Após quase três anos na Turquia, Cicinho ficará livre do contrato em três meses
Noitadas, álcool, confusões, futebol fraco… Tudo isso não faz mais parte da vida de Cicinho, de acordo com o próprio lateral-direito, que cumpre os últimos três meses do contrato com o Sivasspor, da Turquia. Decidido a voltar ao Brasil, mais especificamente ao São Paulo, o jogador de 35 anos reconhece que foi oferecido recentemente ao clube do Morumbi, mas acabou vetado pelo argentino Edgardo Bauza.
Nada que o impeça de continuar acreditando no sonho, como ocorreu com Lugano, contratado em janeiro após ser rejeitado durante meses pela diretoria. “Tenho dormido cedo, me cuido e me tornei extremamente profissional”, justifica-se o atleta, eleito o melhor da posição nas duas primeiras das três temporadas na Turquia.
Por telefone, direto de Sivas, Cicinho assegurou que nunca jogará em um rival tricolor e detalhou como deixou para trás sua fase “bad boy”.
BLOG_ Qual o saldo dos três anos pela Turquia?
CICINHO_ Só tenho a agradecer pela oportunidade. Os brasileiros têm uma imagem ruim do futebol turco, mas aqui tudo é extremamente organizado. Os estádios são bem arrumados, há muita segurança… Sem contar que os brasileiros são sempre bem recebidos, então, foi uma adaptação rápida.
Você estava em baixa até fechar com o Sivasspor. Como explica o fato de ter sido eleito o melhor lateral-direito das últimas duas temporadas?
Eu resolvi ser profissional, me empenhar e estou colhendo os frutos. Por exemplo, agora: são 11 da noite e já estou no berço. Vou dormir cedo, me cuido, me alimento bem…
E está se sentindo rápido, apesar dos 35 anos?
Muitos não acreditavam, mas cheguei aos 35 sendo um dos que mais corre no meu time e no campeonato. E isso é estatística, não se trata de achômetro. Meus procedimentos hoje em dia são totalmente diferentes. Já fizemos 25 jogos no campeonato e estive em 24.
Quando vai se aposentar?
Nem sequer penso em parar, porque termino os jogos e me sinto melhor do que os caras mais novos. Não tenho dor no tornozelo, não tenho problema no joelho… Acho que dá para jogar por mais uns três anos.
Seu contrato aí termina em junho. Vai renovar ou cogita voltar ao Brasil?
O meu desejo e o da minha esposa (Marry) é de novos ares. Pode ser no Brasil ou onde Deus nos direcionar. Preciso resolver logo porque minha esposa está com sete meses de gravidez e vai para o Brasil na próxima semana.
Você falou que voltou a ser profissional para justificar a boa fase. Em qual momento passou a ser um mau atleta?
Na primeira passagem pelo São Paulo, no início da carreira, eu morava no CT, treinava direitinho e me cuidava. Aí, depois que fui para o Real Madrid, achei que já tinha conquistado tudo e abandonei. Comecei a beber, ia para a noite, dormia mal… Aí, passei a me machucar mais, não rendia…
O que deixou de conquistar por causa do lado baladeiro?
Eu era considerado o substituto do Cafu. Cheguei com esse rótulo ao São Paulo e consegui substitui-lo. Com o pensamento que tenho hoje, iria lutar com unhas e dentes para ter virado uma unanimidade na seleção brasileira.
A fama subiu à cabeça?
Com certeza. Quando eu fui do Real Madrid para a Roma, tinham seis mil pessoas no aeroporto me esperando. Só o Batistuta havia levado mais gente: 12 mil. Eu tinha o rótulo de galáctico e comecei a acreditar que era mesmo, a ponto de não precisar mais treinar.
E ninguém lhe cobrava profissionalismo?
Um monte de gente, entre eles o Luciano Spalletti, que era o técnico da Roma na época. Ele viu que eu tinha deficiência na marcação e me cobrava nos treinos. Eu perguntei se ele estava louco. Como assim, sou jogador do Real Madrid e ele quer que eu dê carrinho?
Como tudo isso terminou?
