Ex-diretor do São Paulo acusa vice do clube de pedir para organizada o agredir

Fonte Estadão
Vice-presidente de comunicações e marketing, José Francisco Manssur é acusado de mandar organizada agredir ex-vice-presidente social e esportes amadores
O ex-vice-presidente social e esportes amadores do São Paulo, Antonio Donizetti Gonçalves, protocolou na noite de segunda-feira na reunião do Conselho Deliberativo do clube uma acusação contra o atual vice-presidente de comunicações e marketing, José Francisco Manssur. Dedé, como é conhecido, afirma que o dirigente entregou a membros da torcida Independente, a principal organizada do time, dados pessoais para que fosse agredido. Manssur negou ter enviado a mensagem.
"Eu fiquei assustado quando soube. Minha família ficou com medo. Quando passaram meus dados, como o endereço, para a Independente, falaram que eu era santista. Era um pedido para que me batessem", contou. Dedé ocupou cargo na diretoria durante a gestão anterior, de Carlos Miguel Aidar, encerrada em outubro do ano passado, e atribui a desavença a problemas políticos no clube. "Quero levar o caso para a Justiça também", afirmou.
De acordo com Dedé, a mensagem de WhatsApp entregue a um dos integrantes da Independente continha a foto capturada de um livro de acesso restrito no clube, que tem os endereços, dados pessoais e imagens dos conselheiros. A conta do Twitter da torcida organizada chegou a publicar na última quarta-feira uma mensagem em que contou ter recebido de Manssur os dados pessoais de Dedé. O recado foi apagado em seguida.
Segundo o advogado da torcida, José Edgard Galvão Machado, os membros da Independente registraram uma ata notorial da conversa. "A instituição não vai soltar nenhum documento informalmente. Em um momento oportuno, de maneira formal, vai divulgar para estabelecer a verdade", disse.
O advogado afirmou que defende a organizada apenas na área cível e foi diretor jurídico do clube entre 2002 e 2016. Machado contou que foi o responsável por intermediar o contato entre a Independente e Dedé para amenizar a tensão.
A relação de conflito entre o São Paulo e as torcidas organizadas aumentou depois de no fim do último mês alguns membros da Independente invadirem um treino do time. Jogadores como Michel Bastos, Carlinhos e Wesley foram agredidos. No mesmo incidente o clube teve bolas, garrafas de água e camisas de treino roubadas.
O atual vice de comunicações e marketing do São Paulo negou a acusação. "Antes de qualquer coisa, a acusação de que dei o endereço da casa do conselheiro é mentirosa e desde já coloco meu aparelho telefônico à disposição para ser periciado, mas exijo que o aparelho para o qual eu supostamente encaminhei essa mensagem passe pelo mesmo processo", disse Manssur, via assessoria de imprensa do clube.
De acordo com pessoas ligadas ao dirigente, Dedé o ameaçou de agressão em grupos de mensagem de WhatsApp ao pedir que "dessem um corretivo em Manssur" e também durante a reunião no conselho. "Quero crer que o conselheiro Dedé foi influenciado a me acusar, apesar de não ter nenhum fato que corrobore o que ele está dizendo. Caso contrário estaremos diante de mais uma mentira patrocinada pela oposição com o objetivo de ter ganhos políticos, mesmo que isso mais uma vez sacrifique a tranquilidade interna", comentou.
O dirigente explicou que tem sido alvo de ataques da torcida nas redes sociais, ao ter inclusive a foto publicada no Twitter, e afirmou que não seria coerente manter relação de proximidade com uma agremiação que o critica. "Para garantir que esse caso não fique impune, também procurarei a Justiça e juntos vamos descobrir quem são as pessoas que atribuem a mim este tipo de mentira."
ENCERRAMENTO
A Comissão de Ética do clube apresentou na noite de segunda-feira o relatório final da investigação sobre o contrato de comissionamento pela assinatura do vínculo com a fornecedora de material esportivo Under Armour. O assunto gerou polêmica no ano passado pelo acordo prever o pagamento de R$ 18 milhões a Jack Banafsheha, dono da empresa Far East, sediada em Hong Kong, considerado um paraíso fiscal pelos membros da oposição na época. O contrato foi cancelado no ano passado antes do pagamento, mas a investigação interna continuou e concluiu que não houve danos ao clube, além de atestar a existência tanto da empresa, como do respectivo proprietário.
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