O presidente do São Paulo, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, disse para o ESPN.com.br que a diretoria do clube tricolor não tem relação de qualquer tipo com as torcidas organizadas, esclarecendo uma declaração dele reproduzida nesta segunda-feira pelo jornal "O Estado de S.Paulo".
Segundo a publicação, Leco disse que o São Paulo não rompeu a relação com as torcidas organizadas, contrariando um posicionamento dado pelo clube em julho, quando, em nota oficial, a direção afirmou que naquele momento estavam cortadas as relações.
Segundo a assessoria do clube, a frase foi dita no último domingo, na zona mista do Morumbi, no mesmo dia que o São Paulo enfrentou o Coritiba, pelo Brasileiro. Mas, ao perceber que a declaração dada poderia gerar um sentido diferente do real, Leco retornou ao local para explicar aos jornalistas o que quis dizer. Reconheceu que nem todos mais estavam presentes na zona mista, o que gerou o mal entendido.
Veja abaixo a explicação dada pelo dirigente ao ESPN.com.br:
"Para esclarecer uma declaração dada por mim neste domingo, sobre a lamentável invasão praticada por integrantes de torcidas organizadas ao CT da Barra Funda, e que gerou dúvidas de interpretação, quero afirmar novamente que o São Paulo FC não poderia romper uma relação que não existe com as organizadas. Por isso, com o auxílio dos órgãos competentes, pretende a total responsabilização desses grupos pelos crimes cometidos na ocasião.
O São Paulo reitera que não mantém nenhuma relação com as torcidas organizadas do clube desde o dia 6 de julho, após episódio de agressões e furtos cometidos por esses grupos contra torcedores dentro e fora do Morumbi, após jogo da Copa Libertadores.
Desde essa data, o Clube não mantém diálogo ou oferece ingressos, transporte ou qualquer outro tipo de ajuda financeira às organizadas. O posicionamento desta diretoria não mudou em nenhum momento e se manterá".
O ROMPIMENTO
Em janeiro deste ano, em entrevista para "Folha de S.Paulo", Leco havia admitido ajudar as torcidas organizadas com ingressos (1.500 para cada jogo no Morumbi e 500 para partidas fora de casa), além de doar dinheiro para o carnaval. Mas a relação mudou.
O rompimento ocorreu em 8 de julho deste ano, quando alguns torcedores promoveram violento protesto em frente ao estádio Morumbi logo após o São Paulo ser derrotado pelo Atlético Nacional, da Colômbia, por 2 a 1, no primeiro jogo da semifinal da Libertadores.
Na ocasião, um grupo de torcedores começou a atirar pedras, pedaços de madeira, garrafas e outros objetos em direção aos policiais militares, que tentaram dispersar a confusão com bombas de efeito moral. O tumulto gerou 'corre-corre', e quem estava no meio do conflito tentou se esconder até embaixo de carros na rua. Houve relatos de que membros das organizadas passaram a roubar outras pessoas que estavam no estádio.
A repercussão foi negativa e torcedores 'comuns' ameaçaram cancelar o plano de sócio-torcedor caso a diretoria não tomasse uma atitude contra os organizados.
"O São Paulo formaliza que não vai manter mais nenhum tipo de relação com as torcidas organizadas, em qualquer aspecto. Por fim, fará todos os esforços ao seu alcance, junto com as autoridades competentes, para assegurar que cenas lamentáveis como aquelas não se repitam, em respeito à história do Clube e à paixão dos torcedores", anunciou dois dias depois em nota oficial.
"Mesmo sabendo que parte expressiva destes agrupamentos de torcedores é constituída de cidadãos bem intencionados, o São Paulo não compactua, em hipótese alguma, com o comportamento de uma minoria. Nossa intenção é sempre prestigiar o verdadeiro torcedor, apaixonado pelo clube, que merece todo respeito."
"Em nome destes torcedores, o São Paulo formaliza que não vai manter mais nenhum tipo de relação com as torcidas organizadas, em qualquer aspecto. Por fim, fará todos os esforços ao seu alcance, junto com as autoridades competentes, para assegurar que cenas lamentáveis como aquelas não se repitam, em respeito à história do Clube e à paixão dos torcedores."
Leco explica declaração e diz que São Paulo não tem qualquer relação com as organizadas
Fonte ESPN
29 de Agosto de 2016
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