Ex-CEO do São Paulo explica demissões, revela salário de dirigente e comenta projeto negado

Alexandre Bourgeois, demitido duas vezes, falou sobre veto à contratação de Dória e suposta remuneração de Gustavo Vieira de Oliveira

Fonte Esporte Interativo
(Foto: Reprodução)
Alexandre Bourgeois, ex-CEO do São Paulo, demitido recentemente pela segunda vez, pelo agora presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco (antes o executivo havia sido desligado do clube pelo ex-mandatário Carlos Miguel Aidar), resolveu falar.
Em entrevista ao “Globoesporte.com”, Bourgeois revelou os motivos pelos quais a cúpula são-paulina atribuiu sua queda. “Na primeira, vazamento de informação no caso Boschilia, inclusive falaram que era para o Globoesporte.com. E outra coisa era que tinha me reunido com o Leco, à época presidente do Conselho (Deliberativo). Isso foi considerado uma traição. Na segunda, alegaram que não tinha a menor condição de o São Paulo implantar uma gestão profissional, e iriam extinguir o cargo de CEO. O Leco disse que o clube não estava preparado, o clima político e as pessoas não permitiam. Disse que era muito bom, mas não poderia implantar. Era praticamente o mesmo plano apresentado ao Carlos Miguel”, afirmou.
Segundo a publicação, a proposta de profissionalização do executivo previa redução nos gastos com futebol, promoção de atletas das categorias de base para suprir os investimentos realizados no CFA de Cotia anualmente, hoje estipulados em R$ 22 milhões, além da criação de um conselho de administração, que poderia ter poder de decisão maior que o do presidente do clube.
O ex-CEO revelou, também, o valor do suposto salário de Gustavo Vieira de Oliveira, diretor executivo do Tricolor, e comentou sobre seu contrato, publicado na “Folha de S.Paulo”, que incluiria bônus em possíveis vendas de jogadores, o que foi negado pelo dirigente.
“Tive acesso (ao contrato). Pedi porque queria colocar no orçamento, e não tinha previsão desse cargo para o orçamento. As informações eram parecidas com essas. Não sou o responsável pelo vazamento. Sei quem vazou, mas eu não vazei. Não vou fazer delação, não é da minha índole. Pessoas da diretoria me pediram para falar, mas me recusei. Não quero salvar minha pele com a delação de outro. Não faço isso. Questionei membros da diretoria referente a comissão sobre jogador, que não acho correto, e ao salário, que não achava condizente com a situação do São Paulo. Se não tem dinheiro para fazer as coisas, não podem contratar um executivo por R$ 120 mil, que, salvo engano, é o maior salário de executivo de futebol do Brasil. Tem de ter um fixo mais baixo e um variável maior. Quando questionei, diziam que era isso mesmo e estava feito. Não sei se o contrato foi assinado. Não achava que o contrato era condizente com a situação financeira do clube, nem com a cabeça que tenho, de remuneração baseada em meritocracia”, disse.
De acordo com Bourgeois, seu processo de “fritura” começou a partir da negociação pelo zagueiro Dória, do Olympique de Marselha, da França. À época, o ex-CEO barrou a contratação do defensor por conta das dificuldades financeiras vividas pelo São Paulo. Perguntado se haveria um eventual pagamento de comissão de R$ 900 mil ao empresário do jogador caso as tratativas chegassem em um denominador comum, o executivo não confirmou, mas considerou “mau negócio”.
“Não tive acesso, mas pagar R$ 900 mil em uma negociação de comissão não me parece bom negócio. Quando quiseram contratar o Dória, briguei para não fechar, porque o São Paulo não tinha dinheiro. Não aconteceu e foi o estopim de todo o trabalho do futebol contra mim, por eu ter barrado um contrato que eles queriam que fosse feito de todo jeito. O Ataíde não dizia nada, mas me fritava em várias oportunidades. Isso mostra que ele não ficou feliz por eu ter barrado ou colocado obstáculos na contratação do Dória. Isso certamente comprova o que você diz: quebra de hierarquia. Ou seja, não estava lá para fiscalizar e fazer a coisa certa. Estava para “fazer de conta”. É isso que eles queriam. Esse era o problema. Como iriam pagar 8 milhões de euros por um jogador, com três meses de salários e imagem atrasada? Coloquei obstáculos, acharam que eu me metia onde não deveria e a partir daí começou o processo de fritura”, finalizou.
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