano que o goleiro sofreu a maior pressão dos torcedores tricolores, que chegaram a chamar Ceni de amarelão e pipoqueiro.
PROIBIÇÃO E AUGE
Em 2005, teve um início de ano não muito fácil porque o técnico Emerson Leão proibiu o técnico de cobrar faltas, sendo que desde 1997 ele era primeiro batedor. O veto durou até a saída do treinador, que ocorreu ainda no primeiro semestre.

Foi então que chegou Paulo Autuori e Ceni viveu o auge como goleiro. Foi campeão da Libertadores e do Mundial com o treinador. Foi o artilheiro do São Paulo no torneio sul-americano e fez defesas incríveis na final mundial contra o Liverpool. Foi o ano que mais fez gols de faltas (21) apesar do veto do início da temporada.
A VOLTA DO PAIZÃO E A CRISE
Rogério Ceni voltou a trabalhar com Muricy Ramalho em 2006, em uma parceria que rendeu ao São Paulo o tricampeonato do Brasileiro. Foi o reencontro com o treinador que ajudou o goleiro no início da carreira.
Eles trabalharam juntos até 2009, quando o treinador foi demitido após mais uma eliminação na Copa Libertadores. A sequência foi difícil porque o clube passou a mudar muito de técnico, os títulos deixaram de vir e a crise foi total.
Ricardo Gomes, Sergio Baresi, Paulo César Carpegiani (de novo), Adílson Baptista, Emerson Leão (de novo) até chegar Ney Franco.
DESAFETO
De todos os treinadors que já teve, nunca houve um que criticou tanto Rogério Ceni como Ney Franco, em 2013. O treinador não teve uma passagem fácil pelo clube, foi demitido após a Libertadores e houve do goleiro que o legado deixado era "zero".
O princípio dos problemas foi ainda pela Copa Sul-Americana de 2012, torneio vencido pelo time tricolor. Em um jogo contra a LDU de Loja, do Equador, o treinador fez um mudança, que foi reprovada pelo goleiro, que queria que outra substituição tive ocorrido. Ney Franco tratou o caso já na coletiva e criticou o camisa 1 pela atitude.
"Talvez pelo problema que tivemos. Não sei se ele leva isso até hoje. O tempo dirá quem está certo. Fechamos bem o ano [2012], ele na dele, e eu fazendo o meu trabalho com respeito. Só que, a cada turbulência, esse assunto voltava. Não sei se ainda mexia com ele. Em 2013, não tive nele o capitão de que precisava. Havia a preocupação de quebrar marcas individuais. Até em contratações: se chega um nome que é do interesse dele, ele fica na dele; se não é, reclama nos corredores. E isso chega aos contratados, como Ganso, Lúcio. E eu, como técnico, ficava no meio disso. Ganso chegou num ambiente... Percebeu claramente as coisas. Chegou ao ouvido dele. Havia uma fritura por trás e pode atrapalhar. Nos corredores, era o que se escutava, que quando Ganso jogava o time tinha um jogador a menos", disse Ney Franco em entrevista ao jornal "O Globo", em 2013.

"Se está bom para o Rogério, este profissional vai bem. Se não, se chega um profissional que ele não concorda, a tendência é ser minado. E nos dois últimos meses de trabalho eu sabia que havia interesse de parte do grupo na minha saída. Depois, Rogério disse que meu legado no clube foi zero. Antes de trabalhar no São Paulo, vários jogadores da base do clube se valorizaram comigo na seleção. Quando cheguei, Jadson e Osvaldo cresceram. O Lucas teve um boom e foi negociado. E subi jogadores. Além de termos ganho a Copa Sul-Americana no fim de 2012", completou o treinador.
Depois de Ney Franco, o São Paulo tentou Paulo Autuori, que foi demitido em um mês, e Muricy Ramalho para se salvar do risco de rebaixamento. Foi um reencontro que durou até 2015, sendo que o único bom momento foi o vice do Brasileiro de 2014.
A INSPIRAÇÃO

Foi pouco tempo de convivência, ainda assim o colombiano Juan Carlos Osorio foi a fonte de inspiração de Rogério Ceni para ele decidir virar um treinador.
Isso ocorreu não apenas no tempo em que o treinador ficou no Morumbi (basicamente o segundo semestre do ano passado), mas mesmo depois quando se encontraram para jantar ou para Rogério Ceni assistir aos treinos da seleção do México, onde está Osorio.
Osorio gostava de trabalhar os conceitos que aprendeu na Inglaterra, onde estudou para virar treinador. E buscava ser didático com os jogadores. Isso tudo animou Rogério Ceni.
Ele terminou a carreira com Doriva e Milton Cruz como técnicos.
TODOS OS TÉCNICOS DE ROGÉRIO CENI
1990 - 1996: Telê Santana
1996: Muricy Ramalho
1996: Carlos Alberto Parreira
1996 - 1997: Muricy Ramalho
1997 - 1998: Darío Pereyra
1998: Nelsinho Baptista
1998: Pita
1998: Mário Sérgio
1999: Paulo César Carpegiani
1999: Milton Cruz
2000: Levir Culpi
2001: Vadão
2001 - 2002: Nelsinho Baptista
2002 - 2003: Oswaldo de Oliveira
2003: Roberto Rojas
2004: Cuca
2004 - 2005: Emerson Leão
2005: Milton Cruz
2005: Paulo Autuori
2006 - 2009: Muricy Ramalho
2009: Milton Cruz
2009 - 2010: Ricardo Gomes
2010: Milton Cruz
2010: Sérgio Baresi
2010 - 2011: Paulo César Carpegiani
2011: Milton Cruz
2011: Adílson Batista
2011: Milton Cruz
2011 - 2012: Emerson Leão
2012: Milton Cruz
2012 - 2013: Ney Franco
2013: Milton Cruz
2013: Paulo Autuori
2013 - 2015: Muricy Ramalho
2015: Milton Cruz
2015: Juan Carlos Osorio
2015: Doriva
2015: Milton Cruz
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