Leco minimiza risco de rebaixamento e diz que São Paulo vive 'bom momento' de gestão.
Um dia após o violento protesto de torcedores no centro de treinamento, o presidente do São Paulo, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, contrariou um posicionamento da própria diretoria e disse que não rompeu a relação com as torcidas organizadas.
A declaração foi dada ao jornal "O Estado de S. Paulo", na edição desta segunda-feira.
"Eu não rompi com as organizadas. Nós modificamos a administração da relação com eles. Nas organizadas, a maioria é feita de bons e grandes são-paulinos, pelos quais temos profundo respeito. Uma ou outra figura, que se deixa influenciar por um comportamento tribal, não representa a maioria", disse o mandatário ao jornal.
A assessoria de comunicação informou ao ESPN.com.br que a frase foi dita na zona mista do Morumbi, no último domingo, quando o time enfrentou o Coritiba pelo Campeonato Brasileiro. Percebendo que a declaração poderia dar a impressão de que o São Paulo ainda fornece ingressos para a torcida uniformizada, o presidente voltou à zona mista e explicou que a prática se mantém interrompida desde os incidentes no jogo contra o Atlético Nacional e que não há nenhuma possibilidade de mudança desse cenário.
Em janeiro, em entrevista para "Folha de S.Paulo", Leco havia admitido ajudar as torcidas organizadas com ingressos (1.500 para cada jogo no Morumbi e 500 para partidas fora de casa), além de dinheiro para o carnaval.
O ROMPIMENTO
O rompimento havia sido informado pelo clube, em 8 de julho deste ano, quando alguns torcedores promoveram violento protesto em frente ao estádio Morumbi logo após o São Paulo ser derrotado pelo Atlético Nacional, da Colômbia, por 2 a 1, no primeiro jogo da semifinal da Copa Libertadores.
Na ocasião, um grupo de torcedores começou a atirar pedras, pedaços de madeira, garrafas e outros objetos em direção aos policiais militares, que tentaram dispersar a confusão com bombas de efeito moral. O tumulto gerou 'corre-corre', e quem estava no meio do conflito tentou se esconder até embaixo de carros no meio da rua. Houve relatos de que os organizados passaram a roubar outras pessoas que estavam no estádio.
A repercussão foi negativa e torcedores 'comuns' ameaçaram cancelar o plano de sócio-torcedor caso a diretoria não tomasse uma atitude contra os organizados.
"O São Paulo formaliza que não vai manter mais nenhum tipo de relação com as torcidas organizadas, em qualquer aspecto. Por fim, fará todos os esforços ao seu alcance, junto com as autoridades competentes, para assegurar que cenas lamentáveis como aquelas não se repitam, em respeito à história do Clube e à paixão dos torcedores", anunciou dois dias depois em nota oficial.
"Mesmo sabendo que parte expressiva destes agrupamentos de torcedores é constituída de cidadãos bem intencionados, o São Paulo não compactua, em hipótese alguma, com o comportamento de uma minoria. Nossa intenção é sempre prestigiar o verdadeiro torcedor, apaixonado pelo clube, que merece todo respeito."
"Em nome destes torcedores, o São Paulo formaliza que não vai manter mais nenhum tipo de relação com as torcidas organizadas, em qualquer aspecto. Por fim, fará todos os esforços ao seu alcance, junto com as autoridades competentes, para assegurar que cenas lamentáveis como aquelas não se repitam, em respeito à história do Clube e à paixão dos torcedores."
O PROTESTO
Mais de uma centena de torcedores do São Paulo invadiu o centro de treinamento da equipe tricolor, na manhã de sábado, durante protesto pela má fase do time, que venceu dois dos últimos dez jogos. Jogadores foram agredidos e objetos furtados.
Os policiais e os seguranças não conseguiram conter os torcedores, que passaram pelos portões do CT e se dirigiram aos campos. Alguns carregavam uma faixa contra o presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, com a mensagem "Fora Leco".
Durante a invasão os jogadores estavam treinando em um dos campos e, por isso, foram surpreendidos pela quantidade de torcedores. O clima ficou bastante tenso.
Com gritos, xingamentos e rojões, os invasores intimidaram os jogadores. Agrediram verbalmente todos, especialmente o trio Michel Bastos, Carlinhos e Wesley - os mais cobrados e criticados pelo grupo. Eles ainda foram agredidos.
Segundo o São Paulo, dez camisas e 14 bolas foram furtadas do CT. A Polícia Militar informou ter detido um torcedor por ter furtado uma bola.
Algumas horas após o protesto, o presidente do São Paulo classificou o protesto como um ato político. Chamou os invasores de criminosos, disse que o clube buscará justiça, mas minimizou a intensidade das agressões a Michel Bastos, Wesley e Carlinhos.
Leco diz para jornal que não rompeu com as organizadas; clube diz que foi mal entendido
Fonte ESPN
29 de Agosto de 2016
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