Há exatos dez anos, uma nova estrela vermelha era adicionada para sempre no escudo do São Paulo. No dia 18 de dezembro de 2005, o time comandado pelo técnico Paulo Autuori venceu o Liverpool por 1 a 0, em Yokohama, no Japão, e conquistou o Mundial de Clubes da Fifa. Pela terceira vez na história, o mundo do futebol era vermelho, preto e branco.
Após conquistar o bicampeonato contra Barcelona e Milan – em 1992 e 1993, respectivamente – o Tricolor tinha pela frente o desafio de encarar os ingleses para alcançar mais uma glória em solo japonês. Em 90 minutos, o time do Morumbi sofreu com a pressão do Liverpool e contou com atuação memorável do capitão Rogério Ceni para confirmar o triunfo.
O FOXSports.com.br relembra cinco momentos que marcaram a trajetória do São Paulo rumo ao terceiro título mundial.
EMBARQUE
O São Paulo embarcou para o Japão ciente da responsabilidade que seria o Mundial de Clubes. Com dois títulos intercontinentais na década anterior, a pressão para uma nova conquista era natural. Mais ainda depois que os torcedores lotaram o aeroporto de Guarulhos para “se despedir” dos jogadores antes da viagem para a disputa da competição. Centenas de são-paulinos se aglomeraram no saguão de embarque para dar apoio ao elenco. O episódio deixou claro o quanto a torcida são-paulina sonhava com a conquista do tricampeonato.
POLÊMICA COM PRÉ-CONTRATO E “BICHO”
Às vésperas da estreia na competição, o São Paulo turbulência nos bastidores. A primeira polêmica aconteceu por conta do pré-contrato assinado pelo atacante Amoroso com o FC Tokyo antes mesmo do Mundial. Um dos destaques do elenco, o jogador admitiu acordo com o time japonês e acabou entrando em conflito com a diretoria. Uma das torcidas uniformizadas do Tricolor chegou inclusive a “cobrar” o atleta no hotel que o elenco estava hospedado.
Na sequência, nova crise. Isso porque os jogadores e diretoria não teriam chegado a um acordo sobre a premiação em caso da conquista do título. Segundo as informações, os atletas pediam pagamento de 200 mil dólares (R$ 466 mil à época) enquanto o clube estava oferecendo R$ 120 mil. Para piorar, dizia-se que o elenco estava “rachado”.
LIVERPOOL “BICHO-PAPÃO”
O favoritismo do time inglês só aumentou após as semifinais. Enquanto o São Paulo passou com sufoco pelo Al-Ittihad – vitória por 3 a 2 –, o Liverpool se impôs diante do Deportivo Saprissa e venceu por 3 a 0. No triunfo, os Reds também estabeleceram um recorde de 11 partidas sem sofrer gol. O próprio capitão dos ingleses, Steven Gerrard, chegou a declarar que a equipe “se sentia imbatível” naquele momento.
Para dificultar ainda mais as coisas pelo lado são-paulino, dois dias antes da decisão, o goleiro Rogério Ceni sentiu um desconforto no joelho enquanto treinava cobrança de faltas. O superintendente de futebol e médico tricolor, Marco Aurélio Cunha, no entanto, tranquilizou o capitão embora tivesse constatado uma lesão no menisco do atleta.
Na preleção, Ceni alertou a equipe pela jogada de bola parada do Liverpool e tratou de passar confiança para o restante do elenco: “Nós não vamos voltar para casa sem o título.”

Volante Mineiro foi o autor do gol diante do Liverpool, que deu o tricampeonato mundial ao São Paulo (Arquivo/SPFC)
INVASÃO DE CAMPO
Nos primeiros minutos de partida, o Liverpool era claramente superior ao São Paulo. Enquanto o time brasileiro aparentava tensão no início do jogo, os ingleses logo impuseram o ritmo e não demoraram a criar a primeira chance de gol. Aos dois minutos, Gerrard cruzou da direita e Morientes apareceu sozinho para desviar de cabeça, mas para fora. O lance deixou claro que a equipe comanda por Rafa Benítez faria uma “blitz” para tentar marcar logo no começo. Foi aí que o jogo esfriou.
Isso porque um torcedor uniformizado com roupas do Corinthians invadiu o campo e correu em direção ao gol de Rogério Ceni. Perseguido pelos seguranças, o homem se pendurou nas redes e quebrou o suporte que a prendia às traves. Foi preciso quase cinco minutos para reparar os danos, suficiente para baixar o ímpeto inicial do Liverpool e “colocar” o São Paulo no jogo.
“RONALDINHO GAÚCHO DO PARAGUAI”, GOL, DEFESAS E IMPEDIMENTOS
O que parecia improvável aconteceu aos 26 minutos do primeiro tempo. Aloísio recebeu a bola na intermediária ofensiva, puxou a marcação e deu um belo passe de letra – ao estilo “Ronaldinho Gaúcho do Paraguai”, conforme o próprio atacante diria posteriormente – para deixar o volante Mineiro na cara do gol para abrir o placar. Além de colocar o São Paulo em vantagem no marcador, o tento derrubou a “barreira” até então intransponível do Liverpool, que não tomava gol há mais de mil minutos.
O gol, no entanto, não facilitou as coisas para o São Paulo. Precisando buscar o resultados, o time de Rafa Benítez saiu ainda mais para o ataque e imprimiu uma pressão incessante no rival. A primeira resposta veio com uma bola na travessão após cabeçada de Luis García. Ainda na primeira etapa, Rogério Ceni fez grande defesa ao espalmar bola desviada novamente atacante espanhol.
No segundo tempo, a atuação de Ceni confirmou-se como decisiva ao impedir o empate do Liverpool . O lance mais emblemático aconteceu na falta cobrada por Steven Gerrard. A bola batida no ângulo esquerdo do goleiro parecia perfeita, mas o capitão são-paulino conseguiu aquela que ficaria marcada como a defesa mais famosa, e importante, de sua carreira. Ao término do confronto, o ídolo são-paulino foi eleito o melhor jogador da partida e da competição.

Rogério Ceni foi eleito o melhor homem em campo na decisão e de toda a competição em 2005 (Arquivo/SPFC)
Igualmente importante foi a precisão do bandeirinha, que anulou corretamente três gols do Liverpool. Nos lances, apenas uma diferença milimétrica colocava os jogadores do time inglês em posição irregular.