Falta quase tudo ao São Paulo de Bauza que só tem o acaso para lhe proteger

Fonte Blog do André Rocha
Edgardo Bauza chegou ao Morumbi com dois títulos da Libertadores no currículo e a solução óbvia para os problemas da equipe: fazer o sistema defensivo funcionar para equilibrar os números com um ataque que mostrara eficiência em 2015.
Porque tinha Alexandre Pato e uma maneira de jogar, especialmente com Juan Carlos Osório, que transformava o volume de jogo em oportunidades. Muita gente na frente, presença física e técnica na área adversária. Os gols saíam naturalmente. Foram 53 no último Brasileiro.
“Patón” ganhou Calleri na frente e Lugano atrás. Com o uruguaio, a liderança e o espírito. O avante argentino daria fulgor e presença na frente. Não funciona até aqui. O início de trabalho é ainda mais complicado para Bauza porque o elenco são-paulino não tem as características desejadas pelo treinador.
Como organizar o time sem a bola se falta cultura defensiva aos jogadores? Os 47 gols sofridos na principal competição nacional do ano passado que impressionaram Bauza não foram acaso. Hiatos de concentração no posicionamento, nas coberturas. Negar espaços aos rivais, precisão nos desarmes. Atenção absoluta nas bolas paradas. Sem citar nomes para não individualizar um problema que é coletivo.
O São Paulo é disperso. A ponto de se desconectar da disputa no Pacaembu e levar uma virada inacreditável do fraquíssimo São Bernardo.
Para piorar, agora precisa finalizar muito até marcar um gol. Quando consegue. Sofrimento contra Cesar Vallejo e Strongest: 41 finalizações nas duas partidas contra os peruanos, 20 na estreia da fase de grupos diante da equipe boliviana. Dois míseros gols. Até conta com um Ganso mais contundente que o habitual – foi às redes três vezes em onze partidas em 2016.
Falta, porém, aquilo que é difícil precisar em palavras sem esbarrar nos clichês de “raça”, “sangue nos olhos”… Algo próximo à persistência, vontade. A completa indignação com a derrota. O contrário do “Tanto faz”.
Isso nada tem a ver com profissionalismo. É subjetivo, metafísico. E vai atrapalhando o técnico argentino que precisa construir um time com outra filosofia. Pragmática quando necessário, eficiente quase sempre. O oposto do cenário atual.
A má notícia é que já há uma decisão contra o River Plate atual campeão da Libertadores. A rigor, Bauza só tem o acaso para lhe proteger no Monumental de Nuñez. Parece pouco. Porque falta quase tudo ao São Paulo.
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