É por ser em campo tudo aquilo que um torcedor – qualquer um – gostaria de ser. Aquilo que Ceni disse na última preleção do que teria sido o último jogo oficial dele no Morumbi. Aquele maluco 3 a 2 no Figueirense. Vitória no último chute. Resultado que encaminhou mais uma Libertadores tricolor:
– Todo mundo que está lá na arquibancada daria a vida para estar uma vez em campo com esta camisa.
Também por isso o time pareceu jogar a vida no fim do jogo. Justo um elenco que nem sempre pareceu tão disposto assim. Um cara de índole X indolência cara demais em 2015.
Lugano é esse torcedor. Hincha que incha de esperança um coração carente como poucas vezes se vê no Morumbi. O são-paulino nunca sofreu como corintiano e palmeirense. Nunca teve filas desse tamanho.
Alvi negros e verdes estranham a veneração por Lugano. Não digo que invejam, já que não gostariam, hoje, de ter um zagueiro como ele em campo. Mas, certamente, amariam ter um ídolo como ele de volta. Já escrevi a respeito em outro texto. E repito o respeito demais ao profissional Lugano.
Mas o que se viu em Cumbica. O que se arrepiou no Morumbi na despedida de Rogério. O que se verá quando ele for reapresentado é a representação daquilo que mais lindo tem no futebol. O amor à camisa. A vontade de vesti-la. A superação de tudo e de todos.
É “fácil” idolatrar um craque como Raí. Ele joga muito. E se jogou demais no São Paulo. Difícil é superar as limitações de um Lugano e jogar e se jogar e fazer jogar e jogar junto com a arquibancada.
Lugano e poucos se identificam com a torcida por serem a própria torcida. O cara simples que poderia ser você e joga por você.
Um dos nossos. Um que é só nosso.
Antes de ironizar o apreço sem preço por um ídolo que não é craque, quem não é são-paulino que louve os seus que também não foram.
E, se puderem, que façam a mesma festa.
