Por Rubens Chiri/saopaulofc.net
O Nacional do Uruguai acabara de vencer o Liverpool local pelo "Apertura 2003" por 1 a 0. Ao sair de campo, um jovem zagueiro foi questionado por um repórter da imprensa local se o jogador estaria realmente se transferindo para o "San Pablo, de Brasil". Diego Alfredo Lugano Moreno, àquela altura, nada sabia sobre essa negociação. Na manhã do dia seguinte, segunda-feira, um dirigente do clube cisplatino levou a conhecimento do defensor a proposta do Tricolor e perguntou se Lugano estaria disposto a enfrentar esse desafio.
Lugano, que tinha como ídolo pessoal Darío Pereyra, cuja história no clube do Morumbi é notória, consultou a opinião de outro grande expoente são-paulino sobre essa jornada: Pedro Rocha. Obviamente bem avalizado e encaminhado, na terça-feira seguinte Diego já estava no Brasil para assinar contrato com o Tricolor.
O zagueiro uruguaio foi apresentado à imprensa e aos torcedores em 16 de abril de 2003 (quarta-feira, todo o processo de negociação foi definido em três dias). A contratação, por 645 mil reais, fez parte de um pacote que contou ainda com Carlos Alberto (volante do Botafogo), Souza (meio-campista), Rico (atacante), Adriano Ferreira (meio-campista), os três provenientes da Portuguesa Santista, e Flávio Kretzer (goleiro do Avaí).
"Jogador do Presidente". Com essa alcunha, Lugano foi batizado pelos veículos de mídia brasileiros nos primeiros dias no Brasil, pois o treinador do São Paulo, na época (Oswaldo Oliveira), não havia tomado parte no processo de contratação do atleta. Talvez justamente por isso, Lugano não teve chances na equipe principal com o técnico. Somente após Roberto Rojas assumir o comando do time, a princípio interinamente e posteriormente efetivamente, é que Diego assumiu um posto titular no Tricolor.
Apesar de tudo (o uruguaio também cometeu falhas em seu jogo de estreia), o começo da história de Lugano no clube foi bem-sucedido. Nos 10 primeiros jogos, seis vitórias e quatro empates, saindo-se invicto!
Ao final da temporada de 2003, Lugano já chamava atenção. A primeira entrevista do zagueiro à Revista do São Paulo foi publicada de novembro daquele ano, sob o título: "Uruguaio sangue bom: Diego Lugano faz cara de bravo quando está em campo, mas fora esbanja simpatia".
Talvez essa característica seja um dos motivos que levaram a torcida são-paulina a apoiar e a idolatrar tão facilmente o jogador, que dava o seu sangue em campo - literalmente, e que não se deixava intimidar por ninguém, contagiando todos os atletas do grupo. Impunha respeito.
E esta moral imposta não significava que o jogador se fazia valer de violência. Como todo uruguaio, Lugano joga um futebol sério, ríspido, mas longe de ser desonesto e maldoso. As estatísticas provam. O zagueiro somente foi expulso quatro vezes em sua primeira passagem pelo Tricolor (Rogério Pinheiro, Jean e Wilson, outros zagueiros do período, acumularam o dobro de cartões vermelhos).
Mas o respeito adquirido com a torcida veio também pela notável melhoria da defesa são-paulina. Os números provam: Em 2002, a média de gols sofridos pelo Tricolor era superior a um e meio por jogo. Em 2004, quando titular absoluto, a taxa caiu para menos de um por jogo (0,89). Dos 176 jogos pelo clube, 53 jogos a defesa integrada por Lugano não sofreu gol algum. No Morumbi, foram 82 partidas, das quais em 31 delas a meta são-paulina não fora vazada. E o desempenho poderia ser ainda melhor, não fosse o período de "ressaca" do elenco tricolor após a conquista da Copa Libertadores de 2005.
Ademais, Lugano é ídolo pois é ícone da vitória - como bem devem lembrar Bautista e Gerrard. Com quatro títulos em quatro anos percorridos no São Paulo, o zagueiro uruguaio é o símbolo imediato associado ao sucesso contra rivais - algo obviamente muito bem quisto pelos torcedores - Diego Lugano nunca perdeu para o Palmeiras (seis vitórias, dois empates) nem para o Corinthians (três vitórias, um empate).
Por essas e outras, e muitas mais por vir, que Diego Lugano é tratado por são-paulinos como DIO5.
Uma história de respeito (ao São Paulo)
Diego Lugano construiu carreira no Tricolor, moldando o caráter de uma fase vitoriosa do clube e fazendo valer identidade de ídolo com a torcida
Fonte Site Oficial
12 de Janeiro de 2016
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