Especial Ceni: seis motivos pelos quais Rogério deixará saudade no futebol

Goleiro se aposenta do futebol nesta sexta-feira e deixa um legado que tornará o futebol mais carente após sua saída

Fonte IG
Rogério Ceni comemora gol pelo São Paulo (Rubens Chiri/saopaulofc.net)
Rogério Ceni encerrou a carreira no último fim de semana e irá se despedir dos gramados nesta sexta-feira, em amistoso que reunirá os campeões mundiais de 1992, 1993 e 2005, com presenças confirmadas de Zetti, Raí, Lugano, Amoroso e Aloísio, entre outros.
Com uma história de 25 anos de clube, o goleiro detém uma história invejável e que deixará saudade, não só ao torcedor do São Paulo, mas a todos aqueles que admiram o futebol.
Confira com o iG Esporte as seis razões que tornam Rogério um dos maiores ícones de sua geração no futebol, não apenas por ser um grande goleiro, mas por ser um atleta diferenciado em outras áreas.
1) Marcas e Recordes que atingiu
Rogério Ceni sempre foi um obstinado. Defendeu o seu clube com impeto e amor e isso trouxe ao goleiro diversas marcas ao goleiro. Com 1.237 partidas, é de longe o jogador que mais vezes entrou em campo com a camisa do São Paulo, além de colocar ele como o jogador que mais vezes atuou no Campeonato Brasileiro.

Rogério recebe certificados pelos seus recordes durante a carreira
Dono definitivo da faixa desde que Raí se aposentou do clube em 2000, Rogério é também o dono do recorde de mais partidas como capitão de uma mesma equipe. Ainda pelo clube é o jogador que mais títulos conquistou e que mais vezes atuou no Morumbi.
Além disso, é o jogador com mais partidas e que mais venceu por um mesmo time, além de ser o goleiro com mais gols marcados e com melhor aproveitamento em disputa de pênaltis pós-partidas (foram 12 vitórias em 16 disputas).
Não bastasse todos os recordes, Rogério coleciona prêmios importantes como o de melhor goleiro do mundo em 2005 e de 10º melhor jogador do mundo do mesmo ano. Além de prêmios como Bola de Ouro da Revista Placar de 2008, da Bola de Prata (do qual ele é o maior vencedor com cinco conquistas) e a conquista do Prêmio de melhor jogador de diversos campeonatos que disputou (entre eles os Brasileiros de 2006 e 2007 e Libertadores e Mundial de 2005).
Ainda é o único capitão a erguer o troféu de campeão Brasileiro por três anos consecutivos.
2) Pelo amor ao clube que defendeu por 25 anos
São 25 anos dedicados por um mesmo clube, o que tornam Rogério Ceni um símbolo de longevidade. E em diversos momentos o goleiro deixou claro seu amor pelo São Paulo.

Rogério Ceni amou o São Paulo durante os 25 anos de sua passagem pelo clube
Uma das mais marcantes foi na Libertadores de 2004, após fazer duas defesas na disputa por pênaltis contra o Rosário Central.
"Isso aqui é minha vida! Quem tem essa torcida, tem tudo! Quando falam me falam para ir para o exterior...pra que se eu já jogo no maior time do mundo?", disse o goleiro depois da partida onde defendeu duas cobranças e ainda marcou o gol que ajudou o São Paulo a avançar no torneio continental daquele ano.
3) Por ser um dos melhores goleiros de sua geração
Rogério Ceni não foi unanimidade entre os torcedores rivais e nem fez uma longa carreira na seleção do Brasil, por muitos foi dito que "Rogério só era falado por que batia faltas, senão seria um jogador comum", mas, sem dúvida, foi um dos melhores da posição durante sua carreira.

Rogério Ceni se estica e faz defesa
Com boa noção de posicionamento e reflexos apurados, Rogério conseguia praticar defesas incríveis durante sua carreira. Veja:

4) Pelos títulos que conquistou na carreira

Rogério ergue a taça de campeão Mundial pelo São Paulo. Foram 18 títulos oficiais pelo clube
Rogério Ceni foi um vitorioso. Conseguiu muitos títulos na sua carreira o que o tornou, por muito tempo, o jogador sul-americano em atividade com mais conquistas. Pelo São Paulo, sem contar os torneios amistosos, venceu 18 troféus. Foram duas Libertadores e dois Campeonatos Mundiais, além de três Brasileiros, três estaduais e outros torneios como Recopa, Rio-São Paulo, Conmebol e Sul-Americana. Ainda foi campeão de oito torneios amistosos pelo clube, entre eles a Copa dos Campeões Mundiais de 1995 e 1996, O Torneio Santiago de Compostela de 1994 (primeiro título dele como titular) e o torneio Constantino Cury de 2000, onde ele fez seu primeiro gol internacional pelo clube. Além disso, possui um estadual pelo Sinop-MT, quando ainda era um garoto, e dois títulos pela Seleção Brasileira.
5) Pela dedicação que sempre demonstrou

Rogério Ceni não conseguiria se recuperar de lesão no tornozelo direito
Chamado de fominha, Rogério Ceni era um atleta dedicado. Para defender o São Paulo muitas vezes o goleiro jogou com dores e até contundido. Além disso, Rogério treinava a exaustão. Quando ainda era juvenil começou a ficar horas depois dos treinos fazendo cobranças de falta para se aperfeiçoar. Tamanha dedicação chamou a atenção de Telê Santana que, apesar de não dar oportunidades, o promoveu ao time principal e demonstrou admiração pelo goleiro, com o qual chegou a criar uma amizade, chegando a jogar tênis com o treinador e fazer companhia a ele nos dias em que iniciava a concentração mais cedo que os demais atletas.
Na reta final da carreira, Rogério também passou acompanhar o time mesmo em partidas para a qual não foi relacionado, realizando preleções motivadoras ao elenco, como fez na partida contra o Figueirense, onde deixou de ter a chance de realizar sua última partida no estádio do Morumbi por conta de uma lesão. Veja:


6) Pela noção tática que o tornava um "técnico dentro de campo"

Paulo Autuori foi um dos que confiavam em Rogério como seu "técnico em campo"
A grande maioria dos treinadores que passaram pelo clube no período no qual Rogério Ceni foi titular tiveram no jogador um homem de confiança e, mais do que isso, alguém que poderia ser uma extensão do técnico dentro do gramado, orientando não só o posicionamento da defesa, mas também acertava o posicionamento de outros jogadores e até orientava algumas jogadas, tudo com o aval dos técnicos.
Tal capacidade torna Rogério um candidato a se tornar treinador. Apesar da relutância inicial a idéia, o goleiro tem grandes influenciadores na idéia, como o seu último técnico Milton Cruz e Juan Carlos Osório, que afirma que ele tem tudo para se tornar um excelente treinador. O goleiro inclusive fará um estágio com o colombiano na seleção mexicana para dar início ao preparo de uma futura carreira.
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