Minha cabeça virou e eu me perdi totalmente. Aí, tive uma contusão no joelho e disseram que eu corria o risco de não jogar mais. Fiquei um ano e três meses parado e pensei em abandonar o futebol em 2010.
Teve depressão?
Eu não sabia o que era, mas estava com depressão, sim. Não tinha onde me apegar e só queria saber de beber. Eu não dormia, faltava às sessões de fisioterapia e não queria ser jogador. Estava de saco cheio.
Foi nessa época que você voltou ao São Paulo, não é?
Foi sim. Nem fui tão mal, tanto que deixei o time na semifinal da Libertadores. Na época, o Juvenal queria que eu ficasse, mas o Luis Enrique exigiu minha volta à Roma. Só que me desiludi por não ter rendido tudo o que eu queria no São Paulo e isso me incomodou.
E recuperou o foco como?
Um pouco depois, em 2011, conheci a minha esposa. Ela foi a uma festa e começamos a ficar. Só que eu ainda bebia muito e ela se afastou. Vi que estava perdendo uma pessoa importante e resolvi mudar. Fui na Igreja da Restauração que ela frequentava e senti Deus transformando a minha vida.
Como é esse novo Cicinho?
Deixei o problema com o álcool, sou um cara bem mais humilde do que antes, sei ouvir as críticas… Hoje, com 35 anos, sinto frio na barriga até para jogar um amistoso. Antes, me sentia obrigado a entrar em campo, não me concentrava.
Você já foi galáctico, esteve na Copa de 2006, ganhou o Mundial Interclubes… Do que mais sente falta na carreira?
Sinto saudade mesmo do São Paulo. É um clube pelo qual tenho um carinho fantástico, pelos momentos que passei lá. Foram os dias mais felizes da minha carreira profissional.
Pelas redes sociais, os torcedores do São Paulo têm feito campanha pela sua volta.
Eu vejo e isso me motiva demais. Nunca escondi meu desejo de retornar ao São Paulo e não vou desistir deste sonho.
É verdade que você foi oferecido recentemente e o São Paulo recusou?
O Leco falou que é um admirador do meu trabalho, mas não pode fazer nada, porque quem pede o jogador é o treinador. E o Bauza falou que a prioridade no momento não é a lateral.
E não ficou decepcionado?
Estou tranquilo, até pelo exemplo do Lugano, que estava para voltar há um tempão e acabou retornando só agora. Tenho um desejo enorme de vestir a camisa do São Paulo. Não vou desistir facilmente.
Se o São Paulo insistir em fechar as portas e aparecer oferta de um rival, como reagirá?
Eu não jogo em um rival do São Paulo. Não tenho perfil para jogar no Corinthians, não daria para ir ao Palmeiras após os grandes jogos que fiz pelo São Paulo e o elenco do Santos está praticamente fechado.
O Bruno e o Caramelo são melhores do que você?
Seria antiético dizer isso. São bons laterais, que precisam conviver com pressão, porque é complicado jogar no Tricolor. O time está sendo muito cobrado pelos resultados e não se sabe como será na Libertadores… Pode surgir um novo interesse e estarei de malas prontas.
Por que o São Paulo deveria contratá-lo agora?
Por uma série de motivos. Aprendi a ser mais responsável em campo. Na minha primeira passagem pelo São Paulo, eu era um peladeiro. Só jogava no 3-5-2, porque não precisava guardar posição. Hoje, sou mais obediente, não chego 40 vezes na linha de fundo. Chego dez em condição de dar cinco cruzamentos com assistências. Mas não corro menos do que antes. Minha média é de 11 quilômetros por partida.
Baixaria seu salário?
Salário é o de menos. Quando voltei da Roma, tinha aberto mão de 50% do salário e ainda não contava com a independência financeira atual.
Acompanha o Tricolor?
Todos os jogos. Tenho canais brasileiros aqui. É mais difícil assistir à Libertadores, porque as partidas começam às três da manhã. Mas leio tudo.
E se o São Paulo continuar não lhe querendo?
Aí, não sei, porque não planejei. Existe a possibilidade de renovação, até porque o Sivasspor me oferecerá futuramente um trabalho como diretor de futebol e pediu para que eu estudasse a língua turca.
Você fala algo turco?
