A necessidade de reconstruir um time sólido, confiável e competitivo, com poucos recursos financeiros, eram os desafios da diretoria. E, foi com base nessas prioridades que o técnico argentino, Edgardo Bauza, foi contratado às vésperas das festas de fim de ano.

O comandante tricolor, apesar do curriculum vitorioso na principal competição sul americana, chegou ao Brasil, apontado pelos ‘especialistas’ como apenas mais um ‘gringo retranqueiro’ com prazo de validade. Ledo engano. Ao longo destes quase 5 meses de trabalho, o treinador vem se mostrando um dedicado estudioso do futebol, capacitado e eficiente em montar equipes competitivas, mesmo com elencos reduzidos.
Nossa equipe listou as principais atitudes de Patón, que mudaram o conceito do time na visão do torcedor:
Seriedade, observação e muito trabalho
‘ Acho que já tenho um diagnóstico primário do que a equipe fez no último campeonato. Continuo vendo e ouvindo, e tentando falar com distintas áreas do clube. Falei com o [Juan Carlos] Osorio para tratar de sua opinião a respeito do time, e o que estamos falando com a diretoria é a possibilidade de reforços ’

‘ Não estou vendo só o São Paulo, mas também os rivais. O que fazemos é estar permanentemente mirando os rivais. O São Paulo vai ter todas as ferramentas necessárias para que tente ganhar cada partida. Creio que esse estudo é necessário. Somos 11 contra 11, então precisamos saber quais são as fraquezas de cada rival para desequilibrar isso ’. Essas foram suas primeiras palavras como técnico do Tricolor.

De modo a facilitar o caminho para obter resultados, El Patón se baseou no trabalho realizado pelos rivais do São Paulo. Sem citar nomes, deu indícios de que deve se espelhar em Corinthians, Palmeiras e Santos, todos campeões em 2015, no início de seus trabalhos.
Competência, compreensão e valorização do elenco
Desde sua chegada, Edgardo Bauza, foi informado sobre as dificuldades financeiras que o clube atravessava. Diferente do que ocorreu com o colombiano, Juan Carlos Osorio. Mesmo assim, Patón, tentou fazer seus pedidos que acabaram por não se concretizar, com exceção de um nome.

Diante da impossibilidade de contratar os ‘gringos’ solicitados, o técnico argentino, tratou de arranjar soluções dentro do próprio elenco. A repetição na escalação de alguns atletas que estavam em baixa com a torcida, num início deram ares de mera teimosia. Mas, a longo prazo se mostraram acertadas, como Wesley, contra o The Strongest, em La Paz e Centurión, contra o Toluca, no primeiro jogo das quartas de final. Sem contar a recuperação de atletas como Paulo Henrique Ganso, Michel Bastos e o atual capitão Hudson.

Os jogadores não podem se queixar de Bauza. Pois, todos os jogadores do elenco profissional foram escalados e importantes em algum momento.
’Olho clínico’ para reforços
A única contratação pedida pelo técnico e atendida pela diretoria, foi a do atacante Jonathan Calleri, artilheiro da Copa Libertadores.

O atleta estava praticamente acertado com o Atlético Mineiro, e, após a intervenção de Patón. Tanto jogador, como seu staff, desistiram da negociação com a equipe mineira para acertar com o Tricolor do Morumbi.
Disposição para trabalhar com a base
Um constante discurso de muitos treinadores que passaram pelo São Paulo, nos últimos anos, tratava do aproveitamento de jogadores da base. E poucas foram as demonstrações práticas de que as declarações espelhavam a verdadeira intenção.

Logo no início de seu trabalho, El Patón, demonstrou que contigo a ideia não ficaria apenas no discurso. Além de visitar e se encantar com o CT de Cotia. O treinador vetou a saída do jovem João Schmidt para o Avaí, e logo lhe deu oportunidades, interrompidas por uma lesão. Assim como promove, semanalmente, a integração dos atletas da base nos treinamentos da equipe profissional na Barra Funda, ultimamente, esses garotos são constantemente relacionados para as partidas. Como na primeira partida do Brasileirão, onde dos 20 relacionados, 10 eram garotos de Cotia.
Humildade, simplicidade e divisão de tarefas
Apesar da cara quase sempre carrancuda, Patón, é tido como um ‘boa praça’, bem-humorado e grande churrasqueiro. Tanto que a churrasqueira do CT da Barra Funda, ganhou uma reforma após sua chegada.

O entrosamento com os coordenadores Renê Weber e Pintado são pontos fundamentais da nova filosofia de trabalho no departamento de futebol do São Paulo, e o comandante jamais se impôs a este novo método de trabalho.

Além disso, a insistência em recuperar atletas, os métodos simples e eficientes de trabalho, somados aos resultados obtidos recentemente deram-lhe a tranquilidade necessária para seguir seu trabalho com respaldo da diretoria. E mais, fizeram com que os atletas ‘comprassem’ o seu discurso e passassem a correr pelo treinador. Com esse ‘cenário’, parte da imprensa e torcida vêm, pouco a pouco, lhe dando os merecidos créditos.
Experiência na competição preferida do torcedor
Se não bastassem as duas conquistas na competição preferida dos são paulinos, o técnico, ainda, pode se gabar de estar classificado para sua quarta semifinal por equipes diferentes.

Em 2001, disputou sua primeira decisão, comandando o Rosário Central, equipe que o projetou como jogador e técnico, em 2008, pela LDU, em 2014 pelo San Lorenzo, e agora, em 2016, pelo São Paulo.

Apesar deu um início turbulento, e alguns percalços como a desclassificação no Campeonato Paulista, para a equipe do Audax, sua experiência se comprovou nos desafios de Buenos Aires, La Paz, México e agora Belo Horizonte. Fazendo com que diretoria e torcida sigam acreditando no Tetra!
Equipe SPFC.NET