O teatro do comitê de ética do São Paulo

Fonte Blog do Juca Kfouri
À medida que o desfecho da investigação do comitê de ética do São Paulo parece caminhar para o fim, cresce dentro do Morumbi a sensação de que seria mais fácil culpar Ataíde Gil Guerreiro do que Carlos Miguel Aidar, punir quem gravou a proposta indecorosa, não o autor dela. Mas deve mesmo acabar em pizza.
Para entender o porquê de um desfecho tão surrealista , é preciso entender o pano de fundo que molda a lona do circo que se transformou a investigação.
Começa pelo presidente do comitê, José Roberto Ópice Blum, que chegou dizer para quem quisesse ouvir que se estivesse no Brasil à época do escândalo, não teria deixado o amigo Aidar renunciar e sugeriria um afastamento para que o caso fosse investigado.
Talvez tenha sido por essa proximidade que o ex-presidente encontrou um ambiente tão amistoso no comitê, nada parecido ao que deveria recepcionar alguém flagrado em áudio estarrecedor oferecendo dinheiro de comissão e admitindo que a namorada tentou lesar o clube em contratos.
Testemunhas do depoimento viram Aidar ser recebido com deferência e sorrisos – até com exibição de fotos antigas por aqueles que deveriam inquiri-lo.
Outra curiosidade: Aidar foi embora no mesmo carro de Douglas Schwartzmann, a quem acusou de “pedir comissão em tudo” na gravação e que, ainda assim, foi chamado como testemunha de defesa.
Para quem dizia que iria processar Aidar, o ex-vice de comunicação e marketing tricolor até que mostrou uma surpreendente, e rápida, capacidade de perdoar.
Aidar deve estar arrependido de ter contratado o mesmo advogado do dirigente petista José Dirceu. Provavelmente não o faria se soubesse que encontraria um ambiente tão amigável.
Já Ataíde não encontrou clima semelhante.
Desafeto da maioria dos integrantes da mesa, começou seu depoimento questionando a legitimidade de Ópice Blum – com quem não fala há anos e que o criticou mais de uma vez pela gravação da “maldita fita” (sem nunca ter dado um pio sobre o conteúdo escandaloso da conversa).
O cenário, hoje, aponta para que ninguém seja punido.
Afinal, aplicar sanções a Ataíde e perdoar Aidar (que deve ser investigado pelo Ministério Público) será um absurdo maior que o Morumbi.
Já uma pizza tricolor deixa os membros do tal comitê de ética bem com todos com vistas às eleições do ano que vem.
Pior para o São Paulo, que verá a sujeira varrida para baixo do tapete.
Registre-se que Leco, o presidente são-paulino, terá de se curvar ao que decidir o comitê, independente da direção do clube.
Situação pior que perder de The Strongest.
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