Áureos tempos que jamais se repetirão!

Os tempos mudaram; a tecnologia e o futebol negócio propostos no início da década de 90 chegaram. O romantismo presente no futebol e mídia esportiva desapareceu pouco a pouco, dando lugar ao interesse das emissoras nesse ou naquele time conforme o tempo e predileção de seus apresentadores, repórteres e diretores.
Em meados da década de 90 as TVs por assinatura começaram a fazer parte da vida dos brasileiros. E, com elas, vieram os canais esportivos. Com o passar do tempo, os canais que dedicam 24 horas da sua grade aos esportes multiplicaram-se, e compõem o time de canais mais lucrativo para as operadoras. Mesmo nos pacotes mais básicos existem pelo menos 03 ou 04 opções disponíveis.

No início dos anos 2000, os portais da internet e a informação em tempo real começaram a fazer parte da vida do torcedor, sempre curioso e ávido em saber as novidades de seu time de coração.
O fenômeno da multiplicação dos veículos esportivos proporcionou o surgimento de vários profissionais que não possuem o ‘pudor’ de deixar transparecer sua preferência por determinada equipe. Nascem; ‘os torcedores da mídia’.

As transmissões imparciais deixam de ser rotina e, tornam-se exceção. As narrações empolgantes e imparciais como do ‘pai da matéria’, Osmar Santos, grande locutor, capaz de narrar com a mesma intensidade e alegria um gol de Neto, Raí ou Edmundo simplesmente desaparecem.
Para os mais velhos relembrar, para os mais novos conhecer o grande ‘pai da matéria’
A tecnologia também trouxe sua parcela de contribuição às mudanças debatidas. Com o advento da internet e, posteriormente, das redes sociais, a troca de informações de maneira rápida, direta e espontânea deixou ainda mais clara à preferência de alguns, sobretudo, de ex atletas, que passaram a incorporar esse meio.

A única coisa que não se alterou em todo esse novo período; o menosprezo destes ‘formadores de opinião’ para com o São Paulo Futebol Clube!
Para eles, se o Tricolor contratar algum jogador de base é aliciamento, para qualquer outro, sobretudo, os conhecidos privilegiados da mídia é mérito dos olheiros da base.
Se um jovem promissor estrangeiro é contratado pelo São Paulo, terá dificuldade na adaptação. Para os outros; a grande contratação da ‘janela’!
O consagrado defensor, multicampeão pelo clube, porém, veterano, é repatriado, chega literalmente nos ‘braços da torcida’; certeza de fracasso. Outro defensor, também veterano, troca um clube por um rival, quase não jogou durante a última temporada, possui várias cirurgias de joelho; grande contratação!

Se na semana passada a declaração do jornalista José Trajano, da ESPN, mostrou um desdém injustificado pelo trabalho do técnico Edgardo Bauza. Neste último domingo durante o Choque-Rei, um comentário baixo e indigno de uma pessoa que se considera um profissional do esporte marcou negativamente a rodada para o Tricolor. Na transmissão da partida pela Rádio Jovem Pan, o veterano repórter e comentarista, Luís Carlos Quartarollo, comentou que o público do Morumbi não foi tão bom porque boa parte da torcida deveria estar no ‘evento’ outro lado da cidade. Numa clara e descarada menção à Parada Gay que ocorria na Avenida Paulista, no mesmo horário da partida.

O comentário gerou repúdio de torcedores e de alguns profissionais da mídia, como o apresentador César Filho, que por meio de sua conta no Twiter mostrou toda sua indignação contra o infeliz profissional.
Destaque-se, que o jogo tinha um outro ‘ingrediente’ que pouco foi comentado durante os dias que antecederam a partida, para não dizer comentado, em momento algum. O tabu de 14 ANOS sem vitórias palestrinas no Sacrossanto Morumbi, passou ‘despercebido’ ou foi desprezado pela mídia em geral? Ah, se fosse o contrário!

Não se sabe o porquê, nem precisamente quando começou. Inveja, ciúme, ou mera perseguição? Não se sabe. Mas, a cada dia que passa, o torcedor são paulino se afasta mais da mídia esportiva comum. Auxilia no crescimento de um novo nicho; a mídia alternativa.
Diante da ausência de um canal que transmita apenas os conteúdos relativos ao clube, num estilo LivePass, como ocorre na NBA, onde o torcedor pode acessar 24 horas, os assuntos de seu interesse, seja na TV, PC, Tablet ou Smarphone. Sites, blogs, programas, web rádios, perfis de redes sociais se tornam cada vez mais fonte de informação confiável para o torcedor são paulino. Administradores, empresários, publicitários, arquitetos, advogados, professores entre outros profissionais se desdobram na dura rotina do dia-a-dia para captar e transmitir informação correta; livre da acidez, da ironia e do desdém contidos nos textos, áudios e vídeos de alguns jornalistas quando tratam das informações do Tricolor do Morumbi.
Aos poucos, as informações e opiniões destes novos profissionais da mídia ganham notoriedade e servem de fundamento para debate entre seus torcedores, inclusive, rebatendo argumentos dos antigos profissionais do meio.
Seja como for, o torcedor do São Paulo está cansado do tratamento dado pela imprensa comum aos fatos relacionados ao clube, nos últimos tempos. O clamor não é por um tratamento especial, marcado por protecionismo. Mas, justo, respeitoso, digno e imparcial.
É o mínimo que se espera.
Retrate-se Quartarollo! Retrate-se Jovem Pan!
Aos demais, mais respeito com o São Paulo Futebol Clube, legítimo tricampeão continental e mundial, além de sua imensa e apaixonada torcida!
Por André Issa