Eu entendo mais ou menos. Para falar, é complicado.
Por que nunca saiu do Sivasspor, se a sua fase em campo é tão boa?
Tive propostas do Besiktas nos dois primeiros anos aqui, mas o presidente do meu clube não liberou. E aqui não existe essa de um time roubar um jogador de outro concorrente.
Como é a cidade onde vive?
Sivas é bem tranquila, com 320 mil habitantes. O único problema é que é a cidade mais fria da Turquia. Faz -20 no inverno. Uma vez, quando o Roberto Carlos ainda era o técnico, pedi para sair do jogo no intervalo, porque meu peito estava ardendo. Ele disse que eu só sairia morto (risos). E fiquei.
Quais devem ser os laterais da seleção brasileira hoje?
O Daniel Alves tem que continuar como titular, é excelente, um dos melhores do mundo. Eu também gosto do Rafinha, do Bayern de Munique.
Como vê o Dunga como treinador da seleção?
Como torcedor, gostaria de uma cara nova depois da saída do Felipão. Era preciso alguém com outra mentalidade. Infelizmente, o Brasil não tem jogado um futebol com alegria.
Quem vence a Liga dos Campeões deste ano?
Meu favorito continua sendo o Barcelona. E a final mais justa teria Barcelona e Bayern.
Como vê o Zidane como técnico, seu colega no Real?
Fomos campeões espanhóis juntos. Trata-se de um cara que tem tudo para dar certo, porque entende muito de futebol, tem classe, elegância, peso… Se tivesse de apostar, diria que o Real Madrid será uma ponte para ele dirigir a França.
Ainda tem algum contato com o Real Madrid?
O maior é com o Roberto Carlos, que está trabalhando como diretor. Mas o Real é especial para mim. Quando joguei contra eles pela Roma, fui aplaudido pelo estádio todo.
Qual foi o jogador que mais recebeu assistências suas?
Não sei se foi quem mais recebeu, mas o Ronaldo era muito grato a mim. No Real, ele estava sendo muito cobrado quando dei uma assistência, contra o Zaragoza, e ganhamos o jogo. Depois, pela seleção, dei mais uma contra o Japão. Ele me agradece até hoje.
De quem você não guarda boas lembranças?
Do Claudio Ranieri (hoje técnico do Leicester). Ele não era justo comigo e com outros jogadores na Roma. Por exemplo, levava 21 atletas para o hotel só para me cortar do banco. Ele esperava que eu pedisse minha rescisão, mas resisti até o fim.
Você carrega a fama de gastão. Qual a maior extravagância que já fez?
Sempre gastei muito com roupa. Deveria ter contratado um estilista e economizaria muito. Na época do Real, torrava uns 10 mil euros por semana. Uma vez, gastei 25 mil euros com só três peças, em uma loja indicada pelo Beckham. Pior que só usei uma vez, porque elas eram muito chamativas.
Continua assim?
Não, agora tenho uma mesada. Minha mulher controla o dinheiro. Por sinal, ela não me dá a mesada há três meses.
Investe o dinheiro em quê?
A maior parte está aplicada em cana de açúcar. Fui criado dentro da roça, meu pai trabalhou 37 anos dentro de uma usina. Então, agora, compramos terra e arrendamos para usinas.
Cicinho revela ter sido vetado por Bauza, mas reitera sonho de voltar ao São Paulo e garante que fase baladeira ficou para trás
Fonte Blog do Jorge Nicola
3 de Abril de 2016
Avalie esta notícia:
104
9
VEJA TAMBÉM
- VÍDEO: SÃO PAULO NEGOCIA COM 3 JOGADORES E QUER ANUNCIAR 2 DELES ATÉ O FIM DE SEMANA!- REFORÇO? Zagueiro do Sevilla é oferecido ao São Paulo e pode reforçar o setor
- MAIS DOIS REFORÇOS: São Paulo acelera por Newton e zagueiro
- REINVENÇÃO! A ascensão de Arboleda e sua reintegração no São Paulo
- REFORÇO? Zagueiro do Sevilla é oferecido ao São Paulo e pode reforçar o setor
URGENTE! Dorival Júnior é o novo técnico do São Paulo