Calafrios em gigantes

Resultados de fim de semana de novo colocam pressão sobre SP e Cruzeiro. E alarmam Grêmio

Fonte Estadão
Maicon não conseguiu evitar mais uma derrota do São Paulo
Difícil imaginar São Paulo e Cruzeiro fora da elite, assim como o Internacional. Mas o trio de gigantes tem colecionado decepções e flerta com o perigo da humilhação. No entanto, respira porque há muita gente pior. Como em queda livre, agora, aparece o Grêmio. Certo, dos quatro o único que está na zona de rebaixamento é o Colorado, que hoje entra em campo.
O São Paulo reagiu nas últimas rodadas, com vitórias sobre Figueirense e Cruzeiro, mas sofreu de recaída ontem, no 1 a 0 para o Atlético-PR, em Curitiba. A rapaziada de Ricardo Gomes não repetiu bom desempenho, encontrou dificuldade em todos os setores e pouco incomodou Weverton. Já Denis suou camisa e apareceu bem em lances de perigo. Na hora de tirar nota 10, vacilou na jogada que resultou no gol que definiu o placar.
A defesa tricolor perdeu bolas pelo alto, em repetição de erro frequente. No meio, a criação foi mínima – e Wesley, ficou aquém do duelo com o Cruzeiro. Na frente, Chavez foi estrela solitária e esquecida. Com 34 pontos, o São Paulo perambula pelo meio da tabela e o risco, por ora, é pequeno.
A sequência de desafios é dura: visita o Vitória, recebe o Fla, sai para jogar com o Sport, recepciona o Santos. Ou seja, enfrenta ameaçados de descenso e gente que está na corrida do título.
Delicada é a situação do Cruzeiro. Tão logo Mano Menezes chegou, emendou uma série de vitórias, deixou o Z-4, flertou com vida melhor na Série A. Em oito dias, queimou a gordura, com derrotas para Botafogo e São Paulo, mais o empate com o Atlético-MG. Os 30 pontos o deixam em perigo. Ok, como consolo está o fato de atravancar a escalada do rival na busca pela ponta.
O Grêmio tem 37 pontos, não se assusta com o fantasma da Série B, mas ligou o alarma. Pois, ficou sem fôlego, como mostram quatro derrotas e um empate nos últimos cinco jogos. Dispensou Roger Machado e não adiantou: foi débil no 1 a 0 pro Flu em casa.
ANO (QUASE) PERDIDO
O futebol ilude mais do que promessa de candidato em campanha. E torcedor embarca em sonhos mais depressa do que eleitor ávido por melhorias na vida. Não é por acaso que um e outro partem para a ignorância, quando se sentem traídos.
Veja o caso corintiano. O fiel vive um turbilhão de sensações, sem saber que rumo tomar. Um ano atrás, a esta altura do campeonato, esfregava as mãos de alegria, pois a equipe arrancava em busca do sexto título do Brasileiro.
Dito e feito. Sob a batuta de Tite, a festa ocorreu no início de dezembro. A projeção para 2016 apontava para o bi na Libertadores e o tri Mundial, fora conquistas no varejo. Daí, veio janeiro e, com o novo ano, o desmanche. O astral baixou, para logo reerguer-se com resultados animadores, tanto na competição sul-americana como no Paulista. O choque de realidade deu o ar da desgraça com a eliminação dupla.
A gangorra entrou em ação, ainda uma vez, com resultados iniciais dignos na Série A e com Tite a desdobrar-se para remontar o quebra-cabeças. O G-4 à mão e flerte com a liderança. No bem-bom, nova lambada, com a convocação do “professor” para tirar a seleção do buraco.
A cartolagem alvinegra andava mais zonza do que piloto em prova de circuito oval. Com dinheiro curto e urgência para tapar o buraco, apelou para Cristóvão Borges, disponível no mercado, boa praça e não muito dispendioso. Desde a apresentação, saltou à vista que não iria dar liga; ele foi rejeitado.
Para complicar, o desempenho do time oscilou como pesquisas de intenção de votos e desembocou na fúria popular após a derrota para o Palmeiras. A diretoria não teve dúvidas: menos de 48 horas depois de jurar que não mudaria nada, entregou a cabeça de Cristóvão de bandeja.
A temporada está por um fio e ao Corinthians resta a Copa do Brasil como opção para compensar um ano azedo. Como se trata de torneio de tiro curto, depende de apenas de si. Mas terá de superar o astral ruim – e jogar bola. Eis aí a questão...
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