Rogério Ceni mostra que seu talento vem de berço

Fonte Diário de SP
Estava escrito que Rogério Ceni se tornaria goleiro. Afinal, o Mito já carregava em seu DNA as características necessárias para ser o camisa 1 do São Paulo.
Mesmo depois de tentar a sorte como meia nas peladas do time do banco em que trabalhava, em Sinop, no interior do Mato Grosso, ele acabou se rendendo às luvas quando o dom e o destino falaram mais alto.
“Ele sempre jogou na linha. Só que um belo dia, o goleiro que jogava no time dele não pôde aparecer e ele se saiu bem. Então, viu que levava jeito. Fez teste no Sinop (time profissional) e virou goleiro”, conta o pai de Rogério, Eurydes.
Torcedor do Internacional, o pai do Mito tem também uma grande parcela de responsabilidade por essa mudança de rumo na carreira do maior ídolo da história do São Paulo.
“Já está no sangue o gosto por jogar no gol. Não sei se ele optou por essa posição também para me agradar. Fui goleiro e, desde pequeno, sempre gostei de bola”, relata Eurydes, que não teve a mesma sorte na hora de traçar a sua vida nos campos.
“Na minha época, fui goleiro no Rio Grande do Sul. Tive oportunidade de fazer alguns testes, mas meu pai achou que não deveria seguir essa carreira. Até joguei campeonatos de aspirantes, mas me machuquei. Depois, eu me mudei para o Paraná e para o Mato Grosso”, comenta o pai de Rogério.
Por mais uma obra do destino, justo um dos maiores ídolos e fonte de inspiração de Eurydes ajudou o filho no início de seu trajetória no São Paulo.
“Gostava muito do Valdir Joaquim de Moraes (preparador de goleiros do Tricolor na década de 1990). Ele era um goleiro que não fantasiava, que não se jogava na bola para impressionar a torcida. Jogava muito. Foi também um grande professor, que contribuiu muito na hora de fazer o Rogério repor a bola. É um senhor de muito caráter”, elogia o pai coruja.
Vencedor
Mesmo que Rogério não tivesse se rendido ao dom para se tornar goleiro, ele seria bem-sucedido nos gramados. Ao menos, é o que garante o seu Eurydes. “Ele jogava bem na linha e tem jeito para bater na bola. Se escolhesse jogar em outra posição, também teria dado certo por causa da determinação”, diz, ressaltando a força psicológica do filho no dia a dia de trabalho.
“Ele também era bom nos estudos. Com 14 anos, já trabalhava no banco e era um menino muito responsável. Ele nasceu para ser um líder. No trabalho, já organizava as partidas de futebol. Ele sempre foi assim. Não tenho do que reclamar, só a agradecer”, orgulha-se o pai do ídolo são-paulino.
Entrevista
DIÁRIO: Como estão os preparativos para a despedida do Rogério Ceni na sexta-feira?
EURYDES CENI
Passaremos toda a semana nos preparando, Toda a família vai ver o jogo. É claro que gostaríamos que não fosse a despedida, mas tudo na vida tem começo e fim. Agora, só temos de agradecer a trajetória dele.
Está difícil de controlar a emoção com a proximidade da aposentadoria do seu filho?
Está difícil. A gente está se sentindo emocionado só de saber que ele vai parar. Queríamos que essa data nunca chegasse.
Qual partida que o senhor guarda com mais carinho?
O que a gente se lembra é daquele da final do Mundial de Clubes contra o Liverpool, pela importância pelo que representava, pelas defesas...
Tem alguma que gostaria de se esquecer?
Tiveram tantos jogos em que ele se destacou, assim como os que ele falhou. Não existe quem nunca falhou. Mas acredito que ele tenha mais pontos positivos do que negativos. Foram tantas defesas extraordinárias...
O senhor preparou alguma homenagem para ele? O que pretendem fazer depois da partida?
Vamos abraça-lo agradecer por tudo que nos proporcionou. Infelizmente, será a última partida e vamos ter de nos contentar com isso. Afinal, foram tantas glórias. Muito mais alegrias do que tristezas na carreira.
Qual qualidade do Rogério o senhor destaca?
A dedicação, a determinação, o comprometimento dele com o clube. Quando ele se lesionou, fez de tudo para voltar o mais rápido possível. Tanto que em toda a carreira, ficou pouco tempo longe do time. Só sofreu mesmo com duas lesões gravíssimas (no tornozelo esquerdo, em 2009, e no ombro direito em 2012).
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