Primeiramente: Adeus, Aidar! Au revoir! Bye, bye! Agora podemos começar..
Abril de 2014, Carlos Miguel Aidar assume a presidência e encarrega a Vice-Presidência de Futebol para Ataíde Gil Guerreiro, seu principal parceiro durante a trajetória de seu mandato.
Outubro de 2015, Ataíde Gil Guerreiro quase esgana Aidar em reunião no hotel Radisson, após o ex-presidente junto com a namorada insinuarem que o VP de futebol poderia ganhar dinheiro e se envolver em algumas negociações fraudulentas orquestradas pelos dois, no caso, a de Maidana.
Menos de 15 dias depois Aidar renúncia, Leco como presidente do Conselho chama novas eleições e se consagra presidente do São Paulo mantendo Ataíde Gil Guerreiro na vice-presidência de futebol.
Dezembro de 2015, inicia-se o processo de investigação em cima dos casos envolvendo Carlos Miguel Aidar (11 acusações) e da briga entre os 2 Conselheiros (que por estatuto não poderiam ter se agredido). Marcelo Pupo, presidente do Conselho designa como presidente da comissão de ética o conselheiro Ópice Blum e sua equipe Ricardo Haddad, Newton Flávio Bittencourt, ALberto Bulgarib e Renato Albuquerque. (alguns nomes foram trocados no decorrer das investigações mas essa foi a equipe final)
Até aqui tudo o que acontecia nas investigações eram de conhecimento público.
Bastidores políticos até a investigação
A preocupação inicial da maioria do Conselho (independente de lados) era que supostamente um dos membros da comissão de ética aspirava a ideia de candidatar-se à presidência do São Paulo em 2017 e além disso era muito amigo de Aidar e por isso, inicialmente, virou o caso contra Ataíde. Este integrante soltava pelos corredores que Aidar não deveria ter renunciado pois não havia feito nada. O medo maior seria que tudo acabasse em pizza, pois para alcançar tal objetivo, o membro utilizaria das forças restantes dos apoiadores do ex-presidente renunciado e sua trupi ( Dedé, Schwatzmann, Casares, etc).
Até o início deste ano, a investigação ainda rolava com certa desconfiança do Conselho e as contradições logo apareceram. Por exemplo? A fita de gravação feita por Ataíde que continha Aidar falando normalmente sobre pedidos de propina, caso de negociações de jogadores, etc. não foi aceita como prova pelo comitê, porém, apesar de se tratar de uma investigação em uma instituição privada, a gravação foi levada ao Instituto Butantã da Polícia Civil para passar por perícia. Como isso? Sem passar pelo MP?
A fita continha chiados e foi bem tratada antes de ser apresentada. Pelos chiados foi descartada pelo comitê e ignoraram as auto-confissões de Aidar.
O cheiro da pizza estava no ar.
Há cerca de 45 dias o cenário político interno no tricolor começou a criar outra forma. Devo lembrar a todos que enquanto vibramos a trancos e barrancos para nos classificarmos na Libertadores, o SPFC já está em corrida eleitoral de forma interna para 2017.
Enfim, o tal integrante da comissão ganhou aliados, seu grupo cresceu. O ex-vp social de Aidar, Dedé, passou a se aliar com outros nomes (devo deixar que rechaço tal atitude daqueles que lutaram para tirar Dedé e agora utilizam de seu apoio). E para ganhar maioria no Conselho a investigação não poderia acabar em pizza. Naquele dia ficou claro que Carlos Miguel Aidar e Ataíde não sairiam impunes.
Pau que bate em Chico também bate em Francisco
De 11 acusações e muitas provas apresentadas, apenas 2 foram aceitas. A contratação do advogado Carlos Roberto Cortez que envolve honorários(ou comissão?) de R$ 8milhões e a negociação de Rodrigo Caio não concluída na Espanha que envolve Cínira Maturana. Já para Ataíde, a acusação era baseada no estatuto, nenhum conselheiro pode se envolver em briga ou agressão física com outro conselheiro.
Ambos tiveram 15 minutos para sua defesa. Ambos sabiam do cenário político contra eles. Ataíde se alterou em seu discurso e disse que deveria ter batido mais em Aidar. Bum! Carimbou sua expulsão. (não que a gente não concorde, Ataíde, pelo contrário! Seu suposto soco me representou aquele dia! Mas não diga isso na sua defesa!). O comitê exagerou (sim, exagerou e muito) e classificou como tentativa de homicídio a suposta agressão de Ataíde em Aidar. Com Ataíde gritando que queria bater e o comitê afirmando que teria batido, o show estava completo e as votações foram abertas. O final era óbvio.
178 conselheiros presentes, voto secreto, sim ou não para a expulsão de cada um. 120 a favor da expulsão de Ataíde. 142 a favor da expulsão de Aidar.
Você pode odiar Ataíde pela vice-presidência de futebol assim como eu. Pode odiá-lo por sair sorrindo no dia do 6x1 do majestoso. Pode odiá-lo por preferir Lucão à Lugano. Pode odiá-lo por dizer que não encheríamos um estádio com portas abertas mas de forma nenhuma pode comparar o crime dos dois. E você deve lembrar que essa agressão que o expulsou foi a mesma que renunciou Aidar e trouxe à tona as 11 acusações contra ele que envolvem propinas absurdas, comissões milionárias, honorários inexplicáveis e milhões de reais do tricolor. Sem aquele soco, onde estaríamos hoje? Sem dúvidas, a mesma pena não poderia ser exercida para duas situações tão diferentes. Porém, a política esta no ar em corrida eleitoral, estatuto é estatuto e a agressão é prevista para expulsão/suspensão ou advertência.
O comitê não implementou suspensão ou advertência como alternativa. Não haviam meio termos. Ataíde foi expulso e prometeu que pediria demissão do cargo da diretoria institucional do SPFC.
Vitória São Paulina
A noite de ontem é uma vitória para a torcida São Paulina, nos traz a sensação de justiça. Quero deixar meus parabéns por agirem pelo certo e expulsarem do Conselho o pior presidente da história do SPFC e deixarem preparado para que se inicie o processo de expulsão do clube. Sobre Ataíde, cumpriram o estatuto, fizeram valer cada palavra, que permaneça o exemplo.
Porém, aos parabenizados, aos aliados, aos grupinhos: os próximos alvos são todos aqueles que assinaram o contrato da Far East, e quem se aliar com qualquer um deles pensando nas eleições de 2017 terá de se explicar com essa torcida. E a noite de ontem representa o exercício do estatuto de forma plena, não deixaremos que ela represente fortalecimento político para ninguém. Isso é justiça e não corrida eleitoral.
Mal pude dormir ontem, não posso finalizar esse texto sem dizer: Chupa, Aidar! Adeus!
Layla Reis
Os bastidores políticos das expulsões de Ataíde e Aidar - Por Layla Reis
Fonte SPFC.Net
26 de Abril de 2016
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