Nesta sexta-feira (11 de dezembro), o goleiro Zetti será um dos participantes do jogo que marcará a despedida dos gramados do goleiro Rogério Ceni e que terá transmissão do FOX Sports a partir das 21h (horário de Brasília). Eterno ídolo do São Paulo e um dos maiores goleiros da história do clube, ele concedeu entrevista exclusiva ao FOXSports.com.br antes da participação no evento e relembrou um pouco da carreira do colega, que iniciou sua caminhada no Tricolor fazendo de Zetti uma de suas primeiras 'vítimas'.
"Começou como uma brincadeira. A gente ficava, depois do treino, tentando tirar a camisa do travessão, mas tudo em clima de brincadeira. Bom, eu brincava porque não tinha a pretensão de bater falta. O Rogério até falava para eu tentar, mas minha geração era diferente, não fui educado dentro do futebol para isso, e nem os treinadores permitiam", afirmou o ex-goleiro.
E se durante os treinamentos o tom era de diversão, mudou quando o ano de 1997 começou e Zetti deixou a equipe tricolor para defender o Santos. Além de sentir que ainda poderia 'dar mais ao clube', por estar vivendo um bom momento e querer continuar, revela que o conhecimento prévio não foi suficiente para parar o amigo.
"Tive a oportunidade de defender o Santos por três temporadas. Claro que eu queria ter continuado no São Paulo, estava bem, em forma, mas existia a Lei do Passe, eu era um atleta caro na época e o clube vinha enfrentando alguns problemas financeiros. Quando tive que enfrentá-lo, já com a camisa do Santos, imaginava o que ele podia fazer, e até pensei em uma jogada de contra-ataque, mas ele foi muito feliz e acabou fazendo o gol".
Os números mostram que Ceni foi um dos maiores jogadores da história do São Paulo e Zetti faz questão de ressaltar isso, apontando que o 'Mito' pode ser considerado até mesmo um dos maiores da história do futebol brasileiro. Porém, faz uma ressalva: para passar de 'passageiro' a ídolo de um clube, é preciso conquistar títulos.
"Falar quem foi o maior de todos é difícil e eu sempre comparo gerações. Cada um tem sua história, suas conquistas, e nada apaga isso. O Rogério se encaixa na lista de grandes não só do São Paulo, mas do futebol brasileiro. Os recordes, a maneira como suportou o futebol por tanto tempo, com disciplina, falam por si só. Mas o que marca a história de um ídolo se chama título. Não importa qual seja, mas tem que ganhar. Se não ganha, é um mero passageiro no clube", afirmou.
Ceni x Marcos

Amigos, Ceni e Marcos deixaram 'tarefa difícil' para os clubes (César Greco/Fotoarena)
Apesar de se tratar da despedida do goleiro são-paulino, a comparação com a trajetória do arqueiro do Palmeiras é inevitável. Para Zetti, que também defendeu as cores do Verdão, o jeito forte de falar era uma característica comum aos dois, mas o 'santo' do Palestra Itália tinha um diferencial para cativar as torcidas adversárias que Ceni não conseguiu ter: foi campeão do mundo com a Seleção Brasileira.
"O Rogério sempre foi muito duro com as palavras, ele sempre teve esse lado mais de bater, de falar o que pensa. O Marcos falou também, às vezes até demais, quando reclamava que os jogadores não estavam correndo. E essa imagem de coitado, de jogar sozinho, também pesa. Mas o fator a mais foi a Seleção. Quando se defende o país, todo mundo torce, não tem divisão de torcida, todo mundo pensa junto", avalia.
E se a comparação com o colega do Palmeiras é inevitável, o futuro das duas equipes também o é. Assim como no Verdão, Zetti acredita que o São Paulo terá dificuldades para conseguir viver sem Ceni. Mas explica: será muito mais pela falta de um grande jogador dentro de campo do que pela qualidade de seus goleiros.
"Qualquer goleiro que entrar hoje para substituir o Ceni, se a equipe não estiver bem, não vai dar certo. Pode trazer qualquer um que não vai ter substituto. O Denis, ou o Renan Ribeiro, não precisa ser melhor que o Ceni, nem cobrar faltas e pênaltis. O que precisa é ser ele mesmo, escrever sua história e conquistar títulos. A cobrança vai existir, mas o time vai ter que ajudar e a torcida terá que ter paciência com possíveis erros porque não vai surgir outro Rogério Ceni. Pode ser que apareça um bom, ou até mesmo melhor que sim? Claro que sim. Mas igual ao Ceni, nunca mais".
(Reportagem de Matheus Collaço dos Santos)