Foto: Juan Mabromata - 10.mar.2016/AFP
Dudu e Robinho, esse com um golaço no ângulo, ampliaram neste domingo (13) o tabu do Palmeiras contra o São Paulo no Paulista, com vitória por 2 a 0, no Pacaembu.
A última vez que o time tricolor ganhou do rival no Estadual foi há mais de sete anos, em março de 2009, em um 1 a 0, no Morumbi.
Esse, porém, está longe de ser o único problema para Edgardo Bauza. Desde que chegou, no final de dezembro de 2015, o treinador argentino de 58 anos ainda não conseguiu levar o seu time a derrubar equipes grandes.
Sob seu comando, o São Paulo perdeu também para o Corinthians e a Ponte Preta, ambos no Paulista. Dos quatro duelos que teve na Libertadores, só venceu um (contra o frágil César Vallejo), o que lhe deu a classificação para a fase de grupos.
Na última semana, o São Paulo empatou com o River Plate, na Argentina, o que foi tido como um bom resultado diante do cenário adverso.
A dificuldade do São Paulo de ganhar clássicos não é uma fragilidade apenas da gestão do atual treinador. No ano passado, o clube ganhou só duas vezes em situações desse tipo.
São apenas dois meses e meio de trabalho, vale lembrar, mas a pressão para que o retrospecto, enfim, melhore é cada vez maior.
Se ele impressionou a diretoria do tricolor com bons trabalhos com elencos modestos, a fama ainda não se comprovou no São Paulo.
Para Bauza, o calendário corrido é o principal empecilho para que o elenco engrene de uma vez.
"Precisamos de tempo para trabalhar e não temos. Tentaremos aumentar a efetividade com conversas e apresentação de vídeos. Sabíamos que seria complicado, não temos tempo para trabalhar aqui no Brasil. O calendário é corrido", disse ele, que iniciou o jogo com só três titulares (Denis, Hudson e Maicon) mas ao longo da partida colocou em campo outros três, Ganso, Calleri e Centurión.
Campeão da Libertadores duas vezes —com a LDU em 2008 e com o San Lorenzo em 2014 —, Bauza enfrenta, de fato, um ritmo maior do que os seus clubes anteriores.
O ano passado mostra o descompasso. O São Paulo entrou em campo 71 vezes, a LDU, 51, e o San Lorenzo, 45.
Com número menor de partidas, nas outras equipes havia mais tempo para corrigir erros entre um e outro jogo.
Sobre a derrota para o Palmeiras, comandado pelo interino Alberto Valentim, Bauza elogiou o primeiro tempo e revelou preocupação com o poder ofensivo.
"O problema maior foi a falta de contundência. Tivemos domínio, faltou converter. Houve uma atitude boa do ponto de vista defensivo. É preciso melhorar na frente", avaliou o técnico, perguntado por que não consegue ganhar dos grandes.
Na saída do Pacaembu, o vice-presidente de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, foi enfático: ninguém sairá, referindo-se a jogadores e comissão técnica.
Na avaliação de dois dos grandes ídolos do passado, porém, não há razão para otimismo. Para o ex-atacante Careca, é improvável que Bauza tenha vida longa.
"A grande dificuldade dos treinadores estrangeiros é conhecer melhor o futebol brasileiro, as estruturas, os dirigentes. Pelos resultados, já vejo uma saída do Bauza", afirma Careca. "Mas a culpa não é dele, que chegou e encontrou a diretoria e os jogadores em fuso."
Já o ex-zagueiro Dario Pereyra diz que o nó é financeiro. "O São Paulo não tem dinheiro para contratar e o plantel não está bom. Qualquer técnico que chegasse teria esse problema", diz.
Com derrota para o Palmeiras, Bauza segue sem vencer times grandes
Fonte Folha de S. Paulo
14 de Março de 2016
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