Em meio à reclamação do técnico Edgardo Bauza sobre a falta de tempo para preparar o São Paulo, o time embarca nesta segunda-feira rumo a Varela, na Venezuela, palco do jogo contra o Trujillanos, nesta quarta-feira, pela terceira rodada da Copa Libertadores. E a equipe terá de se submeter a uma verdadeira maratona até chegar ao destino, o que prejudicará ainda mais a preparação tricolor para o confronto pelo torneio.
O São Paulo deixará o centro de treinamento da Barra Funda às 10h (de Brasília) e embarcará no aeroporto de Guarulhos por volta das 13h. O destino não será a Venezuela e sim o Panamá, contrariando o plano original e motivo da maratona a ser enfrentada.
Segundo fontes do São Paulo ouvidas pela reportagem, o motivo do voo sair do Brasil e ir para o Panamá é que a Copa Airlines, patrocinadora do clube e responsável pela viagem, não conseguiu fretar um voo para a Venezuela em virtude de uma dívida do governo venezuelano com a companhia panamenha.
De acordo com os dirigentes ouvidos, para aceitar o voo da Copa Airlines, as autoridades venezuelanas propuseram renegociar o valor da dívida, algo que não foi aceito pela companhia, que é a segunda empresa nacional de maior faturamento no Panamá, atrás apenas do Canal do Panamá.
De fato, a dívida mencionada pelos são-paulinos existe e não é somente com a Copa Airlines. O governo venezuelano acumula dívidas com diversas companheias aéreas nos últimos anos, algumas delas chegaram a suspender seus voos para o país.
Mas a informação de que isso teria alterado o voo do São Paulo para a Venezuela foi desmentida por Emerson Sanglard, gerente regional da Copa Airlines.
"Não procede. Os assuntos não tem qualquer relação. Em nenhum momento isso foi citado ou solicitado", respondeu Sanglard para a reportagem.
Ainda segundo ele, todos os voos da Copa Airlines passam pela Cidade do Panamá.
PROGRAMAÇÃO APERTADA
A programação original do São Paulo previa um voo na terça-feira com destino direto a Maracaibo e depois a equipe seria dividida em duas, em aviões de menor porte, para chegar até a cidade de Varela, palco do jogo. A programação, no entanto, caiu.
Agora, a delegação chegará a Cidade do Panamá já no final da tarde desta segunda - são cerca de 6h30 de viagem e o país caribenho tem duas horas a menos do que Brasília. Os jogadores vão jantar no país. Somente a noite é que vão embarcar para a Venezuela.
Então, a equipe deixará a Cidade do Panamá com destino a Maracaibo - a viagem dura poucas horas, mas é provável que o time chegue a Venezuela já durante a madrugada. Na manhã de terça, a delegação tricolor será dividida em dois voos e seguirá para Varela - o aeroporto da cidade é pequeno e não comporta aeronaves de grande porte.
Somente no final da terça-feira é que Bauza terá os jogadores a disposição para treinar. A preparação será no estádio José Alberto Pérez, local da partida na quarta-feira.
O Trujillanos perdeu os dois jogos que vez na Libertadores. Em casa, foi goleada pelo River Plate, da Argentina, por 4 a 0, na estreia do torneio sul-americano. Por isso o São Paulo vê como decisivo os pontos que disputará em solo venezuelano.

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PROBLEMAS NA VOLTA
Não é só a ida para a Venezuela que tem dado dores de cabeça ao São Paulo. Apesar de oficialmente o clube não ter divulgada a programação, a reportagem apurou com pessoas do departamento de futebol que haverá nova maratona na volta ao Brasil.
A diretoria tricolor teve dificuldade para conseguir voos diretos. Assim, usará voos comerciais (não fretados) e dividirá a delegação em três grupos.
E a escala é parecida com a que será utilizada na ida. ISto é, o São Paulo deixara Varela rumo a Maracaibo. Depois partirá para a Cidade do Panamá, de onde embarcará para o Brasil.
A divisão dos grupos vai priorizar os jogadores de acordo com a escalação no jogo de quarta. Os titulares primeiro, depois os reservas e a comissão técnica e, por fim, o estafe do São Paulo.
A equipe deve retornar ao Brasil somente na noite de quinta-feira, tendo sexta-feira e sábado como dias para treinar visando o confronto com o Ituano, em Itu, no próximo domingo, pela décima rodada do Paulista.
A falta de tempo para realizar mais treinos em campo tem incomodado o técnico Edgardo Bauza, que inclusive reclamou publicamente após o revés para o Palmeiras, no último domingo, no Pacaembu, pelo Campeonato Paulista.
"Estão programadas mais de 70 partidas neste ano. Lamentavelmente não temos tempo para falar. Estamos nos acostumando a falar e mostrar vídeos aos jogadores, ocupar o pouco tempo que temos. Horas em campo, como eu gostaria, não temos. Amanhã, estaremos às 7h30 da manhã no CT. Voltaremos na quinta à meia noite. Na sexta vamos treinar, e no sábado praticar para jogar. Não há tempo", disse Bauza.