Foi no sufoco, com um roteiro épico e muita emoção, mas o Atlético Nacional conseguiu uma classificação espetacular às semifinais da Copa Libertadores da América na madrugada de quinta para sexta-feira, vencendo o Rosario Central por 3 a 1 com um gol de Berrío, no apagar das luzes, aos 50 minutos do segundo tempo.
O triunfo inesquecível coloca os Verdolagas entre os quatro melhores da América Latina depois de 21 anos de ausência. Agora, o próximo tabu a ser quebrado é o do título: o Nacional não conquista o continente desde 1989. E existem trunfos para acabar com o jejum.

O ótimo time de Reinaldo Rueda, é um dos melhores, senão o melhor da competição. A equipe colombiana é muito talentosa e tem enorme qualidade técnica. Rueda aperfeiçoou o trabalho de Juan Carlos Osorio, tornando o escrete de Medellín mais compacto e consistente na marcação, sem perder a qualidade na posse de bola, troca de passes e sabendo ser vertical. O ímpeto ofensivo e a força no ataque continuam, mas com uma melhora defensiva.
A qualidade coletiva é notável, assim como a individual. Bocanegra é ótimo lateral, Mejía é um excelente volante, Alejandro Guerra e Macnelly Torres são meias de muito talento e ainda existem os atacantes e revelações. O meio-campista Davinson Sánchez, de 19 anos; os avantes Andrés Ibargüen, Ibarbo, Quiñónes, Berrío, Morales e Copete também são talentosos e decisivos. O setor ofensivo do Atlético Nacional é sensacional e cheio de excelentes opções.

O avanço emocionante dos Verdolagas concretizou uma noite sensacional de Libertadores, que começou com a classificação também inesquecível do Boca Juniors, que eliminou o Nacional nos pênaltis, depois do empate por 1 a 1 no tempo normal.
A vaga dos Xeneizes foi conquistada também com um roteiro espetacular. Após sair atrás no marcador, o clube argentino pressionou em busca do empate e conseguiu seu gol aos 28 minutos do segundo tempo, com Pavón, jovem atacante que era o melhor em campo. O garoto, porém, celebrou seu tento tirando a camisa, recebeu o segundo cartão amarelo - o primeiro tinha ocorrido de forma justa, após falta dura - e foi expulso.
Com um a menos, o Boca preferiu não se abrir muito e decidir nos pênaltis, enquanto o Nacional foi perigoso em alguns ataques. Nas penalidades, os Xeneizes perderam duas cobranças seguidas e o avanço uruguaio parecia certo. Apenas parecia. Orión, em noite de herói, defendeu três chutes seguidos dos tricolores e garantiu a classificação do escrete azul y oro às semifinais.

Após um início ruim, como também foi o caso do São Paulo, o Boca Juniors arrancou na Libertadores. O ótimo time, com destaque para o craque Carlitos Tévez, é um dos favoritos na competição e tem mística e camisa pesada. São nada mais nada menos que seis títulos no torneio.
Também de forma emocionante, o São Paulo, na última quarta-feira, eliminou o Atlético-MG em plena Arena Independência. Com isso, temos três classificados às semifinais da Copa Libertadores, restando apenas a definição do confronto entre Independiente del Valle e Pumas. No jogo de ida, os equatorianos venceram em casa, por 2 a 1. O duelo de volta será na próxima terça-feira, no México.
Nas semifinais, que irão ocorrer somente em julho - o que torna uma análise complicada, diante do longo período até as partidas, que pode mudar muita coisa -, o Tricolor vai encarar o Atlético Nacional, em duelo de gigantes e camisas pesadas no continente. Pela melhor campanha na fase de grupos, os Verdolagas decidem em casa.
A equipe de Medellín é ligeiramente superior, avançou de forma épica e tem praticado um futebol mais bonito e vistoso, e também conquistado ótimos resultados, mas o São Paulo superou muitas adversidades, ganhou confiança, força e também tem um time muito bom. Tudo pode acontecer.

Do outro lado da chave, o Boca Juniors, teoricamente, pegará um adversário mais fácil, mas também muito complicado. O Pumas, além da viagem até o México, tem um time interessante, bons jogadores e pode complicar, enquanto o Del Valle é a grande surpresa desta Libertadores. Mesmo com uma equipe mediana, tendo apenas José Angulo e Sornoza como jogadores mais técnicos e de ótimo nível, os equatorianos têm feito boas partidas e já deixaram os tradicionais Guaraní (na 1ª fase), Colo Colo (na fase de grupos) e River Plate (nas oitavas de final) pelo caminho. Os Xeneizes serão favoritos independentemente do adversário, mas terão um rival difícil pela frente, apesar de não encarar um clube tradicional como São Paulo ou Atlético Nacional.