O São Paulo Futebol Clube passa por uma das maiores, senão, a maior crise de sua história. Em busca de respostas e soluções, a jornalista Layla Reis, entrevistou, com exclusividade, o Doutor Marco Aurélio Cunha, ex Superintendente de Futebol do Tricolor em uma de suas épocas mais vitoriosas. O ex dirigente falou sobre o momento do futebol, político, expectativas de retorno, entre outros assuntos relacionados ao clube.
Layla Reis: O Senhor acredita que seja um momento do elenco que esteja refletindo em campo?
MAC: A escolha das pessoas é fundamental, quando você vai trazer um jogador para o São Paulo, você tem que conhecer os antecedentes. Como ele participou nos últimos dois anos? Quem são as pessoas que influem com ele? Se esta bem de família.
Layla Reis: O momento da vida dele....
MAC: - ‘Ah ninguém sabe o que está passando na minha vida’. Eu respeito. Mas, vamos tentar saber antes, para ver se contrata ou não. Eu acho que é trabalhar de uma maneira maior, não é só; ‘está jogando bem?’ - ‘Se está jogando bem, serve para mim’. Não! E o resto? ‘Você está bem?’ – ‘O resto está andando bem?’.
Layla Reis: Ele se encaixa com os outros 10 que vão entrar em campo?
MAC: Exato, é um pouco isso, nunca fica 100%. Mas deve ficar mais do que 50%.
Layla Reis: Mas, no caso do São Paulo, que já está ‘engatilhado’ (time pronto), tem solução?
MAC:Cutucar a ferida. Ir tirando quem não quer. Tudo bem. Tem contrato? Não pode desvalorizar o patrimônio? Arruma negócio, ‘você não está contente? Vai embora!’ - ‘Você não está?’ Vamos arrumar um negócio. E vai saneando o ambiente. Não está contente, vai embora. Não tem essa história, ‘vou negociar ele em alta, vou perder dinheiro’ vamos resolver o problema. E trazer jogador colaborador, jogador colaborador é aquele que não é craque, não é gênio, mas é colaborador, vai correr, vai estar a fim, não é medíocre. Porque é time cascudo que ganha campeonato.
‘Cutucar a ferida. Ir tirando quem não quer. Tudo bem. Tem contrato? Não pode desvalorizar o patrimônio? Arruma negócio, ‘você não está contente? Vai embora!’ - ‘Você não está?’ Vamos arrumar um negócio. E vai saneando o ambiente. Não está contente? Vai embora!’
Marco Aurélio Cunha
Layla Reis: Qual sua avaliação do trio Gustavo, Ataíde e Moreno? Qual sua avaliação dos critérios de contratação adotados nos últimos anos?
MAC:Lá para trás contratou muito. Mas, agora essa gestão do Ataíde contratou muito pouco, não vi tantas contratações que eu possa criticar. Critico a do Kieza (Negociado com o Vitória). Critico profundamente essa contratação, desnecessária, da forma como foi. Se tivessem analisado um pouco mais, talvez vissem que seria difícil manter um jogador mediano com aspirações a ser titular, em um time como o São Paulo. Faltou interpretação da ambição do jogador, da capacidade de jogador, do tamanho de jogador, veio da China. Uma série de dificuldades. Essa daí, eu não teria feito!.
Mas, o restante, são tentativas, o caixa restrito também é um fator a ser analisado, perdoado inclusive. Eu acredito que o Ataíde é um muito bom gestor na área institucional, a gestão de futebol é uma gestão interpessoal, e, essa coisa de interpessoal vai ficando difícil quando você vai ficando mais velho, não é que ele está velho, eu estou velho. E, os meninos têm 20 anos, 20 e poucos anos. Eu vivo no meio deles e estou habituado. Mas, o distanciamento fica muito grande para ser compreendido, não precisa falar a mesma língua o que importa é ser compreendido. O futebol é muito difícil às mensagens têm que ser subliminares, metafóricas, parceiras. E não é muito o estilo do Ataíde fazer esse tipo de coisa. Tem que ser assim; pago em dia, honrem, estou devendo, me ajudem. Assim, a coisa vai andando. Mas, eu tenho muito respeito por ele.
Layla Reis: E o Gustavo, que tem uma polêmica a respeito do seu salário (R$ 120 mil mais bonificação)?
MAC: Acho o salário abusivo, falei isso para ele! Não tenho aqui nenhum constrangimento em dizer isso, falei isso para o Mansur; ‘Acho muito!’ - Vale? Acho que vale para quem tem muita conquista, para quem tem feito isso há muito tempo, acho muito bom profissionalmente, acho bom na área contratual, bom como consultor jurídico. Não sei, e, seria leviano eu falar, como é a relação interpessoal entre ele e os jogadores, eu nunca convivi com ele, portanto.... Mas, acho um cara sério e honesto e isso é fundamental.
‘Acho o salário abusivo, falei isso para ele! Não tenho aqui nenhum constrangimento em dizer isso, falei isso para o Mansur, acho muito! Vale? Acho que vale para quem tem muita conquista, para quem tem feito isso há muito tempo, acho muito bom profissionalmente, acho bom na área contratual, bom como consultor jurídico’.
Marco Aurélio Cunha
Layla Reis: E para o futebol?
MAC: Não seria correto falar, por não conhecê-lo tanto.
Layla Reis: O terceiro nome é o Moreno (ex Diretor de Futebol), vem desde o Juvenal, passou por Aidar e agora continua com Leco. Qual sua opinião sobre o trabalho dele?
MAC: Primeiro, ele é um cara sério, disso não tenho dúvida. Mas, como é que posso dar uma opinião dele como diretor, sendo que nunca ouvi uma entrevista dele? Nunca ouvi em alguma polêmica aguda, que ele tivesse interferido, defendido ou apaziguado. Então eu não sei como ele funciona no esquema entre Ataíde, Gustavo e Moreno. Não vejo a participação dele. Às vezes, alguém fala algo, e, ele é uma pessoa importante, e, estou julgando mal. Mas, realmente, não percebo aquilo que ele faz.
Layla Reis: Doutor, você acha normal ele (Rubens Moreno) ter passado por três gestões, inclusive, uma que derrubou a outra?
MAC: Não acho isso muito comum, até o Ataíde pelo episódio que aconteceu acho difícil, manter a firmeza, não ser questionado. Quando fui para CBF eu era Vereador. Eu podia ter feito todas aquelas manobras que a gente vê, de pedir licença do cargo, voltar em seguida, ficar um pouco para ter a liturgia do cargo. A primeira coisa que eu fiz foi renunciar, eu vou para a CBF. Não dá para ser vereador em São Paulo e ficar trabalhando em futebol. Por isso, acredito que algumas decisões nós temos que tomar para nos preservar, por ter feito, às vezes algo muito bom, e poder dizer, fiz algo de muito valor até hoje, agora eu prefiro dar um tempo. Acho que era o que teria feito. Mas, não posso decidir por terceiros. Mas, volto a dizer, o Ataíde é um cara correto, confiável, importante para o São Paulo. E, está tentando fazer o melhor. Talvez, o distanciamento, a forma de atuação e a questão interpessoal tragam uma dificuldade. Mas, também, não conheço esse elenco para saber o quanto eles ajudam ou deixam de ajudar.
Esta foi à primeira parte da entrevista exclusiva do Doutor Marco Aurélio Cunha para a jornalista Layla Reis. Aguarde a segunda parte.
[SPFC.Net] Entrevista com o ex Superintendente de Futebol Marco Aurélio Cunha Parte 1
Fonte SPFC.Net
21 de Março de 2016
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